*por Rodrigo Otavio
Quem assiste a CNBC? No momento da escrita deste artigo, e tomando como métrica apenas o cenário na internet, o que se revela é justamente o impacto — ou, mais precisamente, a falta dele — da emissora. O canal, que estreou há pouco mais de um ano na televisão brasileira, ainda não demonstrou a que veio. Sua audiência e sua repercussão são mínimas. Apesar de estar presente nas principais operadoras de TV por assinatura, disponível gratuitamente, acessível pela internet e adaptado ao formato FAST, a emissora passa em brancas nuvens. Um ano depois da sua estreia, não emplacou uma grande exclusiva de repercussão, não pauta o debate, não repercute. É invisível — tão invisível quanto a CNT, da qual já tratamos recentemente.
Na noite da última quarta-feira, dia 15, o número de pessoas assistindo ao canal pelo YouTube era irrisório: 75 espectadores. Para efeito de comparação, no mesmo horário, as concorrentes exibiam números consideravelmente mais robustos. O SBT News (recém inaugurado) reunia cerca de 6 mil espectadores ao vivo; a CNN Brasil, aproximadamente 10 mil; e a Record News, cerca de 8 mil. Em outras palavras, todos os telespectadores da CNBC caberiam confortavelmente dentro do Teatro Café Pequeno, no Leblon, cuja lotação máxima é de 90 pessoas. Na tarde do dia 16 de dezembro, a audiência ao vivo do canal era de exatos 130 espectadores. Ou seja, praticamente todos caberiam no Teatro Domingos Oliveira, na Gávea, no Rio de Janeiro.

Fábio Turci é o apresentador do Radar CNBC (Foto: Reprodução/CNBC)
A CNBC soma apenas 188 mil inscritos no YouTube. Seus concorrentes, por outro lado, são gigantes consolidados. A CNN Brasil tem quase 6,5 milhões de inscritos e, no momento da apuração desta reportagem, mantinha cerca de 10 mil pessoas acompanhando sua transmissão ao vivo — curiosamente, vale lembrar, o grupo que instalou a CNN no Brasil, liderado por Douglas Tavolaro, foi o mesmo que trouxe a CNBC. O SBT News acumula quase 8 milhões de inscritos e cerca de 2 mil espectadores em tempo real. A Record News reúne aproximadamente 4,2 milhões de seguidores e 2,7 mil pessoas acompanhando a programação ao vivo. A Jovem Pan soma cerca de 9 milhões de inscritos e mantinha 3,6 mil espectadores simultâneos. GloboNews e BandNews não transmitem sua programação ao vivo pelo YouTube. Ainda assim, a audiência da CNBC se equipara à da TV Alerj, canal institucional e não comercial da Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro, que, durante este levantamento, contava com 16 espectadores ao vivo na plataforma.
Durante o período em que acompanhamos a programação da emissora — considerando tratar-se de um canal segmentado, com um tema árido, complexo e pouco sedutor para o público geral — a baixa audiência é, até certo ponto, compreensível. O que chama atenção, no entanto, é a enorme poluição visual exibida na tela. Embora o excesso gráfico seja comum em canais desse segmento, a CNBC não equilibrou a dose. Na tarja inferior, acumulam-se o nome do canal, o nome do programa, índices da bolsa, título, subtítulo, hora e data. Soma-se a isso uma tela dividida entre o repórter, um convidado e um gráfico repleto de números praticamente ininteligíveis.

A logo da CBNC mudou e não houve anúncio (Foto: Reprodução)
A emissora tem jornalistas talentosos, como Fábio Turci, Christiane Pelajo, Carol Barcellos e Zeca Camargo. A reportagem precisou se esforçar para confirmar se alguns deles ainda integravam o elenco da casa, já que nem todos mencionam a vinculação à CNBC em suas redes sociais. É louvável, sem dúvida, a abertura de espaço para profissionais num mercado cada vez mais competitivo e hostil. Mas é igualmente lastimável a ausência de estratégia e de pensamento editorial da CNBC para se fazer notar — uma ausência que, ironicamente, se torna notável.
No dia 16 de dezembro, a marca da CNBC foi alterada, sem qualquer grande comunicação pública, à exceção de menções feitas pela CNBC americana. O único momento em que patrocinadores foram citados ocorreu justamente nesse contexto, com a menção aos patrocinadores master. No programa Radar Times Brasil, o apresentador Fábio Turci citou duas vezes a mudança da marca — algo que poderia ter sido melhor trabalhado pela própria emissora. Nos intervalos, não houve vinhetas, tampouco anúncios comerciais por um longo período. Após um slide de “voltamos já” exibido por quase um minuto, surgiram anúncios da Claro, da Range Rover e da Friboi.

Marcelo Torres é um dos apresentadores da emissora (Foto: Reprodução)
Às 19h, a emissora exibiu uma entrevista exclusiva da matriz americana com o diretor do Conselho Econômico dos Estados Unidos, Kevin Hassett. Para tanto, recorreu a um voice-over — a dublagem em que a voz original permanece audível, em volume rebaixado, enquanto a versão em português se impõe em primeiro plano. O resultado tornou evidente o uso de inteligência artificial, recurso que a própria emissora faz questão de alardear como parte de sua operação.
É uma pena. Estrutura, talentos e alguns apoiadores a emissora tem em mãos. O que parece faltar é vontade – ou disposição – para ser relevante em um mercado competitivo, povoado por gigantes.
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