Carla Diaz estreia sua primeira grande vilã, reflete sobre amor, autoestima e identidade após 30 anos de carreira


No ar em ‘Então É Amor?’, novelinha vertical do Globoplay, Carla Diaz celebra novo trabalho, fala sobre os desafios de viver uma personagem obsessiva e vilanesca, reflete sobre autoestima, autoconhecimento, liberdade afetiva e a construção da própria identidade após mais de três décadas de carreira iniciada aos dois anos de idade. “Ao longo dos anos, fui entendendo melhor quem eu sou, o que faz sentido para mim e o que realmente importa. Cresci diante do público e aprendi que nem sempre as pessoas vão concordar com minhas escolhas. Quando você constrói uma relação mais sólida consigo mesma, passa a depender menos da aprovação externa e mais da sua própria verdade. Isso traz uma segurança muito maior”

*Por Brunna Condini

Há mais de três décadas, Carla Diaz vive diante das câmeras. A atriz, que começou a trabalhar aos dois anos em comerciais de televisão, enfrenta agora um desafio inédito: em ‘Então É Amor?’, novelinha vertical do Globoplay, que estreou nesta terça-feira (16), Carla interpreta Liz, uma mulher manipuladora e capaz de tudo para manter o namorado ao seu lado. Enquanto se diverte explorando a liberdade, o humor ácido e as contradições de sua primeira grande vilã de um folhetim, a atriz também reflete sobre maturidade, autoconhecimento, amor saudável e a importância de preservar quem é longe dos holofotes.  “Ao longo dos anos, fui entendendo melhor quem eu sou, o que faz sentido para mim e o que realmente importa. Cresci diante do público e aprendi que nem sempre as pessoas vão concordar com minhas escolhas. Quando você constrói uma relação mais sólida consigo mesma, passa a depender menos da aprovação externa e mais da sua própria verdade. Isso traz uma segurança muito maior”.

Curiosamente, embora dê vida a uma personagem que confunde amor com posse e transforma afeto em obsessão, Carla diz que a vida lhe ensinou justamente o contrário. Aos 35 anos, amadurecendo diante dos olhos do público, a atriz afirma que aprendeu que relacionamentos saudáveis exigem confiança, respeito e liberdade.

Acho que a maturidade vai ensinando que existem coisas que simplesmente não estão sob o nosso controle. Sempre fui uma pessoa que gosta de resolver tudo, de encontrar caminhos, mas a vida mostra que nem sempre as coisas dependem só da gente. O amor saudável passa muito pela confiança, pelo respeito e pela liberdade. Aprendi que amar alguém não é tentar controlar o que acontece, mas estar presente, respeitando o tempo e as escolhas do outro – Carla Diaz

Carla Diaz estreia sua primeira grande vilã de novela e fala sobre amor, liberdade e autoconhecimento (Foto: Divulgação/Globo)

Carla Diaz estreia sua primeira grande vilã de novela e fala sobre amor, liberdade e autoconhecimento (Foto: Divulgação/Globo)

No mesmo momento em que estreia como vilã em ‘Então É Amor?’, Carla também celebra a exibição de ‘Rodeio Rock’ (2023) na Tela Quente há uma semana. No filme, que marcou a estreia da atriz como protagonista de uma comédia romântica, sua personagem se envolve com alguém dividido entre quem é, e a imagem que precisa sustentar para o mundo. Um tema que, coincidentemente, dialoga com a trajetória dela, que cresceu sob os holofotes, e ao longo dos anos, se viu tendo que equilibrar a figura pública com a vida pessoal longe das câmeras. “Comecei muito cedo e cresci sendo acompanhada pelo público. Tenho um carinho enorme por isso, mas também aprendi a importância de preservar alguns espaços da minha vida. Existe a ‘Carla atriz’, que as pessoas conhecem através das minhas personagens e dos trabalhos, e existe a ‘Carla’ que valoriza os momentos em família, as amizades, os aprendizados e a vida longe das câmeras. Hoje lido com isso de forma muito natural. Acho que esse equilíbrio é fundamental para manter os pés no chão e continuar evoluindo como profissional e como pessoa”, avalia.

