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Fernando Pavão celebra renovação de contrato com a Record e o cenário das eleições de 2018: “As coisas neste país não vão mudar neste ano e nem nos próximos”, disparou

O ator também falou sobre a preparação para criar o seu personagem antagonista na novela Apocalipse, o policial Cesar. Além disso, relembrou a direção de Jô Soares no teatro, com quem já trabalhou duas vezes

Publicado em 09/05/2018 | Por Ana Clara Xavier

O fim de Apocalipse, novela da Record, quase teve uma conotação diferente para Fernando Pavão, um dos atores do elenco. É que depois de quase 11 anos na emissora, o artista estava encarando o seu policial na trama como a sua despedida dos estúdios da Record. Mas tudo mudou aos 45 minutos do segundo tempo, já que ele foi convocado para participar da próxima trama, batizada Jesus.  “Só eu sei o que eu ralei para estar aqui. Não foi fácil e nunca será. Hoje em dia, a nossa profissão está muito difícil, porque o mercado está saturado e fica difícil para todos conseguirem um espaço. No entanto, me sinto privilegiado, mas ser ator não é ser contratado por uma emissora, é estar trabalhando seja qual for o veículo. Estar na televisão é muito bom, mas a carreira é muito mais do que isto”, afirmou. O galã atuou em várias tramas de destaque da Record como Sansão e Dalila, Pecado Mortal, Conselho Tutelar, Escrava Mãe e muitas outras. Antes disso, havia trabalhado na Globo por muitos anos.

(Foto: Faya)

Enquanto o novo trabalho não chega, o ator está se despedindo de um personagem que está dando o que falar pelo caráter dúbio do policial Cesar. A figura é responsável por desvendar os mistérios por trás do arrebatamento. Apesar de ser considerado como o antagonista da história, o ator afirmou que não o enxerga como uma pessoa ruim. “Ele foi educado por um pai que não dava muita atenção para a família e por causa disso, começou a ter um comportamento que as pessoas não gostavam tanto. Mas ele está mais para um herói do que um vilão. Sempre tem uma iniciativa de fazer justiça e ir atrás da verdade, indo para um caminho correto. Obviamente, existem algumas cenas violentas, mas por conta da profissão dele que exige uma dureza. Agora a novela está indo para outro lado no qual ele está vendo os outros roubarem e está seguindo estes passos”, comentou. Para construir este personagem, ele se inspirou muito no papel de Brad Pitt no longa Seven e, principalmente, no roteiro. “Gosto sempre de ler o texto e entender as alternativas que ele me dá com aquela cena e qual a visão de mundo daquele papel”, informou.

Ao fazer personagens tão contemporâneos como é o caso do policial Cesar, fica mais complicado o trabalho do ator no sentido de que é necessário um cuidado extra na atuação. No caso deste antagonista, estamos falando de um ser humano que acabou se corrompendo. “A primeira coisa que o ator tem que ter é o não julgamento. Sempre tento me comunicar e entender o que o autor quis passar com aquele personagem. Obviamente, isto implica que, às vezes, vamos tocar em locais dolorosos e algo que te traz alguma lembrança, mas tudo é material”, explicou.

(Foto: Faya)

Apesar das gravações serem no Rio de Janeiro, o ator mantém residência permanente em São Paulo. Dessa forma, ele vive em uma intensa ponte-aérea que o faz ficar longe da família. “Período de novela é mais difícil, porque a gente não tem horário. Sempre tentam seguir o cronograma, mas tem vezes que não dá. No entanto, a gente vai se acostumando, mas não é o ideal. O fato é que não abro mão de voltar para casa, ganho a força no fato de ver os meus filhos para voltar”, contou. Fernando Pavão comentou que já pensou em se mudar para a Cidade Maravilhosa, porém atualmente não cogita mais esta ideia. “Os filhos vão crescendo e, cada vez mais, a vida vai se solidificando em determinado local. Uma mudança desse porte é complicada. Gosto da cidade de São Paulo. A gente vai levando”, afirmou.

“Fico com muita saudade e eles também sentem muito, principalmente, o meu filho menor. No entanto, tento driblar isto mostrando os estúdios de gravação, ligando sempre e inclusive durante o trabalho para eles entenderem porque saio de casa. Quero que isto entre na vida deles de uma forma natural”, informou. Fernando é casado com Maria Elisa Pacheco com quem possui dois filhos, Gabriel, de 7 anos, e Pedro, de 3. “Não posso deixar de falar da minha esposa, porque ela é uma pessoa muito importante que está presente na vida deles sempre, principalmente, quando não estou. Sem esta parceria não seria possível ficar longe. Fico tranquilo em saber que ela estará lá para eles com a mesma vontade e amor que o meu”, comentou.

O ator, além da novela Jesus, ainda não sabe muito bem qual será a sua trajetória fora dos estúdios depois que encerrar este trabalho. “Teatro é sempre uma coisa que está no meu caminho e nas minhas ideias , mas ainda não sei o que vou fazer. Tenho alguns projetos mais para frente que estão na fase de aprovação.  De qualquer forma, espero voltar em breve para os palcos”, comentou. A última vez que se apresentou neste formato foi no ano passado, quando fez a peça Tróilo e Cressida, que ficou em cartaz por dois anos. O espetáculo contava com a direção de um dos maiores comunicadores da televisão brasileira atual, Jô Soares. “Foi maravilhoso trabalhar com ele, porque é um cara que sabe absolutamente tudo desta arte. Tem uma percepção incrível. Ele domina a comédia como poucos, sabe exatamente quando algo será motivo para o riso e quando ele virá. Além disso, o seu processo de ensaio é muito interessante, vamos para a casa dele bater o texto. Quando subimos em cena, a peça já está praticamente pronta. Isto é um cuidado que poucos têm atualmente. É muito interessante ver um senhor de 80 anos que ainda vive na coxia com os atores”, relembrou.

O ator afirmou que sem a parceria com a sua mulher seria impossível trabalhar longe dos filhos (Foto: Faya)

Como pai, o ator se preocupa muito com o futuro que vai deixar para os pequenos de forma a oferecer o melhor para cada um. Mesmo com tantos problemas políticos e econômicos, ele ainda aposta que estamos trabalhando para entregar um novo Brasil. “As coisas neste país não vão mudar neste ano e nem nos próximos, infelizmente. Estamos vivendo um processo de reformulação da sociedade no qual precisamos rever os nossos conceitos. Estamos lidando com as consequências de anos de abandono de poder. A melhor coisa que podemos fazer é agir de forma correta, porque são nas pequenas atitudes que vamos conseguir mudar. Mas é realmente muito difícil esperar alguma coisa das pessoas que estão no poder. Espero que isto passe o mais rápido possível”, pediu. Nas redes sociais, ele não perde a oportunidade de expor a sua opinião como comunicador. Na época da prisão do ex-presidente Lula, ele deixou bem claro a sua posição a favor da sentença do juiz. “Sou a favor da prisão de todos os políticos corruptos. Temos que despartilizar esta conversa. Todos eles possuem a sua parcela de culpa e por isso devem ser punidos. Como isto irá acontecer, não sei, mas este é o meu desejo”, afirmou.

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