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Marcelo Serrado será Sérgio Moro no longa “Polícia Federal – A Lei É Para Todos”: “Não existe lado quando todos os partidos são a favor do caixa dois”

Ator contou com exclusividade ao HT como está o processo de criação do personagem: "Ele não é o protagonista, mas é uma peça emblemática dessa história. Eu conheci o Sérgio e ele é um cara muito simples e focado no trabalho dele. Não tem nada de herói"

Publicado em 30/11/2016 | Por Leonardo Rocha

Dizem por aí que política, religião e futebol não se discute. No entanto, nunca se falou tanto sobre políticos e as falcatruas que cercam Brasília fazendo com que, quando se trata de governo, voltar aos anos 80 e entoar o coro de “Que País é Esse”, da Legião Urbana, nunca foi tão atual. O assunto está em voga e tem servido de roteiro para diversas produções televisivas, teatrais e, principalmente, cinematográficas. E é nesse tom que o longa “Polícia Federal – A Lei É Para Todos” promete roubar a atenção de seus espectadores. O filme, que relata a era dos escândalos da Operação Lava Jato, terá Marcelo Serrado na pele do juiz Sérgio Moro – responsável por julgar em primeira instância os crimes identificados na ação. Pois bem. Com ares de quem sabe que terá um grande desafio pela frente, o ator não pensou duas vezes para aceitar a missão e contou com exclusividade ao HT como estão os preparativos o novo trabalho. Vem!

Marcelo Serrado será Sérgio Moro nos cinemas (Foto: Divulgação)

Marcelo Serrado será Sérgio Moro nos cinemas (Foto: Divulgação)

“É um personagem que muita gente gostaria de fazer. Eu aceitei, porque, na minha carreira, vou atrás de grandes desafios. Acredito no filme e o roteiro me pegou de primeira: relata os fatos sendo totalmente apartidário”, disse Marcelo, contando detalhes do personagem e de sua relação com o magistrado. “Ele não é o protagonista, mas é uma peça emblemática dessa história. Eu conheci o Sérgio e ele é um cara muito simples e focado no trabalho dele. Não tem nada de herói – inclusive, meu herói na infância era o Incrível Hulk. Por acaso ganhou essa proporção, porque o povo está muito carente de figuras honestas. Ser correto não pode se tornar uma qualidade extra. As coisas estão difíceis no Brasil”, destacou o artista.

Inicialmente, o papel ficaria com o ator Rodrigo Lombardi e ainda houve boatos de que Wagner Moura teria sido cotado para a produção. Mas, de acordo com Serrado, nunca houve uma espécie de boicote. “O Wagner não chegou a recusar. Nem tudo o que sai na internet é verdade. Já o Rodrigo não pode fazer por questões de data”, esclareceu ele, que teve um encontro com Moro e sua mulher em um restaurante na última sexta-feira, em Curitiba. “Almoçamos juntos e tivemos uma conversa bem bacana. Agora estou assistindo a muitos vídeos como laboratório”, disse. Apesar do título do longa propor uma igualdade de direitos e deveres para os cidadãos, o ator acredita que isso está longe de ser uma realidade no Brasil. “A gente vive em um país muito desigual. Precisa existir uma grande reforma no código penal e várias coisas precisam ser feitas”, avaliou ele.

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Marcelo é a favor de novas eleições diretas (Foto: Divulgação)

No entanto, não é segredo para ninguém que Marcelo Serrado esteve ao lado de outros artistas no coro “Fora Dilma”, nas manifestações de março deste ano. Sem medo de mostrar seu posicionamento político, o ator declarou que o país precisa urgentemente de novas eleições diretas. “Acho que ela (Dilma Rousseff) cometeu crime. Eu fui a favor do impeachment, mas não do governo Temer. Precisamos, na verdade, de novas eleições. Não existe mais esquerda e direita quando todos os partido são a favor do caixa dois. A maracutaia estava em todos os partidos. Nós, brasileiros, precisamos tomar muito cuidado, porque o buraco é bem mais embaixo”, alertou.

Longe das telinhas desde que deu vida com maestria ao tenebroso Carlos Eduardo, de “Velho Chico”, o ator acredita que o sucesso da trama foi exatamente o resgate do Brasil brasileiro feito por Benedito Ruy Barbosa. “Foi uma novela que falava do Brasil e também sobre política. Essas questões que temos até hoje, como o coronelismo. O meu personagem falava muito disso. Foi um grande retrato das questões que, infelizmente, acontecem”, destacou ele, que também relembrou a morte do amigo e parceiro de elenco, Domingos Montagner. “A nossa relação era ótima. Dividimos muitas cenas e éramos colegas e trabalhávamos juntos. Foi uma tragédia sem proporções e sem o menor sentido”, recordou.

O ator como o vilão Carlos Eduardo, de "Velho Chico" (Foto: Divulgação)

O ator como o vilão Carlos Eduardo, de “Velho Chico” (Foto: Divulgação)

Agora, voltando a falar sobre os trabalhos do ator, Marcelo Serrado segue a todo vapor e pronto para voltar às telinhas e ao teatro. Em uma fase de vilanias, ele volta à tevê em “Pega Ladrão”, trama que substituirá “Rock Story”. “Em fevereiro começo a gravar a próxima novela das sete. Faço um concierge de um hotel – a história se passa toda nesse local. Será um vilão bem divertido”, comentou ele, avisando que também tem projetos para os palcos. “Estou também ensaiando uma peça chamada ‘Vilões de Shakespeare’. É um espetáculo onde faço todos os vilões criados por ele”, completou.

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