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Feminismo e representatividade: Giovana Cordeiro embarcou nos anos 90 em editorial exclusivo no Rio Othon Palace

Em conversa com o site HT, a jovem talentosa dá o seu recado: "Precisamos ter consciência de que somos seres humanos fortes e com identidade. Existem tantas histórias de motivação que podem nos inspirar... Então, agarrem-se na representatividade e procurem pessoas que tenham a ver com vocês, suas questões e raízes. Isso empodera e dá mais firmeza na hora de fazer escolhas. É libertador se olhar no espelho e se sentir bonita com o seu natural. Sejam felizes!"

Publicado em 14/03/2019 | Por Leticia Sabbatini

(Foto: Guilherme Lima/ Styling: Tracy Rato/ Make: Yago Maia/ Créditos: Cropped e saia NX | Acessórios Atelier Chilaze)

Irreverência, diversão e muito alto astral. Esta foi a síntese do editorial exclusivo com Giovana Cordeiro para o site HT. Hipnotizada pelo mar de Copacabana, que pôde ser integralmente admirado pela vista do nosso set, no Rio Othon Palace, a atriz mergulhou no clima que compõe a novela Verão 90. Inspirados nas referências da década marcada pela diversidade de estilo, a stylist Tracy Rato e o make up artist Yago Maia construíram um mood impecável. Com muita descontração e naturalidade, Guilherme Lima capturou os momentos através de suas lentes. Durante nossa conversa, Giovana mostrou engajamento com a cena atual do país e afirmou: “Eu sou 100% feminista e tenho certeza de que todas as mulheres deveriam ser, porque é para o nosso próprio benefício. Não existe nada, até hoje, nessa história de machismo, que tenha nos feito bem”. A atriz falou ainda sobre representatividade, sonhos, trabalho e militância. Quer conhecer a intimidade do talento por trás dos cachos e olhos marcantes? Vem com a gente!

(Foto: Guilherme Lima/ Styling: Tracy Rato/ Make: Yago Maia/ Créditos: Body Esc | Calça Levi's | Acessórios Atelier Chilaze | Sandália Shoulder)

(Foto: Guilherme Lima/ Styling: Tracy Rato/ Make: Yago Maia/ Créditos: Body Esc | Calça Levi’s | Acessórios Atelier Chilaze | Sandália Shoulder)

 HT: Você sonhou ser atriz? O que a motivou a seguir esta profissão?

GC: Desde criança, o universo artístico me fascinava. Era esse encantamento que me fazia, por exemplo, interpretar, da minha maneira lúdica, as cenas de histórias que assistia na televisão. Desde muito cedo, eu também lidava com outra paixão que eu vivenciava na própria família: o esporte. O meu pai tinha um centro esportivo com diversas atividades e eu acabei aprendendo várias artes. O karatê, a capoeira o futsal e até a dança de salão. Assim, por ser algo muito mais acessível à realidade da minha família, com três meninas para criar, eu cheguei a pensar que iria seguir por esse caminho ou quem sabe… a arquitetura. No entanto, com o passar dos anos, eu optei por estudar teatro. Integrei um curso de seis meses e, depois, parti para a faculdade na CAL, que me ajudou muito a ser a profissional que sou hoje. Eu não poderia pensar em uma escolha melhor, pois trabalhar com o que eu amo me realiza todos os dias.

(Foto: Guilherme Lima/ Styling: Tracy Rato/ Make: Yago Maia/ Créditos: Conjunto Zinco)

(Foto: Guilherme Lima/ Styling: Tracy Rato/ Make: Yago Maia/ Créditos: Conjunto Zinco)

HT: Depois de entender que atuar era o que você queria, como foi a trajetória em busca de oportunidades no mercado de trabalho?

