Guilherme Logullo leva traumas nas vivências paternas violentas aos palcos da Europa com o solo “Pai”


Após quatro temporadas de sucesso no Rio e em São Paulo, o solo “PAI” inicia sua primeira turnê internacional. Dirigido por Arthur Makaryan e idealizado, produzido e interpretado por Guilherme Logullo, o espetáculo passou por Yerevan e Istambul e ocupa o Théâtre de L’Opprimé, em Paris, entre 11 e 13 de fevereiro. A obra parte de vivências reais para abordar traumas ligados às relações paternas, combinando teatro do absurdo, dança Butoh e autoficção. Em cena, Logullo interpreta um homem isolado, num espaço cru, onde passado e presente se misturam. O trabalho acumula indicações a prêmios como Arcanjo de Cultura e Cenyn, além do selo “O Teatro me Representa”

Após quatro temporadas de circulação consistente e salas cheias no Rio de Janeiro e em São Paulo, o solo teatral “PAI” atravessa o Atlântico para cumprir sua primeira turnê internacional. O espetáculo, dirigido pelo armênio Arthur Makaryan, porém produzido e interpretado por Guilherme Logullo, desembarca em três cidades que, por razões distintas, dialogam com o tema da obra e com sua própria tessitura simbólica. Entre 11 e 13 de fevereiro, ocupa o palco do Théâtre de L’Opprimé, em Paris, com três sessões consecutivas. A montagem já circulou por Yerevan, na Armênia, no NCA Small Theatre e Istambul, na Turquia, no Cihangir Atölye Sahnesi Theatre.

Estou muito feliz e realizado em levar este espetáculo para outros países, pois ele aborda um tema universal. As relações parentais e as violências envolvidas são debates urgentes, que precisam ser discutidos, e nada melhor do que o teatro para lançar luz sobre essas questões, – Guilherme Logullo

Guilherme Logullo está fazendo turnê na Europa (Foto: Ramon Christian)

Estruturado a partir de vivências reais, “PAI” se organiza como um mosaico de memórias pessoais atravessadas por procedimentos do teatro do absurdo, pela fisicalidade radical da dança Butoh e vivências do autor. “Quis trazer à tona o espetáculo para dar novos significados às vivências paternas violentas e difíceis que enfrentei em minha vida. De alguma forma, transformando isso em arte, em teatro, eu ganho força, libertação e clareza de tudo que vivi. Muito além de expor e compartilhar tais experiências, o objetivo é provocar mudanças e gerar aprendizado”, explica.

Em cena, o multiartista encarna um homem confinado num espaço essencialmente cru, quase despojado de referências, onde passado e presente se embaralham. “Muito além de expor, meu desejo é ressignificar. Transformar a dor em arte e abrir caminhos de libertação”, comenta o ator. Além de atuar, Logullo assina a direção de produção do espetáculo, que reúne cenografia de Marieta Spada, figurinos de Karen Brusttolin, desenho de luz de Paulo Denizot e música original de João Paulo Mendonça.

Guilherme Logullo traz questões pessoais para o palco (Foto: Ramon Christian)

O percurso de “PAI” também foi acompanhado por reconhecimento crítico. O trabalho rendeu a Logullo indicações de Melhor Solo no Prêmio Arcanjo de Cultura, de Melhor Ator no Prêmio Cenyn e o selo de qualidade “O Teatro me Representa” de Melhor Monólogo. Distinções que não funcionam apenas como chancela institucional, mas como indício de que a potência estética e emocional da obra encontrou ressonância para além da experiência individual que lhe deu origem.