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Com Cláudia Raia em seu auge, “Alto Astral” ressuscita o tema espírita na Rede Globo de forma leve e bem-humorada

Sob a direção de Jorge Fernando, tema que já passou por novelas como "Alma Gêmea" e "A Viagem" ganha releitura leve

Publicado em 04/11/2014 | Por Alexandre Schnabl

*Por Júnior de Paula

Parece que agora vai! A nova novela das sete da TV Globo, “Alto Astral”, estreou nesta segunda-feira (03/11) com todos os elementos que se espera de um folhetim clássico. Em primeiro lugar, há bastante humor, capitaneado pela personagem trambiqueira Samantha, interpretada com aquela graça e elegância que só Claudia Raia consegue ter e que foi responsável pelo ponto alto do primeiro capítulo. Parada à frente de uma ponte com seu carro conversível, a vidente trambiqueira sobe no salto – e no banco do carro – para impedir que a população atravesse para o outro lado, alegando que ouviu um espírito lhe dizer que a tal ponte vai cair. Aos poucos a gente vai entendendo que tudo é uma armação e que seus dois comparsas, Cesar (Alejandro Claveaux) e Pepe (Conrado Caputo), estão debaixo da ponte mexendo na estrutura da construção para que ela venha abaixo.

 

Cláudia Raia em "Alto Astral (Foto: Divulgação)

Cláudia Raia em “Alto Astral (Foto: Divulgação)

Com efeitos especiais dignos de filmes hollywoodianos, a “premonição se concretiza” e Samantha é vista como a heroína da cidade de Maltarolli – uma homenagem à criadora da sinopse da novela, Andrea Maltarolli, que morreu de câncer recentemente. Coube a Daniel Ortiz, sob a supervisão de Silvio de Abreu, contar a história idealizada por Andrea, que promete grandes doses de humor – como esta vista no primeiro capítulo – e o eterno embate entre o bem e o mal, os amores impossíveis e até pitadas de paranormalidade. Já nas primeiras cenas, Carlos Henrique (Sergio Guizé) dá mostras de que tem um sexto sentido, já que desde pequeno desenha uma mulher que nunca viu. A mulher em questão, ele só vai descobrir no fim do capítulo, é Laura, a mocinha de Nathália Dill, noiva de seu irmão, Marcos, personagem de Thiago Lacerda.

 

Thiago Lacerda e Nathália Dill em cena de "Alto Astral" (Foto: Divulgação)

Thiago Lacerda e Nathália Dill em cena de “Alto Astral” (Foto: Divulgação)

Apesar de bonito, o primeiro encontro de Laura e Carlos, sob a chuva e com uma bonita fotografia, soou um tanto quanto inverossímil, já que seria muito improvável em tempos de redes sociais que eles nunca tivessem se visto na vida. Mas pelo bom andamento da trama, a gente finge que está tudo bem e segue em frente. O espiritismo, assunto que vira e mexe ronda as tramas globais, volta de maneira leve e bem humorada em “Alto Astral”, já que alguns personagens são capazes de enxergar espíritos, como foi o caso de Carlos e a pequena Bella (Nathália Costa) que não o deixava sozinho. Outro aspecto que chamou a atenção neste primeiro capítulo foram as muitas cenas espetaculares: além da ponte que já citamos, teve ainda uma escalada com direito a queda e um acidente aéreo.

Com direção afinada de Jorge Fernando, a nova novela retoma as rédeas do que se espera de um folhetim despretensioso, o oposto das duas mais recentes experiências do horário, “Além do Horizonte” e “Geração Brasil”. Outra questão que vale ficar atento é em relação à química do casal romântico que vai ser formado por Guizé e Nathália, assim como as maldades que Thiago Lacerda e Débora Nascimento prometem aprontar. Uma boa estreia, para um público sedento por boas histórias.

* Junior de Paula é jornalista, trabalhou com alguns dos maiores nomes do jornalismo de moda e cultura do Brasil, como Joyce Pascowitch e Erika Palomino, e foi editor da coluna de Heloisa Tolipan, no Jornal do Brasil. Apaixonado por viagens, é dono do site Viajante Aleatório, e, mais recentemente, vem se dedicando à dramaturgia teatral e à literatura

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