Giovanna Rispoli vive virada de carreira no audiovisual e diz: “Nunca quis ser celebridade, mas viver da minha arte”


“Nunca quis ser celebridade, ter fama ou sucesso nesse sentido de estar sempre sob os holofotes. O que sempre quis foi viver da minha arte”, afirma a atriz. Após nova participação na novela ‘Êta Mundo Melhor!’ gravada essa semana, Giovanna emenda cinema e streaming com ‘Traição entre Amigas’, longa em circuito nacional; e a série para o Globoplay ‘Quando Ela Desaparecer’, produções nas quais deixa de ser vista como eterna atriz mirim e “mocinha” e começa a ser percebida como uma mulher de 23 anos, pronta para assumir personagens mais densos: “Meus papéis recentes inauguram uma maturidade que o público e o mercado começam a ver”

*Por Brunna Condini

Depois de anos marcada pelo rótulo de atriz mirim e “mocinha”, agora, aos 23 anos, Giovanna Rispoli atravessa um momento importante na carreira. Além de viver Luísa no filme ‘Traição entre Amigas’, em cartaz nos cinemas, papel que, segundo ela, “inaugura a versão adulta da Giovanna”; a atriz acaba de gravar a série de suspense ‘Quando Ela Desaparecer’, para o Globoplay, com previsão de estreia ainda esse ano. Nesta semana, ela também marcou presença nos Estúdios Globo, deixando seus seguidores no Instagram curiosos. “É uma nova participação na novela ‘Êta Mundo Melhor!’. Fiz mais uma vez a versão jovem da personagem Cunegundes (Elizabeth Savalla). Ainda não tem nada certo sobre um novo projeto na TV”, diz, deixando no ar que já podem estar acontecendo conversas para o público vê-la novamente em um folhetim completo. Giovanna vive um tempo de transição, movimento e reposicionamento:

Meus personagens no filme e na série realmente inauguram essa versão adulta para o público e para o mercado. Mostram essa maturidade como atriz e mulher. Ainda sou muito colocada na prateleira de menininha, mas meus papéis recentes já carregam uma complexidade e uma responsabilidade maiores – Giovanna Rispoli

Aos 23, Giovanna Rispoli vive virada de carreira entre cinema e streaming e inaugura sua fase adulta (Foto: Reprodução/Instagram)

Aos 23, Giovanna Rispoli vive virada de carreira entre cinema e streaming e inaugura sua fase adulta (Foto: Reprodução/Instagram)

Aos poucos, a atriz paulistana vem se afastando do imaginário infantil que marcou o início da sua carreira. Ela começou no teatro aos 8 anos, e em seguida foi para TV estreando na novela ‘Em Família’, e no mesmo ano (2014), fez ‘Boogie Oggie’. Na largada, já pegou personagens mais densas e até com requintes de vilania. “Tenho menos mocinhas do que personagens mais ‘doidinhas’ na minha trajetória, mas acho que, na questão da maturidade, como mulher adulta, esse papel em ‘Traição Entre Amigas’  é um rito de passagem”, avalia.

Giovanna Rispoli e Larissa Manoela protagonizam 'Traição Entre Amigas' (Foto: Divulgação)

Giovanna Rispoli e Larissa Manoela protagonizam ‘Traição Entre Amigas’ (Foto: Divulgação)

A gravação recente da série ‘Quando Ela Desaparecer’ reforça esse novo lugar. Na produção de suspense policial baseada no livro de Victor Bonini ela vive Pamella. “Ela é uma mulher bem complexa, se envolve em situações tensas. Uma personagem muito diferente de mim, e que me possibilitou explorar muitas camadas novas. Uma das minhas coisas favoritas em ser atriz é justamente poder sair da zona de conforto”.

Sobre o atual momento, em que suas personagens transitam para um universo mais amplo, completa. “Sou uma mulher, mas continuo com o rostinho jovial, né? Então muitas vezes colocam a gente nessa ‘caixinha’ de mocinhas. A Luísa, minha personagem do filme, por exemplo, está saindo da faculdade, ainda tem dilemas adolescentes, mas já carrega uma complexidade adulta e uma responsabilidade muito maior do que outros papéis que fiz. Estou muito feliz de ver esse projeto nos cinemas hoje, porque gravamos há dois anos. Acho que agora o público e o mercado estão mais preparados para receber essa história e esse momento de carreira, tanto meu, quanto da Lari”, afirma, mencionando Larissa Manoela, que estrela com ela ‘Traição Entre Amigas’. 

