*por Vítor Antunes
No embalo do relançamento de “Coração Acelerado” pela Globo, a novela das sete entra em uma nova fase neste mês de abril — e passa a investir mais diretamente em Goiás, principal cenário da história. Laurinha, personagem de Kamila Amorim, melhor amiga da vilã Naiane (Isabelle Drummond). Goiana de origem, a atriz integra o núcleo jovem da trama e circula pelo universo das celebridades e da música sertaneja na fictícia Bom Retorno. Aos poucos, sua personagem vem ganhando mais destaque, acompanhando o próprio ritmo da novela. “Interpretar Laurinha é uma descoberta constante, por ser uma obra aberta eu vou recebendo informações sobre ela aos poucos e é sempre muito gostoso, assim, porque a Laurinha tem se mostrado cada vez mais divertida, autêntica, amiga, com sonhos, com interesses, com ambições. Ela tem olhares muito presentes, ela tem uma escuta muito ativa e isso se revela na tela e tem sido comentado tanto pelo público quanto pelos meus colegas”.
Fora da novela, a trajetória de Kamila também foge do caminho mais comum. Antes de chegar à Globo, ela passou por curtas, projetos independentes e cinema, construindo carreira fora do eixo Rio–São Paulo. Um percurso que ainda costuma ter menos visibilidade, mas que revela um movimento mais amplo: o de produções e talentos que vêm se afirmando longe dos centros tradicionais:
Eu questiono o que seria o “eixo tradicional” porque pra mim é natural começar por onde a gente está, e se tratando de Goiânia, especificamente, nós temos profissionais muito bons no audiovisual e pra mim não fazia sentido querer alcançar o nível nacional sem antes ter alcançado a minha vizinhança – Kamila Amorim

Kamila Amorim vive Laurinha em “Coração Acelerado”. Ela é uma das goianas na trama que se passa em Goiás (Foto: Lhairton)
Ela prossegue: “Quando eu decidi me profissionalizar como atriz eu decidi ir pelo caminho das pedras, e desde lá, eu tenho avançado degrau por degrau. Fiz teatro, musical, web série, série, curtas, longas, telefilme, e agora estou fazendo novela, que é mais um formato que assim como os outros me ensinam, me munem e me tornam uma atriz cada vez mais completa. Eu me sinto muito honrada de estar na casa dos brasileiros, todos os dias, e em me dar conta que esta base vem sendo construída na minha região, onde eu nasci, e ficando cada vez mais sólida, à medida em que eu alcanço mais lugares”.

Kamila Amorim viverá a sua primeira protagonistano cinema, em “Leodegária” (Foto: Wictor Cardoso)
O relato, ajuda a entender o tipo de percurso que Kamila Amorim vem trilhando, entre diferentes formatos e linguagens. No cinema, a atriz já participou de produções como “L7 e o Esquadrão da Cura” e “Levanta, Regiane”. Aos 28 anos, se prepara agora para um ponto de inflexão na carreira: o primeiro protagonismo em longa-metragem. “Leodegária”, dirigido por Vanessa Gouveia, tem estreia prevista para 2026 e deve colocá-la no centro de uma narrativa de viés histórico: “Eu acredito que o ofício do ator seja viver e escancarar aquilo que os espectadores não podem falar, e é por isso que eu o entendo como uma ferramenta poderosa de mudança no mundo. Leodegária, é a primeira escritora mulher a publicar um livro em Goiás. É o resgate de uma história que foi apagada, é a esperança de um futuro diferente. E isso resume o que faz sentido pra mim, um futuro em que corpos como meu possam viver e contar todo tipo de história”. No longa, ela interpreta Leodegária Brazília de Jesus (1889–1978), professora, redatora de jornal e poeta nascida em Caldas Novas. Considerada a primeira mulher a publicar um livro em Goiás, lançou, aos 17 anos, em 1906, a obra de poesia “Corôa de Lyrios”, pela editora Azul, de Campinas. O papel dialoga diretamente com o interesse da atriz por histórias que recuperam trajetórias apagadas e ampliam o repertório de vozes em circulação.

Kamila Amorim questiona o que se entende como eixo cultural do País e reivindica protagonismo do Centro-Oeste (Foto: Lhairton)
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