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História na TV: “Liberdade, liberdade” aborda a Inconfidência Mineira e a vida de Joaquina, filha de Tiradentes. Saiba como foi o lançamento!

A personagem vivida por Mel Maia e Andreia Horta testemunhou a morte do pai e tem no sangue a força da revolução: “É preciso revalorizar as palavras justiça e liberdade porque ainda se clama por essas coisas que já deveriam estar estabelecidas no coração dos homens que governam”, disse Andreia

Publicado em 01/04/2016 | Por Karina Kuperman

A partir do dia 11 de abril tem aulinha de história na televisão. Literalmente. É que a novela “Liberdade, liberdade”, de Mario Teixeira, é baseada no argumento de Marcia Prates, livremente inspirada no livro “Joaquina, filha do Tiradentes”, de Maria José de Queiroz. A Inconfidência Mineira se mistura com a história de Tiradentes, vivido por Thiago Lacerda. Acusado de ser um traidor da Coroa portuguesa, o mártir tem como objetivo livrar o Brasil do peso de viver sob o comando de Portugal e, em sua luta, é capturado, torturado e enforcado em praça pública. A partir daí, a trama gira em torno de Joaquina, papel de Mel Maia e Andreia Horta. A filha de Tiradentes e Antônia (Letícia Sabatella) carrega no sangue a luta pela revolução de um país já que, desde criança, ouviu o pai repetir uma das principais lições de sua vida: todos os homens e mulheres são livres. Após testemunhar a morte do pai, a menina passa a ser criada por Raposo (Dalton Vigh), um minerador simpatizante da causa dos inconfidentes que a leva para Portugal. A determinação inquietante e os olhos cheios de fé são o que fazem com que Joaquina, que passa a se chamar Rosa para despistar qualquer suspeita, volta ao Brasil com a corte que foge das investidas de Napoleão.

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O elenco assiste ao clipe com as primeiras cenas da novela. Mel Maia e Andreia Horta são as responsáveis por viver Joaquina, filha de Tiradentes (Foto: AgNews)

Quando pisam em terras brasileiras, mais precisamente no Rio de Janeiro, em 1808, a decadência, o calor e o cheiro de esgoto a céu aberto impressionam Rosa, que segue viagem para Vila Rica, Capitania de Minas Gerais. Por lá conhece Xavier (Bruno Ferrari) e Rubião (Mateus Solano), personagens com quem forma um triângulo amoroso – sem saber, é claro, que foi Rubião quem entregou o pai à forca. Cheia de ideias de liberdade e totalmente contra a Coroa monarquista, Rosa se revolta ao ver humanos sendo tratados como propriedades. “É muito legal contar a história do Brasil na televisão. Vejo o quão importante é ser uma atriz, mostrar que isso tudo ainda tem uma voz atual e que é preciso revalorizar as palavras justiça e liberdade porque ainda se clama por essas coisas que já deveriam estar estabelecidas no coração dos homens que governam”, disse Andreia, que adiantou: “Joaquina tem muita coisa de Tiradentes. A personagem tem uma força atávica. Uma herança sanguínea. Tem uma semente ali”.

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Andreia Horta é Joaquina (Foto: AgNews)

Recriar o Brasil colônia na televisão não foi simples: além das aulas de luta, esgrima, equitação, condução de charrete e etiqueta, o elenco consultou filmes, livros e obras de arte sobre o período e participou de palestras. Apesar da forte base histórica, há muito de ficção em “Liberdade, liberdade”. “Ninguém sabe exatamente como era a vida privada no século XVIII no Brasil. Existem textos, mas a história é contada por pessoas que puderam editá-la. Portanto, nos baseamos nisso, claro, mas também demos a nossa contribuição”, entregou Vinícius Coimbra, diretor artístico da trama, que explicou também que a criação de uma estética realista do Brasil do século XVII foi um processo cuidadoso. “Tentamos colocar a falta de ordem e justiça, ausência de medicina, saneamento e água na frente da câmera. Tudo isso fazia das pessoas seres mais rudes e sofridas”, disse.

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Portando poucos registros históricos de Joaquina, filha de Tiradentes, o autor Mario Teixeira criou uma obra ficcional baseada em diversas fontes. “Li e vi filmes que me fizeram entender melhor as relações de poder na época, os negócios das Minas Gerais, as relações hierárquicas. Mas a história também é uma visão muito pessoal. A ficção também é capaz de resgatar o passado”, defendeu. Abordar um período conturbado em que o Brasil deixa de ser colônia e passa a ser a capital do império ao mesmo tempo em que se fala de uma mulher com seus amores, suas questões e sua revolução interna é um grande desafio. “Vamos falar de amor, mas também de revolução e independência”, contou Mario. Pois que venha!

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