*Por Brunna Condini
Cláudia Abreu volta às novelas após quase 10 anos afastada e retomando a parceria com Tony Ramos, com quem contracenou em ‘Belíssima‘ (2005). A partir de 28 de abril eles serão Filipa e Abel em ‘Dona de Mim‘, próxima trama das sete da Globo, e farão par romântico pela primeira vez. “É uma alegria reencontrar o Tony e fazer pela primeira vez uma novela da Rosane (Svartman), que tem uma ‘antena’ maravilhosa para captar tudo o que está acontecendo na sociedade, a diversidade, a cultura, então sinto que estou em uma novela do presente. Me sinto viva e conectada com o meu tempo”, celebra Cláudia.
Longe dos folhetins desde ‘A Lei do Amor‘ (2016), a atriz atuou em séries, filmes e roda o país há dois anos com seu monólogo, ‘Virgínia‘, que conta a história da escritora britânica Virginia Woolf (1882 – 1941). Ela também tem viajado com outro espetáculo, ‘Os Mambembes‘, uma adaptação da comédia de Artur Azevedo (1855 – 1908), ao lado de Deborah Evelyn, Júlia Lemmertz, Leandro Santanna, Orã Figueiredo, Paulo Betti e Caio Padilha. “Minha vida estava muito cheia de outras coisas, e por acaso não havia surgido uma novela que eu sentisse vontade de fazer. Até agora. Tenho encontrado muito o público com as peças e eles têm pediam minha volta à TV. Comecei na televisão aos 16 anos, é muita cumplicidade com esse público, que não posso abandonar, e que muitas vezes só tem a novela como entretenimento. Eles estavam com saudade e eu também. Fora que o Allan (Fiterman, diretor da novela) é um velho parceiro, com quem fiz trabalhos como ‘Cheias de Charme‘ (2012) e ‘Geração Brasil‘ (2014), um convite dele é irresistível”. E revela ainda sobre as motivações em fazer a trama:
Vamos discutir saúde mental, minha personagem é bipolar. Muita gente sofre porque não tem um diagnóstico. Se for uma mulher então, vai ser chamada de maluca, histérica. E quando chega o diagnóstico, também vem junto o estigma. A bipolaridade não é uma escolha, não é uma opção da pessoa controlá-la – Cláudia Abreu

Cláudia Abreu volta às novelas após quase dez anos com personagem que discute a saúde mental (Divulgação/Globo)
“Achei importante fazer uma personagem com essa profundidade e ao mesmo tempo com alguma leveza, porque ela tem a instabilidade do humor, então pode estar em mania, que é a euforia, alegria extrema; ou pode estar deprimida ou agressiva”. Cláudia acrescenta sobre a parceria com Tony Ramos: “Tudo isso ao lado do Tony. Quando o reencontro, tantos anos depois de uma novela em que passamos um mês na Grécia gravando (‘Belíssima‘), em que conversamos e convivemos tanto, reencontro a intimidade que já se estabeleceu. São grandes amigos que não vemos sempre, mas conhecemos e se estabelece rapidamente uma cumplicidade. Seja em cena ou fora de cena. Isso facilita tudo, porque você já tem essa pessoa na sua vida. Eu nunca perderia a chance de estar com Tony em uma novela novamente. Isso poderia nunca mais acontecer. E ele também me faz rir, me desconcentra bastante (risos)”.

Cláudia Abreu e Tony Ramos fazem par romântico em ‘Dona de Mim’ (Divulgação/Globo)
Ficamos 12 horas por dia vivendo uma vida paralela e isso é também a nossa vida, marca a gente. As relações profissionais que se estabelecem são muito ricas- Cláudia Abreu
Dona dos seus caminhos
Em ‘Dona de Mim‘ Cláudia é Filipa. Coincidentemente, a personagem leva o mesmo nome de uma das suas filhas na vida, mas escrito de forma diferente ( a atriz é mãe de Maria Maud, de 23 anos, de Felipa, 16, José Joaquim, 13, e Pedro Henrique, 10, todos do seu casamento com o cineasta José Henrique Fonseca, de quem ela se separou em 2022 após 25 anos juntos). Em 2023, a artista também encerrou o contrato longo com a Globo após 37 anos de trabalho na emissora, voltndo agora ao ar agora em outro formato. “Muito se falou quando sai da Globo, mas eu já havia saído outras vezes. Existe um sensacionalismo em falarem disso, como se fosse algo ruim e comigo não foi nem um pouco assim. Foi super numa boa e de comum acordo. Não vejo nenhum problema em estar livre para o mercado. É bom para a nova forma de business deles e é bom para os atores”, avaliou, em entrevista ao site na época.

“Não vejo nenhum problema em estar livre para o mercado. É bom para a nova forma de business deles e é bom para os atores” (Divulgação/Globo)
Tal qual o título do novo folhetim das sete, Cláudia procura ser dona dos seus caminhos. “Sempre quis ter liberdade. Também sempre tive uma relação maravilhosa com a Globo, de sair e voltar. Se observar a minha história, vai perceber que fiquei vários períodos sem fazer novelas, embora tenha feito muitas. E justamente por isso, porque não tinha renovado, porque tinha escolhido ser livre, dona da minha carreira, da minha vida, escolhido poder fazer muito cinema, teatro. Sempre tive um caminho natural de poder aproveitar as coisas que a vida me trazia e também aproveitar as coisas que a Globo me trazia”.
Dona de Mim
Na trama escrita por Rosane Svartman, Filipa se apaixonou por Abel (Tony Ramos) em um rompante e foi tudo muito rápido: o namoro, o casamento, a decepção. Ela se sente muito sozinha, mesmo cercada de gente na mansão Boaz. Ainda jovem, achou que iria ser cantora e atriz, chegando a atuar no teatro. Apesar do talento, sua carreira não decolou. No entanto, quando está cantando ou atuando, se sente feliz. Quando Sofia (Elis Cabral) chega à casa da família, ela tenta se aproximar da menina e corrigir os erros que teve com a sua própria filha, Nina (Flora Camolese), mas se vê frustrada diante da maternidade mais uma vez.
O que pode fazê-la ser dona de si é a esperança de se encontrar. É uma personagem que tem muitas frustrações, não deu certo como artista, não se sente boa mãe, não conseguiu ser aceita pela enteada e fica procurando seu lugar no mundo. Tem a crença de que vai conseguir se realizar. Apesar de tudo, ainda não perdeu a fé na vida – Cláudia Abreu

Tony Ramos e Cláudia Abreu com a família Boaz de ‘Dona de Mim’ (Divulgação/Globo)
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