*Por Brunna Condini
Jeniffer Nascimento vive um momento de virada em sua carreira e na vida pessoal. Protagonista de ‘Êta Mundo Melhor!’, trama das seis da TV Globo, e recém-transformada pela maternidade de Lara, hoje com 1 ano e 8 meses, a atriz celebra não apenas a própria conquista, mas um marco histórico para a representatividade na televisão: o protagonismo plural de mulheres pretas em narrativas antes invisibilizadas. As tramas de ascensão são cruciais para atrizes e atores negros na TV, já que promovem a representatividade positiva e combatem estereótipos negativos. “Acho que esse é um momento lindo da televisão, de termos essa pluralidade de mulheres pretas sendo protagonistas em diferentes posições, contando histórias diversas, porque todo mundo precisa ser visto”, afirma. Entre a arte, o afeto e a responsabilidade de ocupar esse espaço, Jeniffer reflete sobre empatia — “quando você vira mãe, parece que o seu senso de empatia se expande” — e sobre o poder transformador das escolhas:
Espero que muita gente se inspire a sair de lugares onde não está feliz para recomeçar suas histórias, porque nunca é tarde para isso- Jeniffer Nascimento
Jeniffer Nascimento celebra a virada na carreira e na vida: protagonista de ‘Êta Mundo Melhor!’, mãe de Lara e voz ativa pela representatividade de mulheres pretas na TV (Foto: Caio Oviedo)
Recém-separada do ator Jean Amorim, pai de sua filha, com quem manteve uma relação de 11 anos, Jeniffer destaca que os dois preservam uma bonita amizade. Coincidentemente, na ficção ela também interpreta uma personagem que se separa: Dita rompe com Quincas (Miguel Rômulo), com quem tem um filho. Ao refletir sobre os desafios da maternidade neste momento, a atriz reconhece que conciliar o ritmo intenso de gravações com a criação da filha não é tarefa simples, mas afirma ter encontrado na rede de apoio familiar o alicerce para viver essa fase de virada com equilíbrio. Morando no Rio de Janeiro para facilitar a rotina de ‘Êta Mundo Melhor!’, Jeniffer conta com a presença dos pais no cuidado com Lara, o que lhe permite estar presente em diferentes dimensões da vida. “Me mudei para ficar perto dos estúdios, e assim, consigo passar mais tempo com a minha filha. Tem dias em que volto para casa no intervalo das cenas só para estar com ela”, revela.

Jeniffer Nascimento como Dita em ‘Êta Mundo Melhor!’ (Foto: Divulgação/Globo)
No plano pessoal, a atriz também destaca como a maternidade ampliou seu olhar para o mundo, e para dentro de casa. “Depois que você se torna mãe, brota um amor incondicional, imensurável. Digo que passei a amar ainda mais a minha mãe depois que me tornei mãe, porque até então não conseguia entender o tamanho desse sentimento e dessa entrega”. A nova experiência materna, segundo a atriz, não trouxe apenas transformações internas, mas também reverberou em sua forma de atuar:
Depois da maternidade virei uma pessoa melhor, porque o senso de empatia se expande. Quando qualquer mãe fala sobre qualquer situação com o filho, eu imediatamente me coloco no lugar dela. Artisticamente, isso me ajudou muito – Jeniffer Nascimento
Protagonismo histórico
Mais do que viver uma personagem potente, Jeniffer destaca a importância de estar entre as protagonistas pretas de uma novela de época, um espaço que, historicamente, invisibilizou essas narrativas. “Na maioria das vezes, os papéis eram sempre de subserviência. Mas sabemos que existiram artistas, escritores, cantores que foram apagados da história. Recriar esse imaginário na TV é uma forma de devolver narrativas que nos foram roubadas”, afirma.
A atriz reconhece o peso simbólico desse movimento coletivo na dramaturgia brasileira. “Fico muito feliz com essa mudança, acho que é um momento bom de poder comemorar o protagonismo de outras atrizes pretas enquanto estou celebrando o meu, porque por muito tempo a gente se encontrava nos testes e sempre tinha um desconforto de só ter um personagem para todas nós. Então acho que esse é um momento lindo da televisão, da gente ter essa pluralidade de mulheres pretas sendo protagonistas em diferentes posições, contando diferentes histórias, porque todo mundo precisa ser visto, né?”, reflete. Na sua opinião, o marco abre caminho para uma televisão mais plural:
Espero ver também protagonistas indígenas, orientais e plus size. O mundo precisa se ver e se sentir representado protagonizando sua própria história – Jeniffer Nascimento

“Existiram artistas, escritores, cantores que foram apagados da história. Recriar esse imaginário na TV é uma forma de devolver narrativas que nos foram roubadas” (Foto: Caio Oviedo)
A força de Dita
Na trama das seis, Jeniffer revive Dita, que se torna uma estrela da Era de Ouro do Rádio, trilhando um caminho de sucesso como cantora. a personagem também se envolve amorosamente com Candinho, outro protagonista de ‘Êta Mundo Melhor!’, vivido por Sergio Guizé. Na primeira versão da novela, Dita ocupava um papel mais discreto. Agora, no entanto, ela assume a centralidade da própria narrativa: é cantora, enfrenta o divórcio em uma época em que essa escolha era tabu e se firma como uma mulher à frente do seu tempo. “Dita está se escolhendo, tomando as rédeas da própria história, mesmo diante do julgamento da sociedade. Isso é muito inspirador”, explica a atriz, que também é cantora e empresta sua voz para a personagem: “Gravamos as músicas ao vivo, o que equivale a eu cantar na cena. É um aprendizado enorme, porque as rainhas do rádio cantavam em um lugar muito diferente de onde costumo cantar. Estou apaixonada pelo repertório”.
Não à toa, o impacto da personagem já ultrapassa os limites da ficção. “Recebo mensagens de mulheres mais velhas dizendo que querem ser como a Dita. Isso é impagável. Acho que a arte tem esse papel social de provocar, transformar e fazer refletir”, celebra.

Sergio Guizé faz Candinho, protagonista junto de Jeniffer Nascimento, que vive Dita, que foi coroada a rainha do rádio na trama das seis (Foto: Divulgação/Globo)
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