GC:  Desde o início da faculdade, eu corri muito atrás para conseguir participar de testes, mas, ao mesmo tempo, eu queria ajudar com as despesas de casa. Minha mãe foi incrível e percebeu a minha angústia à época e me apoiou, deixando claro que conseguiria segurar os gastos para que eu pudesse me dedicar apenas ao meu crescimento profissional. Então, durante a faculdade, eu estreei na minissérie Dois Irmãos. Nesse meio tempo de tantas conquistas, eu fui convidada para integrar o elenco do longa-metragem Ela é o Cara, roteiro de  Paulo Cursino, direção de Leandro Neri, que estreia agora, em 2019. Apesar de ser um papel pequeno, a minha participação nesse projeto me motivou muito, além de triplicar a minha autoconfiança. Durante as filmagens, eu fui convidada a fazer um teste para a novela Rock Story e a partir disso, tudo mudou em um fluxo muito positivo. Integrei o elenco de O outro lado do paraíso, contracenando com um ícone: Fernanda Montenegro. Desde então, a minha ansiedade em embarcar em mais projetos só cresce.

(Foto: Guilherme Lima/ Styling: Tracy Rato/ Make: Yago Maia/ Créditos: Vestido Morena Rosa | Acessórios Lilac)

(Foto: Guilherme Lima/ Styling: Tracy Rato/ Make: Yago Maia/ Créditos: Vestido Morena Rosa | Acessórios Lilac)

HT: Essa inquietude a deixa curiosa para interpretar qual perfil de personagens? 

GC: Sabe o que eu gosto mesmo? Das surpresas que as novelas proporcionam para minha vida profissional. Quando a gente recebe as primeiras informações sobre a personagem fico ansiosa para vivenciar o que pode ocorrer em cada capítulos. É delicioso pensar que tudo pode mudar. Sonho ainda em participar de séries. O mundo lúdico da menina que fui aflora todas as vezes que embarco em uma nova empreitada nas artes seja a personagem que tiver de dar vida.

(Foto: Guilherme Lima/ Styling: Tracy Rato/ Make: Yago Maia/ Créditos: Tricô Gatabakana | Calça Cityblue | Camisa Levi's)

(Foto: Guilherme Lima/ Styling: Tracy Rato/ Make: Yago Maia/ Créditos: Tricô Gatabakana | Calça Cityblue | Camisa Levi’s)

HT: Pensando na sua personagem atual, Moana, que está no ar em Verão 90. Como você a analisa?

GC: Ela é uma jovem, que cursa jornalismo e faz estágio em um dos principais jornais. Além de ser super batalhadora e inteligente, ela nutre sentimentos pelo João, interpretado pelo meu querido amigo Rafa Vitti. Quando ela percebe que esse amor romântico não é recíproco, decide estar ao lado dele, apenas como uma leal amiga, que vai ajudá-lo diversas vezes durante a história. Aliás, tenho notado que essa personagem tem auxiliado muito no meu processo de evolução pessoal, porque eu consigo enxergar, por exemplo, essa lealdade dela em meu próprio interior.

(Foto: Guilherme Lima/ Styling: Tracy Rato/ Make: Yago Maia/ Créditos: Colete e calça Lucidez | Bracelete Silvia Doring | Colar Lilac)

(Foto: Guilherme Lima/ Styling: Tracy Rato/ Make: Yago Maia/ Créditos: Colete e calça Lucidez | Bracelete Silvia Doring | Colar Lilac)

HT: Como foi construir a Moana, que tem a vivência jovem dos anos 90?

GC: Como eu nasci em 1996, eu lembro da energia da década de 90 e da entrada em 2000? Nas minhas pesquisas e conversando com muitas pessoas, eu constato que havia um astral mais elevado. Hoje, por outro lado, estamos mais conscientes e politizados. O que muito positivo em termos de comportamento humano. É bizarro comparar atitudes que eram aceitas nos anos 90 e que, em 2019, não caberiam de forma alguma. Então, no processo de construção da Moana, eu me atentei muito para essas diferenciações. Como ela é uma jornalista, pesquisei muitas referências sobre a política e os jornais da época, mas também estudei os comerciais, as músicas… É interessante ver como hábitos podem mudar tão rapidamente. Além disso, temos um grupo do elenco no WhatsApp, por onde trocamos todas essas informações de forma mais descontraída.

