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André Bankoff fala, em papo exclusivo, das cenas quentes com Gloria Pires, teatro e vaidade: “A beleza é efêmera. Se apoiar nela é um grande erro”

O ator, que está fazendo bonito em sua estreia no horário nobre da TV Globo, já quis ser jogador de futebol e teve uma carreira de sucesso no mundo da moda

Publicado em 22/04/2015 | Por Junior de Paula

André Bankoff não se intimida com quase nada. Nem com a estreia na novela do horário nobre, nem em contracenar em cenas quentes com Gloria Pires, nem em viajar o país com um monólogo no qual interpreta 13 personagens, nem em ser bonito. Talvez por isso ele esteja onde está, construindo aos poucos e com muito cuidado uma carreira de sucesso, interpretando personagens marcantes e cada dia mais feliz com o caminho profissional que decidiu seguir.

Aos 33 anos, esse virginiano, que já quis ser jogador de futebol e aproveitou a oportunidade que a vida de modelo proporcionou no início de sua trajetória, tem no currículo produtos dramatúrgicos do naipe de “Mad Maria” e “Saramandaia” e, agora, vive Pedro, o amante de Beatriz, personagem de Gloria Pires na novela “Babilônia”, onde promete ainda fortes emoções. Paralelo a isso, André se dedica ao cinema e a viajar o país com a peça “Não Existe Mulher Difícil”, dirigida por Lúcio Mauro Filho.

Entre uma cena e outra, entretanto, André tirou uns minutinhos para conversar com HT sobre a carreira, a beleza, o teatro e outros assuntos que você confere agora.

ANDRE BANKOFF l IMG_1302 copyHT: Você estava na Globo, foi para a Record, voltou para Globo, e ainda passou pelo HBO.  Qual o segredo para transitar bem entre as principais produtoras de dramaturgia da TV?

AB: Todos os trabalhos que fiz são especiais, cada um tendo seu grau particular de dificuldade. Seria injusto eu ressaltar apenas um, porque, na minha visão, o que conta é o somatório de todos na criação do meu repertório artístico. O que me faz transitar são personagens que me desafiem como ator, que me tirem da zona de conforto, proporcionando de alguma forma um ensinamento cênico na atuação.

HT: O Pedro de “Babilônia” não é o primeiro canalha que você interpreta. Em “Poder Paralelo”, outro mau caráter surgiu na sua vida. Como é dar vazão a esse lado de uma personalidade? 

AB: Nenhum ser humano é bom e puro na totalidade de sua vida. Dar vazão é se permitir experimentar sensações e emoções desse personagem já vividas ou não por nós na vida real. É uma construção diária que vai moldando esse caráter em cena. Nunca deixo o personagem no estúdio, pelo contrário, ele vai para casa comigo, come, dorme, levanta, escova os dentes. Ele se torna a pessoa mais próxima de mim durante o período de uma obra, ou de qualquer trabalho que eu esteja fazendo no momento. É assim que construo meus personagens, trazendo eles para a minha rotina diária.

HT: É sua primeira vez na faixa das nove. E, de cara, já como amante da personagem de Gloria Pires. Como está sendo contracenar com ela?  

AB: Contracenar com a Gloria tem sido um presente, o exercício da troca em cena é único. Extremamente profissional, generosa, simples. Gloria é uma artista de alma grande, tenho aprendido muito com ela. Sou fã! Ainda tem o texto de Gilberto Braga, Ricardo Linhares e João Ximenes Braga, uma junção da genialidade de “monstros” da teledramaturgia. É muito bom poder falar um texto que é humano, coeso com a nossa realidade, inteligente, que faz o telespectador pensar e refletir sobre os dias de hoje. Teledramaturgia não é só um história romanceada, é poder debater questões, quebrar tabus, conscientizar uma sociedade, ensinar, sem qualquer tipo de doutrina.

HT: Você continua rodando o país com “Não Existe Mulher Difícil”. Como é fazer um monólogo em cima da adaptação de Lucio Mauro Filho? Ficar sozinho no palco é complicado?

AB: Continuo viajando com o monólogo, chegando ao Rio com temporada marcada para o segundo semestre. Fazer um monólogo é desafiador para qualquer ator, é jogar com o público do início ao fim, sabendo que a plateia pode estar ou não na sua mão. A experiência que você ganha em cena com um monólogo, o repertório de improvisações que acaba criando, não tem valor, ainda mais sendo uma adaptação do “Lucinho”. Primeiramente, quando se vai trabalhar com o Lucio Mauro Filho, você já precisa saber que irá se encontrar com um ser que esbanja talento e inteligência. O Lucio atua, dirige, é roteirista, pai de família, faz mil coisas ao mesmo tempo. Estar atrelado a um projeto com ele é ter a certeza de que você vai enlouquecer em cena de forma consciente e, o que é melhor, que você vai rir do início ao fim compondo 13 personagens (dez mulheres e três homens) que é o que eu faço em cena com o “Não existe mulher difícil”. O Lucio é um dos atores que me inspira sobre a conduta e o ofício de ser ator. Tenho sorte de trabalhar com ele…

André em cena na peça "Não Existe Mulher Difícil" (Foto: Reprodução)

André em cena na peça “Não Existe Mulher Difícil” (Foto: Reprodução)

HT: A peça fala de um homem que volta a vivenciar o mundo dos solteiros e questiona a mulher contemporânea. Para você, manter um relacionamento hoje em dia está fácil? Já teve que lidar com o mesmo drama que seu personagem?

AB: Não diria difícil, mas o ser humano é muito complexo na sua maneira de ser. A mulher e o homem mudaram muito com o avanço da tecnologia, ao mesmo tempo que encontramos facilidades por conta disso, também somos levados a nocaute por conta de um clique. É uma tarefa complicada lidar com tudo isso, mas precisamos nos adaptar a cada mudança e não deixar o virtual dominar o que é real, o palpável.

HT: Outro dia estava rolando na internet um texto que falava sobre as dificuldades de ser bonito. Para você, é difícil ser bonito? Você acha que tem que se esforçar ainda mais para provar seu talento por causa da sua aparência? 

AB: Não penso nisso, penso em fazer um bom trabalho como ator e desenvolver meu personagem da melhor forma possível. A beleza é efêmera, transitória, se apoiar nela é um grande erro. Construir qualquer carreira tem sua dificuldade, uma carreira não se faz da noite para o dia, leva tempo, precisa ter calma e trabalhar muito. Mas é assim que se faz uma história, com tempo e trabalho. Só assim você amadurece e cria seu repertório particular.

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