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“Inocentes não podem ser mortos na guerra urbana”, diz Camilla Camargo, que vive uma repórter em “Intervenção”

O longa, novo trabalho do roteirista Rodrigo Pimentel - o mesmo de "Tropa de Elite" - abordará a realidade das Unidades de Polícia Pacificadora do Rio de Janeiro e a atriz vive uma repórter que acompanha o dia a dia dentro das comunidades. "Tive a oportunidade de conhecer e gravar na Tavares Bastos, uma favela pacificada, onde você consegue andar tranquilamente"

Publicado em 12/04/2019 | Por Heloisa Tolipan

Camilla Camargo tem um currículo extenso. São quase vinte trabalhos só no teatro, fora os longas e as novelas. Mas a peça “O Divórcio”, que encerra temporada no dia 14, foi diferente de tudo que ela já fez. Isso porque, pela primeira vez, a atriz subiu ao palco grávida de um menininho, que se chamará Joaquim. “Interpretar com barriguinha é uma delícia. Estou muito feliz e grata por poder trabalhar num momento tão especial. E a peça é flexível e cabe uma adaptação ali A gente mudou o figurino no momento que achou adequado e as pessoas nem se davam conta da gravidez”, contou ela, que teve um desafio extra: a personagem era uma musa fitness, subcelebridade e personalidade da mídia que se intitulou blogueira. “Foi uma temporada muito feliz, ter a oportunidade de estar em cartaz grávida foi um grande presente que o Otávio Martins me deu”.

Camilla Camargo está grávida de seis meses de um menino, que se chamará Joaquim (Foto: Divulgação)

O presente veio com algumas surpresas extras, como o desejo de comer… palmito. “Eu sempre chego cedo no teatro e fiquei com muita vontade de comer palmito. Como dava tempo de sobra de sair e voltar, eu fui. Mas essa foi a única vez que aconteceu algo desse tipo”, riu ela, que herdou uma enorme mala com roupas de bebê da irmã, a cantora Wanessa, que já é mãe de dois meninos. E quais conselhos será que ela recebeu nesse período? “Como sempre estive muito perto dos meus sobrinhos eu fui aprendendo nesses anos todos de convívio. Hoje em dia a gente mais comemora do que tira dúvidas, acho que cada mãe é uma mãe e cada criança uma criança então é muito único e particular, mas sei que se algum dia tiver alguma ela vai ser a primeira a me ajudar”.

E não foram só os sobrinhos que proporcionaram um curso intensivo com crianças. No ano passado, Camilla trabalhou com muitas delas em “Carinha de Anjo”, novela exibida no SBT. “Trabalhar com criança é sempre incrível, e lá na novela era um ambiente de muito amor e carinho. As crianças até hoje me chamam de ‘mãe’. Sempre quis ser mãe, adoro crianças, mas não colocava ansiedade nisso. Tudo no tempo de Deus”, declarou ela, que, após a peça, tira um tempo para se dedicar ao bebê. Mas ela não pensa em ficar parada muito tempo: “Sobre meus planos ainda não posso dizer concretamente, pois eu não sei exatamente como serão as coisas, agora eu só penso no bem do meu filho, foco nele e na peça que estou fazendo, nesse trabalho. Depois do nascimento dele eu vou vendo dia após dia quando conseguirei voltar e como vou manejar o trabalho com o meu bem maior que é o Joaquim. Tenho umas peças que ficaram ‘na gaveta’, como uma com a Nany People, que assim que der vamos ‘desengavetar’”, garantiu.

(Foto: Divulgação)

Os fãs, por outro lado, não terão tempo de sentir saudades. É que Camilla estará nas telonas em “Intervenção”, longa do roteirista Rodrigo Pimentel – o mesmo de “Tropa de Elite” 1 e 2, que revela os bastidores das UPPs, as Unidades de Polícia pacificadora, e o conflito das políticas públicas na área de segurança. A atriz vive a repórter Luiza Bastos, que acompanha o dia a dia da das UPPs no Rio. Nada mais atual. Em tempos difíceis no Rio de Janeiro, em que um civil leva 80 tiros de fuzil em plena luz do dia, por exemplo, como será que o público receberá a história?

Camilla Camargo vive uma repórter no longa (Foto: Reprodução)

“É realmente uma tristeza o que tem acontecido. Inocentes não podem ser mortos nessa guerra urbana que vivemos, nada justifica o que aconteceu. Sobre a ligação desse momento que vivemos com o filme, eu espero que gere ainda mais reflexão. Um filme que trata essa violência tende a ter opiniões fortes a respeito e acho que em tempos de caos quanto mais falarmos sobre e discutirmos, mais a gente ganha, o que não dá é pra ficar calado diante de tudo isso”, protestou. “A preparação da personagem contou com muita observação, para ver a diferença de uma repórter de rua com a de estúdio e também dentro do tema abordado – que são as que cobrem matérias em lugares perigosos. Além disso, tive a oportunidade de conhecer e gravar na Tavares Bastos, uma favela pacificada, onde você consegue andar tranquilamente, e onde se encontra o BOPE, que eu também visitei”.

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