(Foto: Guilherme Lima/ Styling: Tracy Rato/ Make: Yago Maia/ Créditos: Colete e calça Lucidez | Bracelete Silvia Doring | Colar Lilac)

(Foto: Guilherme Lima/ Styling: Tracy Rato/ Make: Yago Maia/ Créditos: Colete e calça Lucidez | Bracelete Silvia Doring | Colar Lilac)

HT: Trazendo a nossa conversa para um contexto mais atual, como é ser uma jovem artista nos dias de hoje? Como analisa o machismo hoje tanto na sociedade como no mercado artístico?

GC: Estamos em um momento em que é preciso uma observação geral dos nossos comportamentos. Fui criada em um contexto machista, já que em nossa sociedade ainda predomina o patriarcado, e por isso, volta e meia preciso vigiar os meus pensamentos e atitudes. Agora, como figura pública, a minha responsabilidade cresceu muito mais, já que tudo que eu comunico chega a alguém. Nas minhas redes sociais, por exemplo, eu sempre toco nesse assunto. Assim, eu sinto que a mensagem é recebida com mais eficácia e vamos, aos poucos, entendendo o tom do discurso para cada situação. Estamos nesse contexto de preconceito ainda, mas também em um momento lindo de entendermos lugar de fala e potência do discurso.

(Foto: Guilherme Lima/ Styling: Tracy Rato/ Make: Yago Maia/ Créditos: Body Esc | Calça Levi's | Acessórios Atelier Chilaze | Sandália Shoulder)

(Foto: Guilherme Lima/ Styling: Tracy Rato/ Make: Yago Maia/ Créditos: Body Esc | Calça Levi’s | Acessórios Atelier Chilaze | Sandália Shoulder)

HT: Como profissional da arte e mulher, você acha que nas telas as persnagens femininas deveriam dar o exemplo de mais sororidade ou ainda prevalecer a ênfase em vilãs, rivais, concorrentes seja em novela, filme ou espetáculo teatral?

GC: É inevitável dizer que esse mecanismo ainda funciona, porque é o que as pessoas estão acostumadas a consumir, muitas vezes sem nem se aprofundar muito no tema. Cada um tem o seu tempo e assim, vamos caminhando de pouco em pouco e construindo novas histórias. Mas, percebo que alguns pontos já mudaram muito. Estamos nos reeducando, mas o caminho ainda é longo. O importante é continuarmos a falar sobre sororidade, democracia, diversidade e atitudes novas para que as pessoas saiam do inconsciente coletivo e percebam que o mundo está mudando e a velocidade é grande nestes aspectos.

(Foto: Guilherme Lima/ Styling: Tracy Rato/ Make: Yago Maia/ Créditos: Cropped e saia NX | Acessórios Atelier Chilaze)

HT: E você se considera feminista?

GC: Eu sou 100% feminista e tenho certeza que todas as mulheres deveriam ser, porque é para o nosso próprio benefício. Não existe nada, até hoje, nessa história de machismo, que tenha nos feito bem.

(Foto: Guilherme Lima/ Styling: Tracy Rato/ Make: Yago Maia/ Créditos: Vestido Morena Rosa | Acessórios Lilac)

(Foto: Guilherme Lima/ Styling: Tracy Rato/ Make: Yago Maia/ Créditos: Vestido Morena Rosa | Acessórios Lilac)

HT: Você aderiu a algum movimento ativista e se encontra inserida em algum tipo de militância? Como se reconhece, nesse sentido?

GC: Essa é uma questão bem recorrente na minha vida, porque eu ainda estou entendendo o meu espaço. Converso com as mais variadas pessoas e integrantes de movimentos. Percebo que, nos Estados Unidos, por exemplo, basta você ter alguém na família negro, que você assume totalmente a causa. Aqui, no Brasil, essa definição está muito atrelada à aparência e existe uma paleta de cores e tonalidades muito grande e muito preconceito até os dias de hoje em todas as questões que permeiam a sociedade, a mulher, o corpo e idade. Sou descendente de negros e procuro enxergar melhor as questões da luta contra o preconceito que até hoje ainda é latente na nossa sociedade por mais que estejamos em 2019.