"Comecei cedo e cresci sendo acompanhada pelo público. Tenho um carinho enorme por isso, mas também aprendi a preservar alguns espaços da minha vida" (Foto: Reprodução/Instagram)

“Comecei cedo e cresci sendo acompanhada pelo público. Tenho um carinho enorme por isso, mas também aprendi a preservar alguns espaços da minha vida” (Foto: Reprodução/Instagram)

A novela e o desafio

Na trama assinada por Gustavo Reiz, com direção de Marcelo Zambelli, Rosa (Arianne Botelho) sonha em se tornar paisagista e vê renascer seu amor de infância por Vicente (Micael Borges), herdeiro da poderosa família Valmori. Mas o romance encontrará diversos obstáculos, entre eles Liz (Carla Diaz), uma mulher que não vê limites em suas ações para não perder o namorado. A personagem marca uma estreia especial para Carla, que construiu sua carreira transitando entre diferentes gêneros e perfis de personagens. “É minha primeira vilã de novela mais tradicional. Porque até então eu tinha feito vilã em outros segmentos, baseado em casos reais, ou a Karine, de ‘A Força do Querer’, (2017), que não via como uma vilã, porque ela ia total para um lado de comédia. Dessa vez acho que estou encarando como a primeira vilãzona mesmo, que, inclusive, tem até homenagem pra uma grande vilã da TV brasileira (além da famosa vilã Carminha, de Adriana Esteves de ‘Avenida Brasil’, Carla buscou inspiração em outras antagonistas loiras marcantes, como Nazaré Tedesco (papel de Renata Sorrah em ‘Senhora do Destino’) e Branca (interpretada por Susana Vieira em ‘Por Amor’). Uma sacada genial, brilhante, do Gustavo Reiz”. A atriz conta que encontrou justamente na liberdade da vilania um dos maiores prazeres da construção da personagem.

Porque a vilã tem a liberdade que a mocinha não tem. Ela tem camadas, tem contradições, fala o que pensa sem pedir desculpas e tem aquele humor ácido. Então, como sagitariana e como atriz, isso é um grande presente. Porque assim o público pode odiar a personagem, mas pode amar vê-la em cena. Esse é o grande desafio do meu trabalho, o desafio gostoso que é fazer você amar ou odiar – Carla Diaz

Carla Diaz e Wagner Santisteban estão na novelinha vertical 'Então É Amor?' (Foto: Divulgação/Globo)

Carla Diaz e Wagner Santisteban estão na novelinha vertical ‘Então É Amor?’ (Foto: Divulgação/Globo)

Carla também destaca a experiência de gravar uma produção desenvolvida para consumo rápido e em formato vertical. “É um processo muito diferente, mais rápido do que de uma novela convencional, que quando a gente pega o ritmo, vai que vai! E esse reencontro foi maravilhoso, encontros e reencontros do elenco foi incrível, foi maravilhoso pra gente ter também a parceria, a troca em cena”.

Uma das cenas mais comentadas antes mesmo da estreia já remete a um dos maiores fenômenos da teledramaturgia brasileira. “E o que eu achei mais interessante é que a novela nem estreou e a Globo já soltou um spoiler que foi uma cena que a gente estava super tensa, preocupada de fazer. Eu pedia desculpa pra Arianne (Botelho) o tempo todo. E aí é uma cena que foi incrível. Quando eu li o roteiro pela primeira vez, eu falei: ‘Eu preciso fazer essa personagem’, porque o Gustavo genialmente trouxe uma referência de ‘Avenida Brasil’, então é uma novela que traz muitas outras referências de outras novelas brasileiras, isso que eu achei muito interessante. E o público já abraçou isso. Não é à toa que quando a Globo postou, já foi uma repercussão louca, os comentários são deliciosos de ler de tão engraçados. Porque as pessoas entraram na brincadeira mesmo e eles mal pensam nas outras coisas que o Gustavo mandava eu falar”, diverte-se.

Carla Diaz: "É minha primeira grande vilã na TV" (Foto: Divulgação/Globo)

Carla Diaz: “É minha primeira grande vilã na TV” (Foto: Divulgação/Globo)

Para a atriz, o novo formato tem potencial para conquistar espaço definitivo junto ao público: “Foi uma experiência muito incrível. Acho que é um formato que vem pra ficar mesmo, porque com o avanço da internet, é tanta informação rápida, que a gente tem a cada segundo, que a dramaturgia também tem que acompanhar essa evolução. Acredito muito no convencional também, que o que é cultural nosso, ainda tem o seu espaço, mas as novelas, esses microdramas, vieram de fora, mas tenho certeza que o brasileiro também vai mergulhar nessas histórias. É rápido de assistir, é muita informação ao mesmo tempo e ali você vai poder prestigiar atores que já estão aí na estrada há muitos anos, atores novos também. Acho que é uma ótima janela para o nosso presente e futuro”.

Ao final das gravações, Carla saiu com uma sensação rara.

Foi uma aventura muito gostosa. Poucos projetos a gente sai com essa sensação, de ter deixado saudade. É tudo muito rápido, mas ao mesmo tempo tudo muito intenso e tudo delicioso, porque foram encontros incríveis. Encontros de gente com energia boa. Então, acho que isso acaba movendo a gente para outros lugares – Carla Diaz