Após carreira internacional, Adriano Toloza vive Angélico em ‘Três Graças’ e fala da preocupação com o Irã, onde morou


Com seu personagem prestes a ganhar mais espaço em ‘Três Graças’ ao se aproximar de Viviane (Gabriela Loran), o ator fala do retorno à Globo, da trajetória entre Brasil, Portugal e Irã, do olhar humanista sobre o ofício e anuncia que vai fazer cinema no Brasil após a novela. Fluente em três idiomas, estudioso de persa e com quatro filmes rodados no Irã, ele acompanha à distância a atual tensão no Oriente Médio: “É muito triste, muito grave. O meu maior medo é receber a notícia da morte de algum amigo no Irã”

*Por Brunna Condini

De volta às novelas brasileiras após uma trajetória que atravessa Portugal, o cinema iraniano e diferentes mercados do audiovisual, Adriano Toloza reaparece no horário nobre como o Angélico de ‘Três Graças’, trama das 21h da Globo, personagem enigmático, inicialmente uma espécie de espião contratado por Ferette (Murilo Benício) para investigar os moradores da comunidade da Chacrinha, mas o público já sabe que ele também responde a Rogério (Eduardo Moscovis), em uma dinâmica de jogo duplo que deve ganhar ainda mais tensão.

Fluente em três idiomas, estudioso de persa e com quatro filmes rodados no Irã, o ator retorna à Globo com a sensação de reencontro com o Brasil e a consciência de que a TV aberta ainda tem um alcance que nenhum outro formato oferece. “Depois de morar tantos anos fora, comecei a sentir falta das minhas raízes. Voltar à emissora com este projeto é muito importante pra mim porque foi lá que comecei minha carreira”, conta Toloza, que esteou na Globo em 2013, quando integrou o elenco de ‘Amor à Vida’.

O ator deve ganhar mais destaque na trama a partir da próxima semana, quando Angélico e Viviane (Gabriela Loran) vão se aproximar. O personagem já havia demonstrado interesse na farmacêutica, mas gora que está solteira, após o término com Leonardo (Pedro Novaes), eles têm tudo para engatar um romance. “O Angélico é apaixonado pela Viviane, desde a primeira vez que se viram. Agora eles vão se aproximar mais”. Feliz com o momento profissional no Brasil, ele conta que a experiência internacional que moldou sua trajetória também carrega hoje um peso emocional. Ao acompanhar à distância a atual tensão no Oriente Médio, Toloza não esconde a preocupação com o lugar onde construiu laços profundos:

De volta à Globo, Adriano Toloza está em ‘Três Graças’ e fala sobre carreira internacional, romance na trama e a preocupação com a situação no Irã (Foto: Joyce Braga)

De volta à Globo, Adriano Toloza está em ‘Três Graças’ e fala sobre carreira internacional, romance na trama e a preocupação com a situação no Irã (Foto: Joyce Braga)

A atual situação no Irã é muito triste, muito grave. O meu maior medo é receber a notícia da morte de algum amigo. Rezo sempre para que isso não aconteça – Adriano Toloza

A relação de Adriano com o Irã vai muito além de uma experiência profissional pontual, tornou-se uma vivência transformadora, que ampliou seu olhar sobre o mundo e sobre o próprio ofício. O primeiro contato com o cinema iraniano aconteceu de forma curiosa, ainda no Brasil, quando participou do filme ‘Texas’ (2018), uma produção do país filmada em São Paulo. “Foi filmado na minha cidade, com astros iranianos que vieram para o Brasil. Foi uma experiência muito interessante”, lembra. O êxito da produção levou o ator a filmar a continuação, desta vez em Teerã, onde passou dois meses. “Tive uma visibilidade lá que nunca tinha tido antes no Brasil. O Irã é um país com uma cultura muito rica e uma arte muito poderosa. O Ocidente infelizmente não tem noção disso”, afirma, ao refletir sobre o contraste entre a imagem difundida internacionalmente e a realidade que vivenciou.

Foi a partir daí que decidiu estudar persa para ampliar suas possibilidades no audiovisual local, um desafio que exigiu dedicação e paciência. “Foi difícil no começo, aprender outro alfabeto é um processo a longo prazo. Mas quanto mais consigo me comunicar, maior é a motivação”. O esforço culminou em um marco na carreira: protagonizar um filme inteiro no idioma. “No quarto filme que fiz lá, falei o filme todo em persa”, destaca.

Adriano Toloza no filme iraniano 'Marde Einaki' ('Homem de Óculos'), de 2025 (Foto: Reproduão/Instagram)

Adriano Toloza no filme iraniano ‘Marde Einaki’ (‘Homem de Óculos’), de 2025 (Foto: Reproduão/Instagram)

A trajetória internacional, segundo ele, nunca foi exatamente um plano traçado, mas um caminho que se abriu ao longo do percurso. “Trabalhar fora do Brasil não era um objetivo, nem algo planejado ou imaginado por mim. Simplesmente aconteceu, pela sorte do acaso. Obviamente o que conquistei foi por mérito e dedicação, mas se não fosse a conspiração do universo, de estar na hora certa no lugar certo, não teria acontecido”.

