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Lázaro Ramos comenta 8 meses sem respostas do caso Marielle: “Continuamos em luta!”

O ator, que já foi indicado ao Emmy em 2007, admitiu que a paternidade é a melhor parte de sua vida: "Ser pai com certeza é o meu melhor e mais gratificante papel"

Publicado em 07/12/2018 | Por Leticia Sabbatini

O site HT encontrou o ator e apresentador Lázaro Ramos e, claro, não deixou ele passar batido. Puxamos ele no canto e conversamos sobre o ano de 2018 no aspecto profissional, pessoal e político, inclusive discutimos o assassinato sem resposta da vereadora Marielle Franco. Vem ler!

O ator retornou à premiação um ano depois para entregar o título de Ícone GQ para Guga.

O apresentador está à frente do “Programa Espelho”, o mais longevo programa de entrevistas da TV por assinatura, há quase 15 anos. Através desse projeto, Lázaro conversa com personalidades da cena artística e investiga assuntos que permeiam o cotidiano do país, sempre valorizando a cultura negra. Para ele, estar há tanto tempo comandando a atração é uma grata surpresa. “Isso é uma coisa que eu nunca achei que fosse acontecer e nós vamos fazer um período comemorativo para comemorar nossos 15 anos”, contou ele, que começará a gravar a 14º temporada em janeiro de 2019 e está estudando a possibilidade de fazer meses temáticos para organizar as entrevistas.

Se aventurando ainda mais como apresentador, Lázaro iniciou em 2018 o programa “Os Melhores Anos das Nossas vidas”, que, de forma divertida, estabelece uma competição entre as décadas. Por mais que já esteja há anos no comando de “Espelho”, o ator afirmou que as atrações são muito diferentes: “Estar à frente de um auditório é completamente novo para mim! Por isso, eu falo que foi um ano de tanto aprendizado. Me convocaram para esse desafio já quase em cima da hora, fui e aprendi muito. Fiquei extremamente feliz principalmente com aquelas companhias. Nós gravamos a temporada toda em uma velocidade muito rápida e conheci pessoas que viraram amigos para a vida toda”. E continuou em tom de brincadeira e realização: “A Ingrid (Guimarães), por exemplo, eu sempre quis ficar mais próximo. A gente já se namorava de longe há um tempão, sempre quisemos virar amigos e esse programa proporcionou isso”.

Quando questionado sobre o ano de 2018, ele afirmou que a palavra certa é continuidade. “Esse ano foi uma continuação de 2017. Nas partes boas, nós tivemos uma reflexão grande que começou ano passado com a peça sobre Martin Luther King, com o livro sobre minhas impressões do mundo e o racismo e com o trabalho como apresentador, que estou dando continuidade agora. Acho que foi um ano de muito aprendizado e foi quando eu consegui manter a minha voz. Essa parte foi um desafio e foi muito importante para mim”, contou. Lázaro, que já foi indicado ao Emmy em 2007, é um símbolo de representatividade negra e após 8 meses sem respostas sobre o assassinato da vereadora Marielle Franco, desabafou: “É até difícil para mim comentar o caso da Marielle.  Temos várias causas e várias lutas que estão pendentes na nossa sociedade. Acho que agora a gente vai passar por um momento de desafio para que consigamos dialogar enquanto sociedade em torno de tantas causas. Eu fico aqui na expectativa de que o país consiga ser aquele lugar que a gente tanto sonha, dando conta de todos os setores da sociedade. Isso nós não podemos perder de vista antes mesmo de pensar em lados. Acho que já é uma resposta ao caso da Marielle e também a tudo que a gente vem vivendo, que se resume na nossa falta de capacidade de dialogar. Continuamos em luta!”.

No inicio de dezembro, o ator estreará como protagonista do filme “O beijo no asfalto”, dirigido por Murilo Benício. Contracenando com grandes nomes como Fernanda Montenegro e Débora Falabella, o projeto é baseado na peça homônima de Nelson Rodrigues. “É um texto original, então é uma homenagem a ele (Nelson Rodrigues), mas trata de um tema que acabou sendo muito próximo aos nossos dias”, comentou Lázaro. Ele, que é amplamente reconhecido por seu trabalho como ator, apresentador, escritor e cineasta, admitiu que o melhor trabalho de sua vida é a paternidade. “Ser pai com certeza é o meu melhor e mais gratificante papel”, finalizou.

 

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