Destaque no cinema, Vinicius Teixeira vibra pelo aumento de tramas homoafetivas: ‘Nos ver amando é potência política’


No longa-metragem “O Melhor Amigo”, os personagens de Vinicius Teixeira e Gabriel Fuentes se entregam a uma paixão adormecida. O arquiteto Lucas, feito por Teixeira, viaja até a praia paradisíaca de Canoa Quebrada, no Ceará, onde encontra um amor do passado, Felipe. Profundamente político, o ator destaca a importância de tramas LGBQIA+ no Brasil, país que mais mata pessoas da comunidade no mundo. “Poder assistir um filme que fala sobre a possibilidade de viver um romance, viajar e criar relações de amizade e uma rede de suporte sólida dentro da própria comunidade é muito potente na criação do imaginário de um futuro mais feliz para nós. Sinto que isso nos ajuda a entender o que queremos, o que podemos viver e a ter mais esperança Nos ver em uma tela de cinema, sorrindo, amando e festejando, é de uma potência política muito grande”

Vinicius Teixeira se orgulha de pertencer à Comunidade (Reprodução/Matheus Marangoni)

*por Luísa Giraldo

Aos 33 anos, Vinicius Teixeira faz par romântico com Gabriel Fuentes em “O Melhor Amigo”, longa-metragem musical descrito como um “Mamma Mia gay e nordestino”. Após brilhar em “Justiça 2”,  série Globoplay, ele assume o protagonismo de um filme que aborda a leveza dos relacionamentos homoafetivos no cenário paradisíaco de Canoa Quebrada, no Ceará. Em entrevista ao site, o ator reflete sobre as oportunidades profissionais para pessoas na comunidade LGBQIA+ e revela desafios ao participar cantando em um filme.

A história de “O Melhor Amigo” segue Lucas (Vinicius Teixeira), um jovem arquiteto que, após uma crise no relacionamento com o namorado, Martin (Léo Bahia), viaja sozinho para Canoa Quebrada, no Ceará. É lá que ele reencontra Felipe (Gabriel Fuentes), um antigo colega de faculdade e agora guia de turismo. Em meio às noites vibrantes, sentimentos antigos e desejos reprimidos ressurgem, enquanto o comportamento misterioso de Felipe faz Lucas se perder tanto nas emoções quanto nas noites intensas da região.

Refletindo sobre o posicionamento político, Vinicius descreve acreditar na potência do filme como um incentivador de narrativas homoafetivas felizes. “Estamos muito acostumados a ver filmes que retratam a comunidade a partir das dificuldades de crescer como uma pessoa LGBTQIAPN+. É importante demais que eles existam, pois é realmente difícil lidar com todas as questões que envolvem ser uma pessoa queer, principalmente no nosso país. Porém, sinto que é importante, também, que existam produções que retratem a nossa comunidade de uma forma solar, romântica e leve”, opina ele.

Acredito muito na força que o cinema tem de criar e transformar imaginários coletivos. ‘O Melhor Amigo’ é muito poderoso nesse sentido — Vinicius Teixeira

Vinicius Teixeira avalia oportunidades profissionais para pessoas da Comunidade LGBQTIA+ (Reprodução/Matheus Marangoni)

Vinicius Teixeira avalia oportunidades profissionais para pessoas da Comunidade LGBQTIA+ (Foto: Divulgação/Matheus Marangoni)

O artista reconhece, no entanto, que muitos jovens LGBQIA+ crescem sem o apoio dos familiares. Narrativas de esperança e leveza podem tornar o processo de autodescoberta menos complexo. “Poder assistir um filme que fala sobre a possibilidade de viver um romance, viajar e criar relações de amizade e uma rede de suporte sólida dentro da própria comunidade. É muito potente na criação do imaginário de um futuro mais feliz para nós. Sinto que isso nos ajuda a entender o que queremos, o que podemos viver e a ter mais esperança. Nos ver em uma tela de cinema, sorrindo, amando e festejando, é de uma potência política muito grande”.

Oportunidades profissionais para pessoas da comunidade LGBQIA+

Temática que toca profundamente o ator, Vinicius Teixeira compartilha a indignação diante de situações de preconceito velado. Sem medo de se manifestar politicamente, ele despreza quaisquer tipos de atitudes discriminatórias. “Ouço muitos relatos de colegas de profissão que perderam trabalhos por conta da orientação sexual e identidade de gênero. Ou que sofrem de LGBTQIAPN+fobia no ambiente de trabalho. Fico muito irritado de pensar que, mesmo dentro da classe artística, que, na teoria, deveria ser formada por pessoas com pensamentos mais progressistas, ainda exista espaço para o preconceito”, lamenta. 

Vinicius Teixeira estrela filme musical LGBQIA+ e nordestino, classificado como um "Mamma Mia gay e nordestino" (Reprodução/Matheus Marangoni)

Vinicius Teixeira estrela filme musical LGBQIA+ e nordestino, classificado como um “Mamma Mia gay e nordestino” (Foto: Divulgação/Matheus Marangoni)

Sou um homem gay, e sempre foi importante me posicionar dessa forma — Vinicius Teixeira.

O cenário não é totalmente negativo, reconhece o ator. Ele entende, embora existam empregadores preconceituosos, que o mercado está se abrindo para pessoas de diferentes perfis, sobretudo da comunidade Queer. Em uma oportunidade de trabalho, Vinicius Teixeira compartilha a experiência de viver um homem hétero.

“No momento, estou no processo de preparação para um novo longa, no qual interpreto um personagem hétero. Minha orientação sexual nunca foi questão e nem pauta. Recentemente, estreei, também, a série ‘Justiça 2’, na qual interpreto outro personagem hétero”.

Não soube diretamente de nenhuma situação em que a minha orientação sexual tenha sido definidora para a perda de um papel, mas não duvido que possa ter acontecido ou que possa vir a acontecer. Mas, de forma alguma, isso vai modificar a forma como eu me posiciono politicamente — Vinicius Teixeira

Desafios do papel

Vinicius Teixeira define que encarnar Lucas, o protagonista de “O Melhor Amigo”, foi um grande desafio. Além do cuidado para fazer com que o público se identificasse com o personagem, descrito por ele como “tímido” e “introspectivo” e que entende suas dores, o ator destaca os números musicais.

“Uma questão muito delicada e cuidada foi fazer com que os números musicais entrassem na história de uma forma honesta, natural e coerente com o que estava sendo construído nas cenas faladas. Como esse corpo, que possui uma série de tensões, dança? Como essa voz baixa e insegura canta? Pensar os números musicais como parte da história, do filme e dos personagens, foi essencial para que não viessem em um lugar puramente performático e vazio de sentido, conclui.