Giovanna Rispoli na pele de Pamella na série Globoplay ‘Quando Ela Desaparecer’ (Foto: Reprodução/Instagram)

Giovanna Rispoli na pele de Pamella na série Globoplay ‘Quando Ela Desaparecer’ (Foto: Reprodução/Instagram)

Aliás, no longa baseado no primeiro livro de Thalita Rebouças e dirigido por Bruno Barreto, ela contracena e faz par com o marido de Larissa, o também ator André Luiz Frambach. “Somos amigos há muito tempo, uma relação de irmãos. E admiro muito ele como artista. Também fiquei muito amiga da Lari, então o set tinha essa intimidade”.

Vocação descoberta cedo

Longe do deslumbramento que costuma rondar quem cresce sob os holofotes, Giovanna fala com franqueza sobre a relação ambígua com a exposição, um território que ela nunca buscou como fim. “Cresci nesse meio, mas em uma outra proporção, também porque a internet não tinha essa força que tem hoje. Já foi difícil e as vezes continua sendo lidar com esse lado da fama”, admite. A atriz também faz questão de separar visibilidade de vocação:

Nunca quis ser celebridade, ter fama ou sucesso nesse sentido de estar sempre sob os holofotes. O que sempre quis foi viver da minha arte – Giovanna Rispoli

E embora reconheça a importância da troca com o público, ela admite que a falta de privacidade ainda é um desafio. “Minha adolescência foi diferente da dos meus amigos. Foi uma escolha que fiz muito nova, com uma responsabilidade enorme”.

"Nunca quis ser celebridade, ter fama ou sucesso nesse sentido de estar sempre sob os holofotes" (Foto: Reprodução/Instagram)

“Nunca quis ser celebridade, ter fama ou sucesso nesse sentido de estar sempre sob os holofotes” (Foto: Reprodução/Instagram)

Não por acaso, o tema das escolhas atravessa também ‘Traição Entre Amigas’ e encontra eco na própria trajetória da atriz. “Em outro contexto, no filme a gente fala muito sobre escolhas, e essa escolha pelo ofício foi algo que tanto eu, quanto a Lari (Larissa Manoela, que também começou a carreira na infância) fizemos muito cedo, com uma responsabilidade que as pessoas nem imaginam o tamanho”, reflete, conectando vida e ficção.

Ao comentar sobre os temas traição e lealdade — eixo emocional da história do longa— Giovanna revela uma visão mais humana. Diz nunca ter vivido uma traição direta na vida, mas observa de perto as dores alheias. “Já vi pessoas próximas passarem por isso e sempre me solidarizo muito. Acho que a base de qualquer relacionamento é o diálogo, o respeito, tentar entender o que o outro está vivendo.” No cinema, porém, ela experimentou essas camadas por meio da personagem. “Vivi isso através da Penélope. Ela mostra o arrependimento, a angústia, a necessidade de falar. Não existe certo ou errado no filme, são mulheres humanas, falhas”.

"Sou uma mulher, mas continuo com o rostinho jovial, né? Então muitas vezes colocam a gente nessa prateleira de mocinhas" (Foto: Reprodução/Instagram)

“Sou uma mulher, mas continuo com o rostinho jovial, né? Então muitas vezes colocam a gente nessa prateleira de mocinhas” (Foto: Reprodução/Instagram)

Quando o assunto é perdão, a atriz recorre a uma imagem aprendida em casa. “Minha mãe sempre falou que confiança é como um copo de vidro: quando quebra, é difícil juntar os pedaços.” Ainda assim, ela não fecha portas no caso de uma decepção. “Acredito no ser humano como falho, em constante evolução. Se existe arrependimento, se foi um momento de fragilidade, acredito em segundas chances.” Com uma ressalva que revela maturidade: “Sou objetiva. Observo os próximos atos. Eles é que vão definir como vou lidar com as situações”.