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“O mundo acaba desviando as pessoas do caminho de luz”, afirma Dalton Vigh

O ator poderá ser visto nas telonas (em dose tripla) ao longo de 2019. Ele atuou em três longas que serão lançados. O primeiro trata-se de um projeto do Afroreggae, “A divisão”, que também foi transformado em uma minissérie de dez episódios para a televisão, no canal “Multishow”. Atuou ainda em 'Kardec' e 'Sem pai nem mãe'

Publicado em 03/04/2019 | Por Heloisa Tolipan

*Por Karina Kuperman

Na pele de um vilão em “As aventuras de Polyana”, do SBT, Dalton Vigh coleciona papéis marcantes, mas essa é sua primeira vez lidando diretamente com o público juvenil. “Na verdade, de uma certa forma ou de outra, isso já acabava acontecendo. Muita criança assiste novela do horário nobre, mas, de fato, é a primeira vez que faço uma direcionada a esse público. O carinho das crianças é demais. Por mais que meu personagem seja sotuno. No começo, as crianças ficavam meio na dúvida sobre me abordar, mas, agora que a história está se desenvolvendo, elas estão mais à vontade. Tem sido colocar o pé na rua e tirar foto. Não só com crianças, mas com adultos que acompanham a trama, alguns por terem filhos, outros porque gostam mesmo. Acredito que nós também falamos para o público cansado do noticiário das tragédias”, afirmou ele, que interpreta o Sr. Pendleton. “O que mais me cativou foi a própria história da Polyana. Acho que precisamos mesmo dessa dose de otimismo”.

Dalton nos bastidores de As aventuras de Polyana (Foto: Lourival Ribeiro/SBT)

Conhecido – até internacionalmente – pelo papel do tradicional muçulmano Said, em “O Clone”, de 2001, Dalton gosta do carinho dos fãs com o personagem mesmo após mais de 15 anos depois. Nessa terça-feira, dia 2, a Globo estreou sua novela “Órfãos da Terra”. A trama, que conta a história de refugiados árabes, chegou a ser comparada com “O Clone” por alguns sites, e o protagonista, Renato Góes, afirmou que deseja que as palavras e expressões árabes da trama façam tanto sucesso quanto as da novela da Gloria Perez, de 2001. Que conselho será que Dalton daria ao colega? “Eu não sei se poderia dar dicas, até porque não acompanhei o processo, se chegaram a viajar para a Síria… mas o contato com a cultura local sempre ajuda muito para incorporar as expressões, não apenas decorá-las. O Renato tem um trabalho ótimo, já sabe bastante. Quando se faz com verdade… acho que o público reconhece”, disse.

(Foto: Michael Willian)

Além de “As aventuras de Polyana”, Dalton também poderá ser visto nas telonas (em dose tripla) ao longo de 2019. Ele atuou em três longas que serão lançados. O primeiro trata-se de um projeto do Afroreggae, “A divisão”, que também foi transformado em uma minissérie de dez episódios para a televisão, no canal “Multishow”. Na história, Dalton vive um candidato político que tem a filha sequestrada. “Foi um mergulho profundo, uma história intensa, exigiu bastante. Esse personagem tem uma curva dramática interessante, porque no primeiro trabalho ele está no fundo do poço, em plena campanha eleitoral, a filha é sequestrada. Já no segundo, ele está em outro momento, já tomou posse. E nada impede que haja uma terceira temporada. Não sei se meu personagem continuaria, mas se tiver podem contar comigo”, avisou.

No ano passado, Dalton filmou o longa “Kardec”. “Foi uma participação, mas eu amei. É um personagem que, coincidentemente, também é envolvido em problemas com a filha. Nesse caso, é porque a menina é médium e, na época, não se entendia isso. Quem conversava com espíritos era visto como louco. Esse meu personagem, então, procura Kardec mais como uma forma de pedir ajuda. Só que ele chega em um momento em que Kardec também precisa de ajuda. Os dois se unem para divulgar o espiritismo”, contou.

Nos bastidores de “Kardec”(Foto: Dan Behr)

Um acontecimento especial, lá em 2016, deu ainda mais cartas para que Dalton trabalhasse esses dois personagens. Tratam-se de Davi e Arthur, seus gêmeos de quase três anos. “Eu acho que realmente só pude entender a dimensão disso depois de ser pai. Por mais que imaginemos, nunca conseguimos chegar lá, a não ser vivenciando a experiência. Ser pai me ajudou muito nos personagens que fiz, tanto em ‘A divisão’ como em ‘Kardec’, porque ambos abordavam a paternidade. Eram personagens movidos por um auxílio à filha, procurando ajuda. Sem dúvidas esses personagens terem surgido depois de eu ter sido pai me fez compreender melhor esse amor, angustia… tudo”, ressaltou.

(Foto: Michael Willian)

Seu terceiro longa é a comédia “Sem pai nem mãe”. O filme foi, de acordo com Dalton, um processo divertido. “O diretor, André Klotzel, é um cara que busca a colaboração dos atores, então foi muito gostoso. Fora que o roteiro é muito legal também. Eu dei sugestões de posicionamento de câmera… de tudo”, contou. E será que esse passo já pode ser considerado um flerte com a direção? “Quem sabe, um dia, eventualmente eu acabe dirigindo? Vamos trabalhando tanto tempo na profissão que acabamos querendo contar nossas histórias da nossa forma. Por enquanto é apenas uma vontade. Talvez eu comece pelo teatro que acho que é até mais difícil. Com a câmera é mais fácil conduzir o olhar do espectador”, analisou ele, que, por enquanto, já tem o projeto de coprodução e atuação em uma peça.

Enquanto isso, Dalton vem evoluindo – até pessoalmente – com os trabalhos que faz. “Atuei em ‘Kardec‘ e comecei a ler sobre espiritismo, mas não sigo nenhuma religião específica, só tenho minha forma de fé. Acredito em reencarnação, em vir ao mundo para aprender, seguir o caminho do bem… só que nem sempre conseguimos. O mundo interfere demais e isso acaba desviando as pessoas do caminho da luz”, refletiu.

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