*por Rodrigo Otávio
“Balança, Brasil” é um dos bordões mais emblemáticos de Geraldo Luís — e talvez também um dos últimos sinais de vitalidade de uma carreira que, embora tenha nascido na Record e ali alcançado seu auge, atravessa uma fase de declínio persistente. O apresentador, que durante anos foi tratado como aposta certeira da emissora da Barra Funda e se tornou figura popular entre as classes de maior consumo televisivo, enfrenta pelo menos cinco anos de dificuldades crescentes. Especialmente no período pós-pandemia, sua trajetória parece seguir em linha descendente, marcada por reveses sucessivos e uma erosão visível de sua força como comunicador.
Ontem, dia 2, mais um capítulo foi acrescentado a essa sequência amarga: Geraldo foi demitido do SBT, onde comandava – a menos de quatro meses de contrato – a nova versão do “Aqui Agora”. O programa, assumidamente popularesco, buscava resgatar o impacto do telejornal que marcou época nos anos 1990. Mas a operação soou mais como tentativa desesperada do que como estratégia sólida. A atração nunca conseguiu se estabelecer diante de concorrentes jornalísticos consolidados e acumulou índices de audiência pífios, mesmo forçando a barra para produzir relevância onde já não havia espaço nem clima.
O fracasso, porém, não chega a surpreender. Soma-se a uma lista recente de investidas mal-sucedidas do apresentador. Além do Aqui Agora, outros três projetos afundaram pela mesma razão: O Geraldo Brasil, na Record; Geral do Povo; e o Ultra Show Sidney Oliveira — incluindo sua versão derivada, o Ultra Prêmio Show Sidney Oliveira — ambos na RedeTV!. É um acúmulo que, visto em conjunto, pinta um quadro inequívoco: Geraldo Luís, que já foi sinônimo de audiência popular, perdeu o fôlego. Nem seu carisma histórico nem a imagem de comunicador do povo foram suficientes para sustentar mais uma aposta. Agora, o desafio que se impõe a ele é duplo: recomeçar ou tentar ressignificar seu papel em uma televisão cada vez mais fragmentada e menos receptiva ao velho modelo do sensacionalismo melodramático.
O Aqui Agora durou apenas menos de quatro meses, mas bastaram para consolidar seu fracasso. Só em novembro, oscilou consistentemente entre 1 e 2 pontos, perdendo em diversas ocasiões para a TV Cultura (SP). Raramente ultrapassava o Brasil Urgente (Band) e, em alguns momentos, chegou a disputar ponto a ponto com a TV Gazeta (SP), um indicador preocupante para um programa que deveria carregar uma das marcas mais fortes da história do SBT. É verdade que a emissora tentou estancar a sangria, testou ajustes, mexeu na pauta e no formato; mas nada surtiu efeito. E, quando se trata de Geraldo Luís nos últimos anos, essa sensação de nada dar certo se tornou quase rotina.
Antes da experiência no SBT, Geraldo passou por três atrações na RedeTV!, todas igualmente problemáticas em audiência. Frequentemente seus programas não alcançavam sequer 1 ponto de audiência. Geral do Povo ainda escapava de um apagamento completo graças à repercussão provocada por pautas bizarras. Um dos momentos mais criticados foi a entrevista com Babi Cruz, então esposa de Arlindo Cruz (1958–2025), falando publicamente sobre supostas reações físicas do cantor após o AVC – como haver sentido prazer mesmo sem controle emocional. A cena, que gerou indignação e memes, sintetiza bem a tentativa desesperada de produzir impacto a qualquer custo. Geraldo ficou na emissora entre 2023 e o início de 2024. Mesmo com contrato renovado, o desempenho ruim falou mais alto e ele acabou demitido.

Geraldo Luís à frente do “Aqui Agora” (Foto: Divulgação)
A passagem final pela Record não foi menos turbulenta. O apresentador enfrentou um processo de fritura silenciosa — mas evidente — enquanto comandava o Balanço Geral paulistano e a edição de sábado exibida para a rede. Em 2023, veio o golpe mais simbólico: foi rebaixado de apresentador a repórter de rua, justamente no programa que ajudou a eternizar com seu bordão mais famoso. Atuou com dignidade na função, é verdade, mas já era um sinal claro de desgaste interno. E, antes disso, seu desempenho já vinha cambaleando.
O mais curioso, porém, é que a ascensão de Geraldo Luís surgiu justamente de um movimento inesperado. Quando estreou na Record, em 2007, era praticamente um desconhecido nacionalmente. A partir dali, imprimiu uma identidade popular marcante, que se tornaria a espinha dorsal dos vários Balanço Geral espalhados pelo país — versões populares dos telejornais locais da emissora. O formato cresceu, virou referência dentro do gênero e associou seu nome de vez às camadas mais populares da audiência. O sucesso lhe rendeu novos programas, prestígio e participação no imaginário do público que ainda consumia televisão aberta com fidelidade.

Geraldo Luís tem rendido pouco na TV e agora restam poucas opções viáveis a ele (Foto: Divulgação)
Mas, a partir de meados de 2020, o cenário mudou. A erosão da TV aberta, a migração do público para o digital, a exaustão do modelo sensacionalista tradicional e o próprio desgaste do nome Geraldo Luís produziram o ocaso de sua trajetória. Agora, sem emissora, resta ao apresentador voltar às redes sociais, espaço no qual tenta reconstruir sua relevância — embora a transição não seja simples, tampouco garantida.
Resta a torcida para que Geraldo encontre uma recolocação e consiga retomar um caminho ascendente. Sua história mostra que ascensões inesperadas são possíveis. Mas os tempos mudaram, a televisão mudou, e talvez o apresentador também precise mudar para que seu futuro deixe de repetir o passado recente.
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