Toloza diz que a experiência de atuar em diferentes culturas ampliou suas possibilidades artísticas, mas também pessoais. “Todos os dias agradeço a Deus por poder trabalhar com o que amo. Ter tido essa oportunidade em outros países foi, até agora, o que aconteceu de mais gratificante como ser humano e profissionalmente. Quanto mais viajamos e observamos, maior o repertório para interpretar na ficção e maior o conhecimento do ser humano”, reflete o ator, que ficou pouco mais de cinco anos fora do Brasil.

Gabriela Loran e Adriano Toloza nos bastidores de 'Três Graças': romance no ar (Foto: Divulgação/Globo)

Gabriela Loran e Adriano Toloza nos bastidores de ‘Três Graças’: romance no ar (Foto: Divulgação/Globo)

Ele afirma ainda, que a vivência vai além do deslocamento geográfico e passa pela troca real com outras culturas. “Não tive só a oportunidade de viajar e conhecer pessoas novas, tive o presente de trabalhar e contracenar com elas. Pessoas que a princípio eram tão diferentes de mim, e depois pude quebrar paradigmas e me identificar de maneira genuína”. E acrescenta:

Entender esse paradoxo, de que apesar de toda diferença cultural o ser humano é igual em qualquer lugar do mundo, é muito enriquecedor. Isso me fez amadurecer muito como artista e como ser humano e, consequentemente, aprimorar meu ofício – Adriano Toloza

Para Adriano, o atual retorno tem um significado emocional claro e também simbólico. “Sou mais reconhecido pelo meu trabalho em Portugal e no Irã do que no meu próprio país. Por isso é importante para mim retornar aonde comecei depois de tudo que aprendi”. Apesar da experiência internacional e de trabalhos premiados, ele reconhece que nada se compara ao alcance da televisão brasileira: “Nenhum dos trabalhos que fiz fora teve a visibilidade de público que uma novela na TV aberta na Globo tem, em especial no horário nobre”.

"Nenhum trabalho que fiz internacional teve a visibilidade de público que uma novela na TV aberta na Globo tem, em especial no horário nobre" (Foto: Joyce Braga)

“Nenhum trabalho que fiz internacional teve a visibilidade de público que uma novela na TV aberta na Globo tem, em especial no horário nobre” (Foto: Joyce Braga)

Ao falar do trabalho em ‘Três Graças‘, ele compartilha os bastidores da relação próxima com Murilo Benício e Eduardo Moscovis: “Murilo é excepcional! Uma referência para mim como artista. É um ator talentoso, generoso e um homem à frente de seu tempo. Com o Du Moscovis gravo mais. Amo contracenar e conversar com ele. Me acolheu como um irmão mais velho. Tenho aprendido muito em cena. E estou em uma novela aclamada pelo público e pela crítica, de um autor que admiro muito (Aguinaldo Silva) e sempre tive vontade de trabalhar, com um elenco excepcional e uma direção estupenda”. O ator também comenta sobre o cenário que encontrou neste retorno à telinha:

A TV aberta perdeu muitos espectadores para o streaming , mas o seu público ainda continua a ser o maior do audiovisual brasileiro e será por muito tempo. Na volta para a Globo, não percebi muitas diferenças na sua estrutura atual. Continua a ser uma empresa deliciosa de se trabalhar – Adriano Toloza

"Entender esse paradoxo, de que apesar de toda diferença cultural o ser humano é igual em qualquer lugar do mundo, é muito enriquecedor" (Foto: Joyce Braga)

“Entender esse paradoxo, de que apesar de toda diferença cultural o ser humano é igual em qualquer lugar do mundo, é muito enriquecedor” (Foto: Joyce Braga)

A arte criando pontes

Em um mundo cada vez mais polarizado, Adriano acredita que a arte pode, ainda que não como missão única, ajudar a criar pontes e ampliar diálogos. Para ele, o papel do artista passa pela sensibilidade e pela responsabilidade individual, sem imposições. “Não acredito que a arte tenha o objetivo de curar e mudar o mundo, mas ela tem sim a possibilidade. É algo que o artista deve persistir para proporcionar uma comunicação melhor entre culturas”, afirma.

Me sinto no dever de me posicionar, mas não vejo como uma obrigação. No momento em que você exige um posicionamento, você está oprimindo. Vejo como um dever para mim, mas não para todos os meus colegas – Adriano Toloza

Com o folhetim entrando em uma fase decisiva, o ator já começa a olhar para o que vem depois. Viajar, aliás, segue sendo um dos seus maiores prazeres e também uma forma de se reconectar com lugares que marcaram sua trajetória. “Quero muito viajar quando acabar a novela. Pretendo passar por Portugal e pelo Irã, estou com saudades”, conta. No campo profissional, ele adianta que há novidades a caminho: “Tenho um convite para cinema no Brasil. Estou muito feliz, mas ainda não tenho permissão para divulgar o projeto”.

Adriano Toloza é Angélico da novela das nove da Globo 'Três Graças' (Foto: Divulgação/Globo)

Adriano Toloza é Angélico da novela das nove da Globo ‘Três Graças’ (Foto: Divulgação/Globo)