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Na pré-estreia de “Superpai”, Danton Mello declara: “Estamos vivendo uma fase bem chata onde não se pode falar nada”

Comédia com Dani Calabresa, Thogun Teixeira, Antonio Tabet e Monica Iozzi estreia hoje nos cinemas e traz um humor politicamente incorreto, que é perfeito para a atual mesmice do gênero

Publicado em 26/02/2015 | Por Heloisa Tolipan

*Por João Ker

Com praticamente um representante de cada programa humorístico existente no Brasil (seja da TV ou da internet), a nova comédia da Universal Pictures Brasil, “Superpai”, teve pré-estreia na noite desta quarta-feira (25/2) no Cinépolis Lagoon. O elenco principal, formado por Danton Mello, Dani Calabresa, Juliana Didone, Mônica Iozzi, Thogun Teixeira e Antônio Tabet, compareceu em massa e HT esteve por lá para contar como foi.

Trailer oficial de “Superpai”

A primeira observação que você precisa saber sobre a nova comédia do cinema nacional é que ela não é o tipo de filme coxinha que vem surgindo ultimamente, com piadas politicamente corretas e o mimimi de ‘não podemos falar isso ou aquilo’. Basta dar uma olhada no elenco para constatar: Dani Calabresa, por exemplo, começou com as imitações lendárias pelos programas irreverentes da MTV, foi para a bancada do “CQC”, na Band, e, agora, é parte fundamental na nova fórmula do “Zorra Total”, na Rede Globo. “Não vai ter bordão, metrô nem mulher pelada. E os personagens também não serão fixos. O novo elenco também é muito bom. Entrou gente nova, ficou gente da antiga. Mas o programa é outro”, comentou a humorista , dizendo ainda que está “ótima” na emissora e que adora andar no carrinho de golfe do Projac.

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“Superpai” conta a história de Diogo (Danton Mello), um cara sem o menos jeito para bancar o pai convencional, daquele que esquece as alergias do filho e o troca por um bom jogo de pôquer. No reencontro da turma de escola, sua esposa (Monica Tozzi) precisa sair de casa para cuidar da mãe e ele, então, decide largar o filho em uma creche noturna, confundindo o menino na hora de buscá-lo. Junto com seus três melhores amigos da época de colegial (vividos por Dani Calabresa, Thogun Teixeira e Antonio Tabet), ele entra em uma odisseia paulistana para reencontrar o garoto certo, se enfiando nas piores enrascadas possíveis.

Apesar do nome e da semelhança inicial com a história principal, “Superpai” está mais para a comédia “Se Beber, Não Case!” (“The Hungover”, 2009) do que para “O Paizão” (“Big Daddy”, 1999), com Adam Sandler, o clássico que trazia outro adulto meio irresponsável com o filho. Mas, ainda assim, isso não é o suficiente para descrevê-lo. O filme é carregado de piadas que podem fazer os militantes radicais virarem o olho – como a cena em que o personagem de Tabet chama Togun de “um nhá benta desse tamanho” -, mas as intenções do roteiro são claramente não prejudiciais nem ofensivas, algo que a polícia do politicamente correto precisa começar a diferenciar melhor.

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Dani Calabresa vive uma “ex-prostituta” que se descobriu viciada em sexo, uma nova versão daquela garota que anda com os garotos e é “brother”. Seu passado em esquetes faz com que ela se transforme bem na personagem e renda algumas das melhores piadas do filme, como na cena em que conta ao personagem de Tabet sobre seu “deslize” com o porteiro. Este, por sua vez, acostumado a protagonizar alguns do melhores vídeos do “Porta dos Fundos”, também consegue divertir o público na pele do cara que parece ser o mais consciente do grupo. E o mesmo pode ser dito de Juliana Didone, vivendo a garota popular do colégio que, 20 anos depois, se transformou em um prato cheio para psicanalistas.

Danton Mello, que estava acompanhado pelo irmão, Selton Mello, consegue muito bem segurar tanto as cenas cômicas quanto os momentos de drama pelos quais seu personagem passa. Afinal, “Superpai”, como todas as comédias desse gênero, acaba passando uma mensagem sobre o valor de ser pai e dar atenção à família. Sobre a polícia do politicamente correto, o ator comentou com HT: “Pois é, existe muita gente radical. Acho que é preciso ter um pouco de leveza na vida. Estamos vivendo uma fase bem chata onde não se pode falar nada”, disse, reflexivo, antes de completar com um sorriso: “O ‘Superpai’ está aí para quebrar com isso”.

Selton e Danton Mello (Foto: Christian Rodrigues | Divulgação)

Selton e Danton Mello (Foto: Christian Rodrigues | Divulgação)

Realmente, um filme com Rafinha Bastos, Danilo Gentili, Paulinho Serra, integrantes do “CQC”, do “Porta dos Fundos” e até uma Panicat – sim, Nicole Bahls faz uma ponta como ela mesma na produção -, já era de se esperar um nível alto de risadas e piadas teoricamente fortes. Mas, de alguma forma, tudo acaba se encaixando muito bem, um feito da direção de Pedro Amorim. Assim como o elenco todo se jogou no chão do tapete vermelho para dar apoio a uma tropeçante Nicole – a cena merecia entrar para os ‘erros de gravação’ do longa -, “Superpai” é uma comédia irreverente e bem amarrada, perfeita para completar o boom do gênero no cinema nacional.

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