*por Vítor Antunes
Quis entender o desejo não como transgressão, mas como afeto, como algo que insiste em existir. A personagem não vive só culpa. Ela pensa, argumenta, sustenta as escolhas – Bruna Spínola
Eu sinto que hoje existe mais espaço para personagens femininas que não precisam ser exemplares o tempo todo, e que podem ser mais humanas – Bruna Spinola

Há um relacionamento lésbico na trama de época exibida pelo HBO Max (Foto: Divulgação/HBO Max)
MÚLTIPLA
A carreira de Bruna tem se movido entre personagens intensas e universos bastante distintos — uma espécie de trânsito constante entre registros. Hoje, ela diz que o critério de escolha passa menos por estratégia e mais por reconhecimento. “O que me move é quando uma personagem me pega de verdade. Às vezes é o texto, às vezes é uma contradição, às vezes a sensação de que existe ali uma vida que eu quero investigar. Não penso isso como ‘escolher’ de forma racional, porque muitas vezes as coisas chegam, se apresentam, e o meu trabalho é perceber quando há verdade e quando aquilo tem espaço para eu criar. Gosto quando a personagem me dá trabalho, no melhor sentido — quando me obriga a escutar, pesquisar, sair do automático e encontrar humanidade em zonas mais difíceis.”
Nas redes sociais, Bruna também posta conteúdo sobre culinária — um interesse que não surgiu como estratégia, mas como extensão da vida privada. “A cozinha chegou de um jeito muito afetivo. Para mim, é memória, família, rotina, cuidado. Sempre cozinhei, mas, com o tempo, isso virou também uma linguagem de comunicação, um jeito de compartilhar um pedaço da minha vida que é real, cotidiano e, ao mesmo tempo, criativo.”

Bruna Spínola é arquiteta além de atriz (Foto: Pino Gomes)
Paralelamente, a atriz mantém um escritório de arquitetura — e trata as duas frentes menos como acúmulo e mais como contaminação mútua. “O desafio é logístico, porque são dois mundos muito intensos. Mas, ao mesmo tempo, uma área alimenta a outra. A arquitetura treina meu olhar para espaço, luz, atmosfera, narrativa visual. Penso muito em cena, em percurso, em sensação. E a atuação me coloca no centro do humano, do comportamento, do detalhe emocional. Isso reverbera quando projeto, porque casa não é só função — é vida acontecendo.” No fim, diz, o que há é uma continuidade: “Transito entre essas duas áreas porque ambas, cada uma à sua maneira, contam histórias. Uma com corpo e silêncio; a outra com espaço e luz.”
Para os próximos meses, o plano é sustentar esse equilíbrio. “Sigo muito dedicada ao meu escritório, a Vesari Arquitetura, que é uma frente criativa importante na minha vida. Temos projetos residenciais e comerciais e também a Vesari Kids, voltada ao universo infantil, que nasceu desse olhar de mãe e do desejo de criar espaços que acolham e funcionem no dia a dia.” No campo da atuação, ela lista os próximos movimentos: “Gravei recentemente o filme O Sentido da Vida, do diretor Juan Posada, que deve estrear em breve, e estou me preparando para dirigir o curta-metragem Pulsão, com Nathalia Dill. Gosto de alternar linguagens e lugares de criação — atuar, dirigir, desenvolver projetos autorais. A ideia para 2026 é seguir nesse movimento, buscando histórias com camadas, que me provoquem e que tenham algo humano para dizer.”
Artigos relacionados

Lázaro Ramos fala da chegada de seu vilão africano ao Brasil em "A Nobreza do Amor" e sobre autores negros na TV
Gabriel Braga Nunes comemora sucesso no teatro e nega volta à TV: "Fiz 25 novelas em 25 anos"
GloboPop erra no conceito, falha na execução e revela dificuldades da Globo para competir com TikTok e Kwai