Com o sucesso do programa “Falas Negras“, exibido em 2020 pela Globo, a emissora tem lançado mão desse expediente e feito experimentos sociais que abordam temas específicos. Amanhã, dia 8, será exibido o ‘Falas da Vida’, que traz em sua centralidade uma discussão sobre o envelhecer. Neste especial os atores principais serão Ary Fontoura e Lucio Mauro Filho com 50 anos, Ary com 91. Ambos – assim como seus personagens, lidando com o passar do tempo. “Como idoso que sou, sempre estou me alertando para não deixar nada para ontem e cuidando do hoje, porque creio que amanhã será melhor. Positivismo é uma grande arma para quem envelhece”, ressalta Ary Fontoura, que se redescobriu na pandemia e virou um fenômeno de comunicação. Só no Instagram, Fontoura tem 5,8 milhões de seguidores.
Para Ary, o termo “idoso” é apenas uma marca de tempo, uma classificação que descreve uma fase da vida. No entanto, ele percebe que há muitos jovens que já carregam nos gestos e pensamentos a essência de uma velhice antecipada. Com uma serenidade sábia, ele revela seu segredo para enfrentar o passar dos anos: cuidar da saúde com dedicação. “A saúde é o alicerce de tudo”, diz ele. Para isso, é preciso afastar a preguiça, nutrir o corpo com alimentos saudáveis, exercitar-se com vigor e, acima de tudo, viver o agora. É esse o seu lema, viver o presente com intensidade e propósito. Ao participar do ‘Falas da Vida’, Ary sentiu-se grato e reforça a importância de iniciativas que tragam luz ao tema do envelhecer, acreditando que tais discussões devem ser sempre ampliadas e aprimoradas.

Ary Fontoura e Lucio Mauro Filho discutem a maturidade no programa “Falas da Vida” (Foto; Divulgação/Globo)
Já Lúcio Mauro Filho celebra o reencontro com o colega, a quem considera uma referência. “Sua inquietude e vontade de continuar aprendendo é uma inspiração para qualquer ser humano”, destaca. Por ser filho de segundo casamento e ter nascido quando o pai já estava na casa dos 50 anos, Lúcio Mauro Filho comenta que sempre conviveu com pessoas mais experientes e aponta que suas preocupações para esta etapa da vida convergem com as pautas que serão exibidas no especial. “Com o avanço da medicina e das terapias, a expectativa de vida é muito maior. Consequentemente as pessoas trabalham até a idade avançada. Meu pai trabalhou até os noventa anos. Minha preocupação é que a sociedade disponibilize oportunidade para tanta gente boa”. Falas da Vida provoca reflexão ao abordar a passagem de tempo, compartilhada com pais e filhos, e sobre seu comportamento em casa.
TEMPO
Ary Fontoura participou do especial “Falas da Vida” com a sabedoria acumulada ao longo de seus 91 anos. Com firmeza e reflexão, ele compartilhou sua visão sobre o envelhecimento, deixando claro que a idade é mais uma questão de atitude do que de números. “Foi muito bom participar no programa ‘Falas da Vida’. Todos os programas que tratam de informar são importantes e devem ser aprimorados sempre”, declarou Ary.
No Brasil, o termo “idoso” carrega, muitas vezes, conotações de limitação ou fragilidade, mas para o artista, o envelhecimento tem uma outra perspectiva. Questionado sobre o que é ser idoso, ele diz que, em sua opinião, “idoso é todo aquele que não se conforma com o tempo. No fundo é uma palavra que classifica faixa etária. Mesmo assim, eu já vi muitos jovens pensando e agindo como idosos”.

