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Fabiana Karla compara humor dos tempos da “Escolinha do professor Raimundo” com o do novo “Zorra”: “Cada um tem sua linguagem e quem ganha é o espectador”

A atriz foi convidada para levar a tocha olímpica no Recife, sua cidade natal, e defende que os Jogos Olímpicos vieram ao Brasil em bom momento: “Trouxe alegria, chegou para aquecer corações. Nós, brasileiros, sempre fomos movidos por esportes”

Publicado em 03/07/2016 | Por Karina Kuperman

Fabiana Karla e seus personagens cheios de humor são figurinhas carimbadas no palco do “Criança Esperança”. Na edição de 2016, claro, não seria diferente. Vivendo Dona Cacilda em “Escolinha do Professor Raimundo”, Fabiana fez um show ao lado de alguns de seus colegas de elenco do humorístico imortalizado por Chico Anysio. “Quando não me chamam para o ‘Criança Esperança’ eu venho, invado o palco (risos). Já fiz como Lucicreide e outras personagens do ‘Zorra’. Acho bem bacana, é um show que o povo espera para ver, para doar”, contou. E você, doa? “Claro, me sinto culpada se eu não ligar, como se eu pregasse algo e não fizesse. Eu acredito de fato no projeto e, se eu convencer alguém do outro lado, mas não fizer a minha parte é injusto, uma mentira”, defendeu, emendando que “quem liga sabe que está doando para um projeto sério”. “No Brasil, não temos muito hábito de fazer doações como nos outros países, mas o povo chega junto no ‘Criança Esperança’, a gente vê os projetos ali, dá vontade de doar”, analisou.

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Fabiana Karla como Dona Cacilda (Foto: Reprodução/Tata Barreto)

E não é só no palco que a atriz gosta de estar. “Amo o mesão. É engraçadíssimo. Eu brinco muito, passo o telefone para os colegas… é gostoso demais falar com o povo. Já peguei muitos depoimentos emocionados e, se deixar, continuo falando, porque é uma pessoa ali. Estou conversando com alguém e não sou um personagem, sou eu, Fabiana Karla”, disse ela, que acredita veementemente nas causas defendidas pelo programa. “O esporte é uma arma superpotente e tem muitos projetos sociais. Acaba até em guerra, se deixar. Ele inova, move, testa a disciplina, estimula a ser melhor, traz esperança. Eu sempre quis ser aleta, fazia basquete, vôlei, handball e a disciplina que eu adquiri para a vida veio isso. Tinha que chegar na hora, treinar. A alimentação não consegui (risos)”, brincou.

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Fabiana Karla com a tocha olímpica em Recife (Foto: Reprodução/Instagram)

Falando em esperança, Fabiana acredita que, sim, as Olimpíadas vieram em um momento certo para o país. “Acho que trouxe alegria, chegou para aquecer corações. Nós, brasileiros, sempre fomos movidos por esportes”, defendeu ela, que foi convidada para carregar a tocha olímpica no Recife. “Me ligaram dizendo que eu tinha o espírito olímpico no sentido de alegria e eu fiquei muito emocionada. A tocha é símbolo de esperança desde que o mundo é mundo, independente de país, de crise. Eu olhava para as pessoas e cada rosto tinha fé, foi lindo. As pessoas cantavam ‘minha vida é andar por esse país…’”, contou.

Fabiana, que se divide entre o “Zorra” e a “Escolinha do professor Raimundo”, contou que ainda não sabe sobre a segunda temporada do humorístico de Chico Anysio. “Espero que tenha, nós amamos muito fazer. Eu me divirto, sempre fui fã. Tive o prazer e a honra de trabalhar com o Chico. Quando eu era adolescente, vivia com fita cassete e quando ele ia ao Nordeste eu entregava a ele para ver se entrava na ‘Escolinha’. Não gosto nem de falar, porque hoje eu estou, mas cheguei tarde”, disse, com lágrimas nos olhos. “Mas é uma homenagem e sei que foi especial para cada um de nós. A gente não sabe o texto do outro, então se deleita com o trabalho do colega, admira, ri… não há nada melhor do que gravar nesse clima”, declarou.

Aparentemente, Fabiana tem sorte com isso. “No ‘Zorra’ eu me divirto demais também”, disse ela, uma das atrizes do “Zorra total” que se adaptou perfeitamente ao novo programa. “O novo ‘Zorra’ é um humor mais crível, de cotidiano, que aproxima o público. Primeiro que acho incrível que o antigo deixou uma história que deu alicerce para o novo. E agora temos as externas, que são o máximo e antes não tinha. Fora que esse elenco é festeiro. É uma alegria! Tentamos aproximar porque a internet está ai, com a urgência que temos que acompanhar. O legal dessa equipe é que ninguém diz ‘não’ para nada, temos nova direção, forma, paleta de cores, mas não se restringem de pegar personagens icônicos para dialogar com o atual. As ideias vêm e são aceitas. É tudo em prol do publico”, destacou.

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Fabiana Karla em ensaio do “Criança Esperança” (Foto: Reprodução/Instagram)

Se o “Zorra” se adaptou à modernidade, na “Escolinha” o charme é, justamente, o humor ingênuo do passado. “Acho legal que o humor tem função forte de criticar, mas de forma amena. É uma arma e cada um elege como quer fazer a pegada do programa. Na ‘Escolinha’ é tudo mais inocente, mesmo que seja a mesma piada. É bom que cada um tem sua linguagem e quem ganha é o espectador”, disse. Sorte nossa.

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