Cinema & TV

Da transcendência de ofícios aos rostinhos bonitos, alguns adendos sobre o desabafo de Mariana Xavier para Alessandra Ambrosio

Mariana criticou abertamente a atuação de Ambrosio em "Verdades Secretas". Para ela, "algumas pessoas atingem tal status como figura pública, que transcendem o ofício" e por isso morre "de dó". Mas se lembrarmos de Grazi Massafera, Luana Piovani, Reynaldo Gianecchini e Rodrigo Hilbert, a conversa muda...

Publicado em 20/07/2015 | Por Lucas Rezende

A atriz Mariana Xavier, que interpretou a Marcelina no filme “Minha mãe é uma peça”, mexeu, como a própria disse, num vespeiro nesta semana. Ela disse em sua conta no Twitter, enquanto passava “Verdades Secretas” na TV Globo, que fica “pra morrer cada vez” que vê “uma não-atriz num lugar que caberia uma atriz”. Quase que simultaneamente, a modelo Alessandra Ambrosio, que interpreta a Samia na trama de Walcyr Carrasco, aparecia em uma cena em que era rejeitada por Alex, personagem de Rodrigo Lombardi. O que não deixou dúvidas do endereçamento da indireta. “Realmente morro de dó de tanta atriz boa caçando oportunidade que é desperdiçada por gente sem talento para aquilo. A Ambrósio é liiiinda, deuuuusa, modelo foooooda, mas não é atriz”, disse. Vendo que transtornou a rede social, Mariana meio que se justificou. “Tô ferrada por ter levantando essa polêmica. É do mercado: algumas pessoas atingem tal status como figura pública, que transcendem o ofício. Pensei alto demais na minha solidariedade de atriz que já sentiu na pele a emoção de perder uma oportunidade para alguém menos preparada”. Palavras ao vento, polêmica instaurada e nós, aqui do outro lado, pensando no assunto, of course.

As curvas e traços de Ambrosio transcenderam a catwalk e, numa trama onde o mundo fashion é o fio condutor e a personagem é uma modelo, caiu como uma luva. Criticá-la por não ser uma atriz ocupando o espaço de uma atriz é mais antigo do que andar para frente e se para uns é uma reclamação legítima, para outros pode parecer só dor de cotovelo. Até porque, se usarmos a nossa memória, Mariana até bem pouco tempo ocupava uma das vagas de repórter do Video Show, enquanto muitos jornalistas de pura linhagem seguem desempregados por aí. Mas, um porém. Certa vez, meu avô, dono de fábrica de móveis, disse: “desde que seja do tamanho certo, qualquer roldana pode fazer uma máquina rodar. Mas umas roldanas vão fazer ela funcionar melhor que outras”. Na fábrica de Walcyr, a roldana é Ambrosio. Rodar, ela roda. Mas poderia ser mais ligeira.

Dito isso, e tirando todo a aura de advogado do diabo que possa rondar essas linhas, um retrospecto merece ser feito. Isis Valverde, que hoje tem em sua estante troféus mil por atuações em novelas como “Beleza Pura”, “Avenida Brasil” e “Boogie Oggie”, começou a modelar aos dezesseis anos. Cauã Reymond, o galã mais cobiçado dessa terra, um pouco mais tarde, aos 18, fez suas malas para Milão dar expediente em passarelas e editoriais de moda. Para não dizer que só lembramos dos rostos juvenis, Ana Paula Arósio aos 12 anos já era estrela de peça publicitária com seus olhos azul-cor-do-mar. Falando em olho, Maria Fernanda Cândido, teve sorte maior: foi descoberta por sua vizinha e passou a modelar tão cedo quando. E a lista preencheria quatro jornais de domingo: Grazi Massafera, Luana Piovani, Reynaldo Gianecchini, Rodrigo Hilbert, Thaila Ayala, Sophia Abrahão, Luciano Szafir , Fiorella Mattheis e por aí vai.

É só lembrar de cada um desses nomes supracitados, seus respectivos trabalhos em filmes, novelas e minisséries e constatar que, por outro lado, “transcender o ofício” tem lá suas vantagens. Sem esse salto das passarelas para a TV, não teríamos “Terra Nostra”, “Mulher Invisível”, “Amores Roubados”, “Cabocla” e”Felizes para Sempre?”, só para citar alguns, como temos – a nível de sucesso – como tempos hoje. Logo, o problema não é usar “status como figura pública” ou adentrar num ramo profissional que não foi o seu de natureza.Até porque, convenhamos, beleza nunca foi motivo de protesto na nação do carnaval e do biquíni de lacinho. Roldanas temos aos montes e máquinas idem. Aqui, não importa de onde ela veio. A gente quer ver é maquina rodando rápido.

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