(Foto: Guilherme Lima/ Styling: Tracy Rato/ Make: Yago Maia/ Créditos: Colete e calça Lucidez | Bracelete Silvia Doring | Colar Lilac)

(Foto: Guilherme Lima/ Styling: Tracy Rato/ Make: Yago Maia/ Créditos: Colete e calça Lucidez | Bracelete Silvia Doring | Colar Lilac)

HT: Todos amam a beleza dos seus cachos e, nas redes sociais, as meninas pedem mil e uma dicas…

GC: Até os meus 17 anos, eu estava naquela onda da escova progressiva. Dei um basta e, agora, estou amando o meu natural: os cachos. Tenho o maior cuidado com eles e as meninas nas redes sociais e até na rua me pedem mil e uma dicas. Adoro!

(Foto: Guilherme Lima/ Styling: Tracy Rato/ Make: Yago Maia/ Créditos: Tricô Gatabakana | Calça Cityblue | Camisa Levi's)

(Foto: Guilherme Lima/ Styling: Tracy Rato/ Make: Yago Maia/ Créditos: Tricô Gatabakana | Calça Cityblue | Camisa Levi’s)

HT: Como você se sente hoje?

GC: Hoje eu sou uma pessoa livre por todas as escolhas que fiz. Eu acho que as pessoas têm liberdade, tecnologia e informação para escolher o que querem para as suas vidas e realidade do dia-a-dia, mas é muito importante entendermos de onde está vindo essa escolha. Se o desejo não vem de você, é realmente muito triste. Eu ouvi durante a minha vida inteira que mulher sofre para estar bonita e que precisa estar com a unha feita, a sobrancelha em dia e o cabelo esticado. Não sei como conseguimos ouvir e tolerar isso durante tanto tempo.

(Foto: Guilherme Lima/ Styling: Tracy Rato/ Make: Yago Maia/ Créditos: Colete e calça Lucidez | Bracelete Silvia Doring | Colar Lilac)

(Foto: Guilherme Lima/ Styling: Tracy Rato/ Make: Yago Maia/ Créditos: Colete e calça Lucidez | Bracelete Silvia Doring | Colar Lilac)

HT: Você poderia dar um recado para as (os)  jovens que a tem como exemplo de atitude e voz ativa?

GC: O melhor que eu posso dizer é: “aguentem firme e sejam da forma que vocês optarem”. Cada um tem um tempo de compreensão e é muito importante entendermos que essa imposição sobre mulher, corpos, idade é baseada em um preconceito. Precisamos ter consciência de que somos seres humanos fortes e com identidade. Existem tantas histórias de motivação que podem nos inspirar… Então, agarrem-se na representatividade e procurem pessoas que tenham a ver com vocês, suas questões e raízes. Isso empodera e dá mais firmeza na hora de fazer escolhas. É libertador se olhar no espelho e se sentir bonita com o seu natural. Sejam felizes!

(Foto: Guilherme Lima/ Styling: Tracy Rato/ Make: Yago Maia/ Créditos: Cropped e saia NX | Acessórios Atelier Chilaze)

(Foto: Guilherme Lima/ Styling: Tracy Rato/ Make: Yago Maia/ Créditos: Cropped e saia NX | Acessórios Atelier Chilaze)

Agradecimentos:

Rio Othon Palace

Dany Tavares Assessoria

 

(Foto: Guilherme Lima/ Styling: Tracy Rato/ Make: Yago Maia/ Créditos: Vestido Morena Rosa | Acessórios Lilac)

(Foto: Guilherme Lima/ Styling: Tracy Rato/ Make: Yago Maia/ Créditos: Vestido Morena Rosa | Acessórios Lilac)

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