Isadora Cruz vive fase luminosa na TV, emociona com experiência espiritual e estreia ‘Guerreiros do Sol’


Dose dupla: com estreia marcada para o dia 22, na TV Globo, no horário das 22h, ‘Guerreiros do Sol’ leva à TV aberta a trajetória de Rosa, protagonista vivida por Isadora Cruz em uma releitura do cangaço inspirada em Lampião e Maria Bonita. A atriz, que também se destaca como Agrado em ‘Coração Acelerado’, atravessa um momento potente na carreira. Revela o mergulho emocional e espiritual durante as gravações de ‘Guerreiros’ na Grota do Angico, em Sergipe, relembra a responsabilidade de representar figuras históricas e reflete sobre o impacto transformador da personagem em sua vida e em sua forma de atuar: “Cresci muito de ‘Guerreiros do Sol’ pra cá, como atriz e como mulher”

*Por Brunna Condini

A atuação de Isadora Cruz como Agrado Garcia, na trama das seis ‘Coração Acelerado’, vem sinalizando um momento especialmente luminoso em seus 10 anos de trajetória na TV. Com uma personagem que pulsa ambição, afeto e desejo, a atriz sustenta uma entrega que atravessa a tela e cria conexão imediata com o público. Agora, esse mesmo magnetismo ganha novos contornos com a chegada de ‘Guerreiros do Sol’ à TV aberta: a novela estreia no dia 22 de abril na TV Globo, no horário das 22h, ampliando o alcance de uma obra que já conquistou a crítica e premiações no streaming. “Foi a primeira novela que realmente me puxou para um lugar diferente como atriz. O sertão, de alguma forma, passou por mim, e eu acho que isso aconteceu com todos os atores, com toda a equipe. Acabei vivendo também uma novela à parte, porque gravei muito aqui no Rio de Janeiro, praticamente 99% em estúdio”.

Na trama, inspirada livremente no universo de Lampião e Maria Bonita, Isadora vive Rosa, uma mulher atravessada por tensões históricas e afetivas, que ecoam o processo de libertação feminina em meio ao sertão das décadas de 1920 e 1930. “Não é uma personagem heroica, mas ela pode representar todas as mulheres daquela época, que estavam se libertando de todas as amarras”, afirma a atriz. “Foi um olhar muito moderno dos autores colocar uma mulher tão forte, autêntica e sensível como narradora de uma história tão masculina. O mundo precisa desse olhar feminino, dessa força, para renovar a forma de ver as coisas”. E ressalta o impacto transformador do papel em sua própria vida:

Cresci muito de ‘Guerreiros do Sol’ pra cá, como atriz e como mulher – Isadora Cruz

Isadora Cruz vive fase luminosa na TV ao transitar entre a intensidade de Agrado, em 'Coração Acelerado', e a força de Rosa, de 'Guerreiros do Sol', que estreia dia 22 na TV Globo (Foto: Divulgação/Globo)

Isadora Cruz transita entre a intensidade de Agrado, em ‘Coração Acelerado’, e a força de Rosa, de ‘Guerreiros do Sol’, que estreia dia 22 na TV Globo (Foto: Divulgação/Globo)

O mergulho na personagem foi também físico e espiritual. Ao relembrar a visita à  Grota do Angico, localizada em Sergipe, local histórico onde Lampião, Maria Bonita e seu bando foram mortos em 1938; Isadora descreveu um momento de forte conexão com o passado. “Foi ali que eu realmente entendi a responsabilidade que tinha de representar a Maria Bonita através da Rosa”, conta, emocionada. A experiência, marcada por silêncio, comoção e até uma espécie de ritual coletivo, reforçou o compromisso do elenco com a memória e o respeito à história retratada: “Fizemos uma prece e pedimos licença para fazer esse trabalho. Acho que foi a primeira vez que percebi que estávamos mexendo com forças espirituais”.

Isadora Cruz na pele da destemida Rosa em 'Guerreiros do Sol' (Foto: Divulgação/Globo)

Isadora Cruz na pele da destemida Rosa em ‘Guerreiros do Sol’ (Foto: Divulgação/Globo)

Ela destacou a importância de se conectar com referências históricas de mulheres cangaceiras, como Maria Bonita: “Estava em contato direto com essas mulheres que eu estava representando, com a ancestralidade dessas sertanejas que passaram por tudo isso e que, de alguma forma, nos acompanhavam. Estar nesses lugares, com uma energia espiritual tão forte, exigia essa consciência, de pedir licença para entrar e sair dessa história com respeito”.

A gente desceu na Grota do Angico e já sentiu um clima muito denso. Ficamos todos em silêncio, nos olhando, entendendo o peso daquele lugar. Eu chorava sem parar, todo mundo muito emocionado, e senti uma necessidade profunda de fazer uma prece para aqueles espíritos que ainda pareciam estar ali. Pedi licença para entrar nesse universo, para representarmos pessoas que realmente existiram e contarmos essa história da melhor forma possível – Isadora Cruz

Isadora Cruz fala da exibição de 'Guerreiros do Sol' na TV aberta e relembra a experiência das gravações (Foto: Divulgação/Globo)

Isadora Cruz fala da exibição de ‘Guerreiros do Sol’ na TV aberta e relembra a experiência das gravações (Foto: Divulgação/Globo)

Gravada em 2024, ‘Guerreiros do Sol ‘, criada e escrita por George Moura e Sergio Goldenberg, com direção artística de Rogério Gomes, se passa no Sertão das décadas de 1920 e 1930 e é livremente inspirada nas histórias de Lampião, Maria Bonita e de diversos casais de cangaceiros que marcaram o imaginário brasileiro. A trama chega à TV aberta respaldada por reconhecimento internacional: a novela foi vencedora do Rose d’Or Awards na categoria de Melhor Novela e finalista do Venice TV Awards.

A história acompanha Rosa (Isadora Cruz) e Josué (Thomás Aquino), dois sertanejos que se tornam um casal de cangaceiros, em uma narrativa que atravessa conflitos sociais, políticos e afetivos do período, abordando temas como desigualdade, pertencimento e resistência. “Rosa é destemida, sonhadora. Acredita que tem algo maior predestinado para ela e que aquela cidade é muito pequena para tantos sonhos”, diz Isadora.

Isadora Cruz e Thomás Aquino protagonizam 'Guerreiros do Sol' (Foto: Divulgação/Globo)

Isadora Cruz e Thomás Aquino protagonizam ‘Guerreiros do Sol’ (Foto: Divulgação/Globo)

Acho que o que Rosa vê como a melhor coisa do cangaço é esse senso de liberdade, todo dia é diferente do outro. Ela tem alma aventureira, gosta de poder encontrar pessoas diferentes, desbravar novos territórios. Essa liberdade que o cangaço lhe dá é algo que a fascina – Isadora Cruz

Sobre o recorte da história, o autor Sergio Goldenberg comenta: “A ideia é dar uma dimensão humana do que foi esse momento da nossa história, porque os cangaceiros criaram um modo de viver. E, como contraponto, a gente também conta o que acontece dentro das casas, dentro das fazendas. Esse é um elemento importante e que vai nos dando camadas”.

“Essa é uma reestreia, com uma responsabilidade ainda maior. Na televisão aberta, ‘Guerreiros do Sol’ será visto por muito mais olhos. A nossa função como artista é ofertar novidades. A gente faz, acredita, mas isso não nos pertence. O que nos pertence é o nosso trabalho. Agora está na mão do grande público. Que seja lindo e que seja usufruído!”, completa George Moura.