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“As mulheres não se sentem seguras nas ruas. O direito de ir e vir está ameaçado”, diz Nathalia Dill

Prestes a estrear na terceira fase de “A Dona do Pedaço”, a atriz conversou com o site HT sobre o seu papel na trama e falou sobre carreira, feminismo, cultura e seus futuros projetos

Publicado em 27/05/2019 | Por Heloisa Tolipan

*Por Iron Ferreira

De volta ao horário nobre da Globo na terceira fase de A Dona do Pedaço, Nathalia Dill conversou com o site HT sobre a liberdade questionável da mulher e a importância do feminismo para a luta e a conquista de espaço. Segundo ela, embora a consciência social tenha evoluído, ainda há muito a se fazer: “Bell Hooks tem uma definição de feminismo muito interessante: ‘feminismo é o movimento para acabar com sexismo, exploração sexista e opressão’. Acho que estamos caminhando, mas ainda temos um longo caminho pela frente. Nossa sociedade ainda é muito machista. E queremos transformar isso para chegar em um nível em que as pessoas sejam livres. Acredito que as mulheres não se sentem seguras andando na rua, por exemplo. Isso é uma forma de prisão tão absurda. Porque o nosso direito de ir e vir está ameaçado”, explica a atriz.

Segundo a atriz, o assédio não permite que as mulheres tenham o direito de ir e vir (Foto: Fabio Audi)

Na trama, a atriz irá interpretar Fabiana, sobrinha de Maria da Paz (Juliana Paes) e irmã de Virgínia (Paolla Oliveira). Sobre o papel, ela comentou: “Fabiana é uma mulher de muitas possibilidades. Ela é uma menina que cresce separada da família e é criada em um convento. Mas acho que sempre sentiu que ali não era o lugar dela. Quando descobre a Virgínia, vê nela o passaporte para ter outra vida, algo que sempre a atraiu. E essa saída do convento também faz com que abrace alguns sentimentos que não eram alimentados, como a inveja e a dissimulação”.

A atriz irá estrear na terceira fase de “A Dona do Pedaço” interpretando a jovem Fabiana (Foto: Fabio Audi)

A atriz também comentou sobre o processo de criação da sua personagem e os desafios de interpretar uma vilã: “Uma nova novela sempre dá um frio na barriga enorme, e isso me deixa muito feliz. Sempre temos em mão o instinto de levar o público conosco na história, para que sintonize com o que estamos contando ali. Por isso, nos dedicamos muito na preparação, tanto individual quanto com os colegas de cena. Para Fabiana, vi alguns filmes em que as mulheres tinham personalidades dúbias, como ‘A malvada‘ e ‘Mulher solteira procura‘. As referências vão ajudando na hora de atuar”.

Em sua volta ao horário nobre da TV Globo, Nathalia viverá a vilã Fabiana (Foto: Fabio Audi)

Escrita por Walcyr Carrasco, essa é a primeira produção, completa, em que ela trabalha ao lado do dramaturgo. “É a primeira vez que participo de obra inteira dele. Fiz uma ponta em um capítulo de “Êta Mundo Bom“. O texto dele é muito perfeito nas indicações da personagem, das suas intenções e de quem ela é. Isso é muito bom para a construção do meu papel. Tenho ele e a Amora Mautner, diretora, como grandes aliados na construção de Fabiana”, frisou.

A artista também pontuou as principais diferenças de trabalhar no teatro, na televisão e no cinema (Foto: Fabio Audi)

Além da televisão, Nathalia construiu sua vida artística por meio de projetos no teatro e no cinema. Para o HT, ela apontou as principais diferenças de atuar em cada uma das vertentes: “Há especificidades dentro de cada uma delas, mas não possuo preferência. Acho justamente que o legal é poder exercitar todas elas e aprender. A TV, no caso de novelas, é uma obra aberta, que fica muitos meses no ar e quando a gente começa não tem o arco fechado do personagem. Isso é muito interessante, porque vamos vendo tudo acontecer junto com o público. Claro, há indicações, mas é uma obra mais mutável. O cinema já é algo mais curto e fechado. Quando você começa, já sabe para onde aquela história vai e qual é o arco do personagem. Isso permite outra vivência da história. E o teatro traz uma troca instantânea com o público. Você pode ficar em cartaz anos com um espetáculo, mas nunca uma apresentação será igual á outra. E isso é muito fascinante”.

A atriz defende a valorização da cultura e reafirma a sua relevância para a construção da história do país (Foto: Fabio Audi)

Defendendo o seu universo de trabalho, a artista complementou: “Acho muito importante valorizarmos nossa cultura e nossa arte. As manifestações culturais e artísticas nos ajudam a observar nossa realidade por um outro prisma, apreendê-la de outra forma e, assim, nos levar a entender e transformá-la. Sem contar que essa valorização passa pela construção da nossa identidade enquanto brasileiros, de saber da nossa história, de onde viemos e, portanto, para onde estamos indo e onde queremos chegar”.

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