*Por Brunna Condini
Entre a estreia de ‘Cinco Tipos de Medo’, no início de abril nos cinemas, e as gravações de ‘Quem Ama Cuida’, próxima novela das nove da Globo, João Vitor Silva vive um momento de atravessamentos profissionais e íntimos. Enquanto mergulha em personagens marcados por escolhas limite, o ator também se confronta com seus próprios dilemas, como o desejo de trabalhar também com a música. “Já faço um trabalho com a música, componho, toco violão, são mais de 50 músicas escritas. Tenho muita vontade de mostrar as minhas letras para as pessoas, mas ainda tenho meus receios”, diz ele, que lança mais três longas este ano e está na sexta temporada da série ‘Impuros’, que estreia no Disney+ em 1º de maio.
Ao seu lado, a namorada Iza surge como incentivo e afeto, em uma relação que ele prefere manter longe do excesso de exposição: “Quanto mais nosso for, melhor”. João também divide se já pensa em escrever letras para a cantora:
Iza conhece minhas músicas, me estimula muito. Mas cada um no seu quadrado. Só o incentivo dela já é melhor que uma parceria – João Vitor Silva

João Vitor Silva estreia no cinema, grava novela e sonha em mostras suas músicas ao público, com apoio de Iza (Foto: Phillippe Lavra e Isadora Relvas)
João fala da relação com Iza, tornada pública no carnaval deste ano, com a mesma franqueza com que encara seus próprios medos, sem romantizar a exposição. Ele admite que o incômodo com tanto interesse para a vida privada existe, mas vai além do namoro: “Pinta, sim, mas não é só sobre a relação, é sobre a exposição no geral”, diz o ator, ao refletir sobre o lugar público que ocupa há mais de duas décadas. Mais maduro, aprendeu a preservar o que considera essencial, entendendo que nem tudo precisa ser compartilhado. “A nossa vida já é tão exposta… então tento guardar o máximo possível”, afirma. Apaixonado, ele prefere viver o vínculo longe do excesso de holofotes, deixando que ele apareça de forma natural: “De vez em quando transborda, mas o que vivemos é pra ser nosso”.
A escolha por preservar o que é íntimo encontra eco também nos temas que João atravessa em cena. Em ‘Cinco Tipos de Medo’, thriller dirigido por Bruno Bini e vencedor de quatro Kikitos no Festival de Gramado, ele vive Murilo, um jovem músico marcado pela perda da mãe durante a pandemia e lançado em uma trama onde amor, violência e acaso se entrelaçam. Rodado em Cuiabá, o filme constrói um mosaico de personagens atravessados por decisões extremas, e pelo medo, que se impõe como força motriz de cada escolha. “O medo desse personagem é o de não viver todas as coisas que tem pra viver”, resume sobre o longa em que contracena com Bella Campos e Xamã.

Iza e João Vitor Silva no carnaval: “Quanto mais nosso for, melhor” (Foto: Dilson silva/ Agnews)
Ele define o filme como um divisor de águas em sua trajetória. “Foi muito transformador”, afirma, ao lembrar que o projeto marcou seu primeiro grande trabalho após a pandemia. Durante o processo, o ator se viu confrontado com questões íntimas que vinham sendo adiadas. “Foi terapêutico. Comecei a mexer nos meus medos, nas minhas questões pessoais”, conta. No meio desse percurso, viveu também uma ruptura afetiva, o que intensificou ainda mais o mergulho interno. “Na época, atravessei uma separação (do relacionamento com a atriz Mariana Molina) e entendi que precisava cuidar mais de mim, fazer terapia. Saí desse filme mais maduro, mais consciente e mais confiante”. Ao falar do medo, tema central do filme, ele compartilha.
Tenho esse receio que já mencionei, do julgamento com relação ao meu lado músico. Porque como as minhas canções são muito pessoais, abrir isso e ter a possibilidade das pessoas falarem mal de algo que é da minha história, em que coloquei meu coração, é algo me paralisa hoje. Mas tenho trabalhado isso – João Vitor Silva

Bella Campos e João Vitor Silva no longa ‘Cinco tipos de medo’ (Foto: Divulgação)
Outro temor, mas que no caso, o impulsiona, é o de não ser lembrado por quem ama. É esse sentimento que o move no cotidiano, inclusive nos gestos mais simples. “Até quando estou cansado, em uma folga, que eu poderia ficar em casa dormindo, mas está rolando aniversário de família, tento estar. Tenho 25 sobrinhos e quatro sobrinhos netos. Então, venço o cansaço com esse medo de não ser lembrado por essas crianças. A família é algo importante pra mim”.
Das raízes no Santa Marta aos novos desafios na TV e na música
Se no cinema ele mergulha em personagens atravessados por tensão e vulnerabilidade, na televisão João Vitor Silva já se prepara para um novo desafio. Ele grava ‘Quem Ama Cuida’, próxima trama das nove da Globo, em que vive Rafael, um dermatologista inserido em uma família marcada por desamor, interesses e disputas por dinheiro e reconhecimento. “É uma família cercada por desamor, meio parasita”, resume.

João Vitor Silva é Rafael Brandão na próxima trama das nove ‘Quem ama cuida’ (Foto: Divulgação/Globo)
Com mais de 20 anos de carreira, ele carrega uma trajetória que começou no Morro Santa Marta, no Rio de Janeiro, onde cresceu em uma família humilde, filho de pais nordestinos — a mãe, da Paraíba, e o pai, do Rio Grande do Norte. Desde cedo, a música já apontava um caminho possível. “Minha mãe fala que eu nasci cantando”, lembra João, que batucava, tinha ritmo e se via, ainda criança, dentro da televisão, sonhando em “trabalhar ali”.

“Estou vivendo um ano de muitos lançamentos de trabalhos, estou ansioso” (Foto: Phillippe Lavra e Isadora Relvas)
Entre irmãos e com a mãe trabalhando como empregada doméstica, a virada veio quando uma cliente de um salão onde sua irmã trabalhava decidiu ajudá-lo, custeando sua entrada em uma agência. Vieram os testes até a aprovação para ‘Kubanacan’, em 2003, início de uma trajetória contínua, sem pausas, que o mantém ativo desde então. Hoje, consolidado como ator, João reconhece que a raiz de tudo ainda está na música.
Minha predisposição sempre foi pra música. E através deste interesse artístico, acabei chegando à atuação – João Vitor Silva
E adianta o que vem por aí: “Tem uma nova temporada de ‘Impuros’, além dos filmes ‘Deixa Acontecer’, e ‘Antártida’, o primeiro, uma comédia romântica, e o segundo, um thriller psicológico do Núcleo de Filmes dos Estúdios Globo; e também ‘100 Dias’ , do Carlos Saldanha. É um ano de muitos lançamentos, estou ansioso”.

“Minhas músicas são muito pessoais, abrir isso e ter a possibilidade das pessoas falarem mal, é algo me paralisa hoje. Mas tenho trabalhado isso” (Foto: Phillippe Lavra e Isadora Relvas)
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