*Por Brunna Condini
Depois de nove anos longe dos palcos, Juliano Cazarré encerrou no último domingo (2) a curta temporada de ‘Compliance’, seu primeiro monólogo, uma experiência já marcante em sua trajetória. “Foi difícil, trabalhoso, mas muito bacana e era o que eu queria nesse momento”, conta o ator, que deve retomar o espetáculo no próximo ano, após concluir as gravações de ‘Três Graças’. No novo folhetim das nove, ele entra nos próximos capítulos e dá vida a Jorginho Ninja, ex-presidiário e pai biológico de Joélly (Alana Cabral), que deixa a cadeia decidido a pedir perdão a Gerluce (Sophie Charlotte) por todo mal que causou a ela e tentando se aproximar da filha. “Acredito que ele seja sincero em suas motivações. Se descobrirmos o contrário, será uma surpresa tanto para o público quanto para mim”, diz Cazarré, sobre o personagem que promete abalar o eixo emocional da trama.
Bem diferente do seu personagem na TV, ele é um pai dedicado de seis filhos (Vicente, de 15; Inácio, 12; Gaspar, 6; Maria Madalena, 4; Maria Guilhermina, 3, e Estevão, de 1aninho), que cria ao lado da esposa Letícia Cazarré. Nesta entrevista, o ator reflete ainda sobre o papel da paternidade em sua vida e a fé que o sustenta: “Sou um pai presente, amoroso, mas não perfeito. Todos os dias peço a Deus para ser melhor do que ontem”. E embora já tenha declarado que o aumento ou não da família deve seguir “a vontade de Deus”, ele pondera sobre o tema no momento:

Juliano Cazarré entra em ‘Três Graças’ como Jorginho Ninja e fala sobre fé, paternidade e novos recomeços
“Estamos muito felizes com os seis filhos. E como temos a Guilhermina, que é uma filha especial, vive em home care, demandando cuidados muito específicos e muita atenção, estamos tranquilos. Não estamos buscando engravidar. Somos católicos, então não usamos nenhum método anticoncepcional que a igreja não deixe. Não usamos pílula, DIU, preservativo. O que estamos fazendo é aquilo que a igreja diz, que se o casal tiver um bom motivo para afastar uma gestação, isso pode ser feito através da castidade. Sentimos, que nesse momento, o tamanho da família é o que conseguimos cuidar”. E completa:
A Letícia está começando uma nova fase na vida profissional dela (é cientista, editora e agora também fundadora da the Way Mentoria), e não quer engravidar no momento. Além de termos nossa filha que precisa de cuidados especiais, então achamos que é aceitável que a gente evite uma gestação hoje – Juliano Cazarré

Letícia e Juliano Cazarré e os seis filhos do casal (Foto: Reprodução/Instagram)
Ao refletir sobre o tipo de pai que tem sido para os filhos, conclui: “Peço todos os dias para ser melhor, para conseguir dedicar mais tempo e mais atenção para cada um deles, e fazer alguma coisa que não estou fazendo. Se estou rezando pouco com eles, preciso rezar mais, então tento fazer isso. Se estou perdendo muito tempo com a rede social quando poderia estar com eles, tento corrigir. Se estou estressado, dando muita bronca, vou tentar ser um pouco mais amoroso. E sempre pedindo a ajuda de Deus para crescer nas virtudes que sinto que não tenho. Virtudes como paciência, justiça e sabedoria. Estou sempre pedindo a Deus que me ajude para eu poder ser um pai melhor e cuidar das seis crianças que Ele me confiou”.
Sobre viver um pai ausente em ‘Três Graças’, papel distante de sua própria realidade, o ator conta que não precisou recorrer a grandes referências externas para compor Jorginho Ninja:
Minha inspiração vem muito do texto, dessas histórias que a gente já conhece no Brasil. E também da minha própria trajetória como cristão, de alguém que teve uma vida antes da conversão, que precisou pedir perdão e recomeçar. Esse momento de encontrar Cristo na minha vida me inspira muito para fazer o Jorginho – Juliano Cazarré

Juliano Cazarré é Jorginho Ninja em ‘Três Graças’ (Foto: Divulgação – Globo)
Sonho realizado
Com a mesma honestidade com que fala sobre a família, Cazarré aborda também seu retorno ao teatro com ‘Compliance’, texto e direção de Fernando Ceylão, que marca uma nova fase em sua trajetória. O monólogo ficou em curta temporada no Rio de Janeiro por conta da novela, mas tem planos para voltar aos palcos em 2026. “Busquei esse projeto, estava com vontade de voltar para o palco. Foi um sonho realizado”.
No espetáculo, ele é um executivo e também coach de empreendedorismo e finanças nas redes sociais, que entra em colapso ao se sentir perseguido pelo novo chefe, que descobre ser um antigo colega de escola com quem havia praticado bullying. Depois de tomar uma atitude extrema, o personagem abre uma transmissão ao vivo contando tudo aos seguidores. “Ele é um personagem muito diferente de mim. Consigo manter minha sanidade, apesar da loucura que é ter uma família numerosa e da correria do dia a dia. Fui construindo ele a partir do texto, sem pesquisa ou workshop. Foi tudo muito natural”, explica.

Juliano Cazarré montou seu primeiro solo teatral, ‘Compliance’ (Foto: Pamela Miranda)
‘Compliance’ também propõe uma crítica ácida ao mundo corporativo, à cultura da performance e às distorções da meritocracia. “Essa palavra foi inventada pelos inimigos do mérito”, provoca Cazarré. “Não é ruim que quem mais se esforçou ou tem mais talento seja escolhido para um posto, mas é um debate longo. O bullying corporativo, o abuso, o ódio nas redes. são temas muito atuais, que muita gente vive”. Aproveitando o gancho do espetáculo, ele analisa a sua própria relação com as redes sociais nos últimos anos:
Na maior parte do tempo, com os posts que faço, tenho um público que gosta de mim, que me entende e dá tudo certo. E, de vez em quando, quando algum post resvala um assunto mais polêmico, ou que está na pauta do Brasil e sinto que devo me posicionar, aí vem a ‘turminha do amor’, que é aquela turminha cheia de ódio, que não aguenta opinião contrária, que não sabe debater. E eles ficam alguns dias poluindo o meu Instagram, mas depois somem de novo. Principalmente porque, como não gostam de debater, a cada resposta que eu dou, vão desistindo de me xingar. Mas, na maior parte do tempo, a minha rede social é super leve. O que gosto de postar é receita, oração, momentos de família, frases inspiradoras, um quadro sobre literatura e palavras que eu faço todas as quintas-feiras, que é o que chamo de ‘Vocabulário de quinta’. E aí está tudo bem – Juliano Cazarré

‘Consigo manter minha sanidade, apesar da loucura que é ter uma família numerosa e da correria do dia a dia” (Foto: Pamela Miranda)
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