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Após sessão de “Dirty Dancing”, meninas no Vivo Open Air tentam encontrar seu Patrick Swayze!

Desilusão! Público de novinhas que foi conferir o clássico acredita que não existem mais Patricks Swayzes dando sopa e que o tipo já mais extinto que velociráptor!

Publicado em 31/05/2014 | Por Alexandre Schnabl

*Por João Ker

Pelo terceiro fim-de-semana consecutivo, o Vivo Open Air lotou a Marina da Glória, Rio, com cinéfilos prontos para festejar após uma sessão de filme ao ar livre. Para quem não conhece, o evento faz uma dobradinha deliciosa entre alguma produção cinematográfica – que pode tanto ser um clássico como “Taxi Driver” (idem, Martin Scorcese, 1976) ou um blockbuster como “Homem de Ferro 3” (“Iron Man Three”, Shane Black, 2013) – e algumas das festas mais famosas e agitadas do Rio de Janeiro (“Rio Porque Tô No Rio” e #Esbórnia, por exemplo) ou shows como o que a cantora Céu apresentou na quinta-feira (29). Na noite do último sábado (30), foi a vez de combinar “Dirty Dancing” com “Manie Dansante”.

A produção de Emile Ardolino lançada em 1987 tornou-se o ícone de uma geração, perpetuado ao longo dos anos graças às famosas coreografias estreladas por Johnny (Patrick Swayze) e Baby (Jennifer Grey). Ryan Gosling e Emma Stone recriaram o famoso lift do filme em “Amor a Toda Prova” (“Crazy, Stupid, Love”, Glenn Ficarra e John Reque, 2011); os meninos de Glee fizeram sua versão morninha de “(I’ve Had) The Time Of My Life”; e até Will.i.am fez sua própria releitura com mais uma batida robótica sem alma. Com isso, não é nenhuma surpresa que, além de muitos casais em um encontro romântico e pessoas que viram o filme no cinema pela primeira vez, o público do Vivo Open Air também incluísse uma grande leva de jovens, em seus 20 e poucos anos, prontos para se esbaldar na pista de dança assim que acabasse a sessão de “Dirty Dancing”.

Cena final de Dirty Dancing, com “(I’ve Had) The Time Of My Life”

A própria experiência de assistir a qualquer filme em um tela gigante ao ar livre já é motivo por si só para festa. Esse tipo de vivência parece unir todo aquele público que torce, grita, chora e aplaude junto pelo casal principal, como se estivesse em um estádio de futebol onde o resultado final da partida já é sabido de antemão. Pura catarse. Os personagens Johnny e Baby são típicos arquétipos do tipo de romance em que um casal supera todas as barreiras, financeiras e sociais inclusive, para ficar junto, mas com uma pitada de inocência e pureza que nem o cinema de hoje em dia é mais capaz de proporcionar, quem dirá o mundo real.

O fim do filme é uma daquelas clássicas cenas do universo cinematográfico e, de acordo com o público, a dança e a música às quais eles assistiram influenciaram e muito na festa que rolou em seguida. Até porque, a Manie Gang soube muito bem manter o ânimo com trilhas de musicais como “Chicago” e versões em jazz  de “Crazy In Love” (Beyoncé) e “Umbrella” (Rihanna), antes de dissolver o som nas batidas de eletro phunk, performances artísticas e remixes feitos ao vivo com instrumentistas.

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Logo depois do filme e antes de o som esquentar, HT aproveitou o badalo e foi descobrir entre as meninas que estavam sozinhas no Vivo Open Air se elas acreditavam que ainda existiria um Patrick Swayze dando sopa por aí, em versão Johnny em 2014. E mais: se elas acreditavam que poderiam encontrá-lo ali mesmo, e o que ocorreria a seguir. Mesmo que o evento estivesse lotado de casais, as respostas comprovam várias teorias, mas, dentre elas, uma primordial: não está mesmo fácil para ninguém. Ainda mais quando o objetivo é dar de cara com um Patrick desses.

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Ambas com 24 anos, Carolina Avena (esq.) é publicitária e Mariana Terto (dir.) jornalista. Tudo indica que o filme as deixou “com vontade de dançar”

Para Carolina Avena, “não existe, nem nunca existiu um cara tão perfeito quanto o Johnny”. Já a amiga Mariana Terto o descreve como “a perfeita mistura entre o ogro e o cara ideal”.

Lídia Halliday, estudante de psicologia com 18 anos, diz que o filme a influenciou para se soltar e dançar mais.

Lídia Halliday, estudante de psicologia com 18 anos, diz que o filme a influenciou para se soltar e dançar mais.

A estudante Lídia Halliday acha que consegue encontrar um Johnny por aí, pela festa, “mas só se ele for casado ou estiver namorando”. Oi, como assim? “Pois é, eu tenho esse carma”.

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Bianca Lopes (23), estudante de psicologia, e seu Patrick Swayze brasileiro, o cineasta Lucas Barreto (22)

Outra que encara o fascinante mundo da psicologia, Bianca Lopes afirma que entrou no ritmo quente com o filme e que tirou a sorte grande: nem precisa mais procurar pelo seu Johnny. “Encontrei já, aqui!”, fala a bela, abraçada com o cineasta Lucas Barreto.

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A produtora cultural Lara Carneiro (dir.) tem 22 anos e confessa que o filme a deixou animada. Já a amiga arquiteta, Joice Dias Gomes (22), alega que nunca tinha visto o filme, então não ficou tão empolgada assim.

Lara Carneiro é categórica em afirmar que está em busca do seu Johnny: “Ninguém coloca Baby no canto. Vou tentar achar um Johnny hoje e vou fazer até teste de resistência, tipo prova do líder”, entrega, bem animadinha. Enquanto isso, sua amiga de todas as horas Joice já é um pouco mais reticente. Ela diz: “Já encontrei e desencontrei alguns Johnnys por aí”. Arram…

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A estudante de cinema Yulli Nakamura (esq.) diz que o filme mexe com ela e que já sai da exibição pronta para dar um rolé meio requebra na pista. A amiga e designer Marcella Mazzoni (25), por sua vez, ressalta que já estava dançando no clima do filme naquele exato momento

Para Yulli Nakamura, estudante de cinema, não existe Godzilla, Ken Watanabe ou sete samurais que deem jeito. “Não existe Johnny na festa e estou desolada”, lamenta. Sua amiga Marcela Mazzoni também concorda: “De jeito nenhum, esse não é o estilo de homens do Rio de Janeiro”. Como assim, meu bem? Não existe latinidade viril por aqui?!?

A estudante de publicidade Maria Fernanda Leal (22) já saiu do filme dançando.

A estudante de publicidade Maria Fernanda Leal (22) está animada, mas, como uma gueixa, prefere iludir a rapaziada como se fosse uma Madame Buttefly dos trópicos. Técnica para adquirir o seu exemplar de Patrick?

A publicista Maria Fernanda é outra que considera Johnny um fóssil para lá de extinto. Ela alega que “Johnny não existe mais e que está difícil”. Mas não abre mão da esperança, mesmo em se tratando de um tipo desaparecido, talvez, no Cretáceo: “Hoje eu tento encontrar o meu, custe o que custar!”

Fotos: Thaís Vieira

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