*por Vítor Antunes
Um dos maiores sucessos de Maurício Mattar chama-se “Nada Apaga Esta Paixão” — e não seria nada inoportuno abrir esta reportagem lançando mão dessa música para anunciar seu retorno às novelas. Depois de quase 20 anos fora da dramaturgia da Globo, o eterno galã está de volta em “Por Você”, com estreia prevista para agosto. Na trama escrita por Dino Cantelli e Juliana Peres, com direção artística de André Câmara, Maurício dará vida ao empresário Gilberto Junqueira — marcando seu retorno à emissora desde “O Profeta” (2006/2007), que, aliás, estará de volta ao Globoplay Novelas, dia 22 de junho.
Sobre a volta às novelas ele diz: “Na atuação eu já tinha me aposentado há algum tempo, alguns bons anos. Só faço coisas que realmente me seduzem, me motivam — como atuei na série do Cauã Reymond, “Jogada de Risco”. Mas, agora, topei fazer a novela por motivos semelhantes, alinhados à minha realidade de vida. Também realizei um sonho: comprei um haras, o Haras Kirk, e crio gado em Minas Gerais”.
Minha vida está num equilíbrio muito prazeroso — família, uma filhotinha pequena e linda. Essa é a minha alegria de viver – Maurício Mattar

Maurício Mattar em “O Profeta” (Foto: Divulgação/Globo)
Aos 62 anos, o ator acumula 41 de televisão, tendo estreado em “Roque Santeiro” como irmão do protagonista que nomeia a trama. Para ele, a maturidade é um tempo de descoberta e de colheita. “O passar do tempo e a maturidade têm sido alvo de constante sabedoria e aprendizado. Sou muito grato à vida que tenho, às experiências — e hoje convivo com a existência com muita felicidade, ao lado da minha família e de tudo o que amo fazer.”
Diante de uma trajetória recheada de personagens e grandes novelas, Maurício destaca um papel como o que mais lhe exigiu criatividade e uma construção diferente: Dom Fernão, de “A Padroeira”. “Acho que o personagem que mais me chamou a atenção, que me deu um certo estranhamento — um esforço para tentar fazer o melhor — veio de um convite que Walter Avancini (1935-2001) me fez para interpretar aquele vilão em “A Padroeira”. O resultado foi fantástico.”

Maurício Mattar e Deborah Secco em “A Padroeira” (Foto: Divulgação/Globo)
Entre estúdios, fazendas, canções e silêncios escolhidos, Maurício Mattar reaparece na televisão sem a pressa de quem precisa provar alguma coisa. Volta movido pelo afeto ao ofício, pela maturidade de quem aprendeu a transformar o tempo em permanência. E talvez seja justamente aí que resida a força de seu retorno: enquanto tantas trajetórias se apagam na velocidade da indústria, ele surge outra vez como quem reencontra uma antiga estrada sabendo exatamente o peso, a beleza e a memória de cada passo.
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