Lúcio Mauro Filho sempre transitou com naturalidade com pessoas mais maduras (Foto: Divulgação/Globo)
O ator também reflete sobre o impacto que causa nas pessoas que o seguem. Com humildade e gratidão, ele comenta sobre o efeito que sua vivência tem sobre os outros: “Se o meu exemplo de viver é satisfatório para os outros, eu fico muito feliz por ser inspirador para essas pessoas terem dias e anos melhores. Então, só posso agradecer a admiração e o incentivo dos que, por mim, têm admiração.”
Com a sabedoria de quem vive plenamente cada momento, ele reforça a importância de estar presente no agora. “O que me move hoje em dia é viver intensamente o presente. Como idoso que sou, sempre estou me alertando para não deixar nada para ontem e cuidando do hoje, porque creio que amanhã será melhor. Positivismo é uma grande arma para quem envelhece.” Ele ensina que a chave para envelhecer bem está em não procrastinar a vida, em acreditar que o amanhã será sempre mais brilhante se cuidarmos do hoje.
A admiração por Ary atravessa gerações. Lúcio Mauro Filho, outro nome consagrado da televisão brasileira e filho do saudoso Lúcio Mauro (1927-2019), relembra a influência de Ary em sua vida e carreira. Quando Ary tinha 50 anos, em 1983, já era um ator estabelecido, vivendo personagens marcantes como o o José Eleutério, em “Paraíso” e no ano seguinte, 1984, o eterno Nonô Correia, de “Amor com Amor se Paga“. Lúcio Mauro Filho, hoje na mesma faixa etária, vê Ary como uma inspiração gigante, tanto profissionalmente quanto pessoalmente. “Ary é um ídolo, uma referência. Sua inquietude e vontade de continuar aprendendo é uma inspiração para qualquer ser humano. Ary foi minha mãe em ‘A Guerra dos Rochas‘ e agora tenho a chance de tê-lo como pai”.
Lúcio Mauro Filho nasceu em um lar onde a idade nunca foi um obstáculo para a criatividade ou o trabalho, mas sim uma companheira que trazia consigo histórias e ensinamentos. O envelhecimento, tema delicado e profundo, sempre esteve presente em sua trajetória, moldando sua visão de mundo desde cedo. “Sou filho de segundo casamento. Quando nasci, meu pai já estava nos 50. Sendo assim, convivi com todos seus contemporâneos, muitos deles já sexagenários. Não por acaso sempre me dei bem com a turma mais velha”.
Lúcio cresceu em um ambiente onde o envelhecimento não era um tabu, mas uma fase natural da vida. Ele se formou no teatro Tablado, sob a tutela da grande Maria Clara Machado (1921-2001), que na época já caminhava para seus 80 anos. A convivência com personalidades de gerações anteriores foi um traço forte em sua carreira: “Fui apresentado ao grande público fazendo dupla com Jorge Doria (1920-2013) já octogenário. Lido com o tema desde que me entendo por gente”. Esse contato precoce e íntimo com artistas mais velhos lhe deu não só uma visão respeitosa sobre o envelhecimento, mas também um senso profundo de responsabilidade para com aqueles que trilharam longos caminhos antes dele.

Ary Fontoura é um dos idosos mais influentes nas redes sociais (Foto: Divulgação/Globo)
Nos dias de hoje, Lúcio observa a questão do envelhecimento com uma perspectiva amadurecida, embasada pelas transformações da sociedade e pelos avanços da medicina. Ele reconhece que o prolongamento da vida trouxe novos desafios e preocupações: “Com o avanço da medicina e das terapias, hoje em dia a expectativa de vida é muito maior. Consequentemente as pessoas trabalham até a idade avançada. Meu pai trabalhou até os 90 anos.” Essa longevidade traz consigo não só o desejo de continuar ativo, mas também a necessidade de que a sociedade esteja preparada para acolher e aproveitar a sabedoria acumulada de quem envelhece.
Seu pensamento, agora, é voltado para a inclusão dos mais velhos no mercado de trabalho e na sociedade de forma plena e digna. “Minha preocupação é que a sociedade disponibilize oportunidade para tanta gente boa”. O comentário de Lúcio toca em uma questão central da contemporaneidade: como garantir que as pessoas mais velhas, muitas vezes cheias de vitalidade e experiência, possam continuar contribuindo e sendo valorizadas? Ele enxerga que, se há mais tempo para viver, deve haver também mais espaço para compartilhar o que se aprendeu ao longo desse tempo.
A mensagem principal é simples: a vida é um ciclo. Devemos ter paciência e cuidado com aqueles senhores e senhoras que tanta paciência e cuidado tiveram conosco quando éramos crianças – Lúcio Mauro Filho
Ao reunir Ary Fontoura e Lúcio Mauro Filho no especial “Falas da Vida”, a Globo não apenas apresenta dois grandes nomes da televisão, mas também promove um encontro entre gerações que têm muito a ensinar sobre o passar do tempo. Ambos, com suas idades e experiências, são exemplos vivos de que envelhecer é uma arte que exige sabedoria, resiliência e uma boa dose de positivismo. Com o sucesso de programas como “Falas Negras”, a emissora avança em sua missão de dar voz a temáticas importantes, e o envelhecimento é uma dessas questões que tocam a todos, direta ou indiretamente.
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