*Por Brunna Condini
Aos 27 anos e com uma carreira em plena ascensão, Alanis Guillen vive um raro momento de travessia artística, entre o misticismo e o concreto, a fábula e o realismo. Depois de marcar sua geração como Juma Marruá no remake de ‘Pantanal’ (2022), a atriz se lança agora no universo da fantasia com ‘Vermelho Sangue’, nova série do Globoplay que mistura mistério, ancestralidade e temas contemporâneos. “Faço a Flora, que é fascinada pelos mistérios da vida. Ela detesta o que é pacato; quer desbravar o mundo e acaba se envolvendo em aventuras que a levam a conhecer e atravessar mistérios”, conta sobre a jovem protagonista que, entre lobas e vampiros, mergulha em uma jornada de autodescoberta e coragem. Alanis fala ainda sobre a dimensão simbólica da personagem, uma garota curiosa que quer “tocar o sol, mesmo que queime a mão”; e traça um paralelo entre Flora e Juma, suas duas protagonistas na Globo. “Enquanto a transformação da Juma era sobre o instinto animal, a da Flora também a conectará a um instinto puro. Ela acessará lugares profundos, experimentando sensações que uma vida humana não permitiria, como a coragem e a luta pela sobrevivência”, explica a atriz, que costuma prezar pela intensidade em seus mergulhos artísticos.
E se em ‘Vermelho Sangue’ sua personagem vive um romance para lá de místico com a protagonista Luna, interpretada por Letícia Vieira, em ‘Três Graças’, próxima novela das 21h, que estreia em 20 de outubro, Alanis será Lorena Ferette, autêntica, idealista e crítica ao machismo, que segundo noticiou um portal recentemente, também viverá uma relação afetiva com outra mulher, a policial Eduarda, interpretada por Gabriela Medvedovski. “Lorena é uma jovem bem autêntica, criativa e corajosa. Não tem medo de ousar nem de lutar pelo que acredita. É uma personagem que questiona o mundo, mas também a si mesma”, define.
Na vida pessoal, Alanis encara o amor com a mesma liberdade de suas personagens. Em junho de 2025, ao celebrar o Dia dos Namorados, a atriz se manifestou sobre o relacionamento com a produtora Giovanna Reis. “Minha vida pessoal e amorosa é uma coisa minha, e viralizou que eu estava revelando algo, mas nunca deixei de viver e de sair com ela, só foi a forma como a internet interpretou. Estou muito feliz, amando e vivendo sem medo e sem fronteiras”, afirmou. Uma das atrizes mais representativas de sua geração, Alanis consolida uma trajetória marcada pela inquietude em suas escolhas e pela entrega total a cada personagem.
Cada projeto me transforma. Quero me divertir, aprender e, acima de tudo, continuar curiosa, porque é isso que me move – Alanis Guillen

Entre a fantasia da série ‘Vermelho Sangue’ e o realismo da próxima novela das 21h, ‘Três Graças’, Alanis Guillen vive fase livre e intensa (Foto: Divugação/Globo)
A fantasia como espelho do real
Em ‘Vermelho Sangue’, Alanis mergulha em um universo em que o fantástico serve como lente para o humano. A série, escrita por Rosane Svartman, usa elementos sobrenaturais, como vampiros, lobas, dons misteriosos, para discutir temas profundamente atuais, como ética, meio ambiente, gênero e identidade. “A Rosane foi brilhante ao misturar magia e fantasia para abordar assuntos cotidianos e reais: relacionamentos, o ambiente, a família, a relação consigo mesmo. Flora, por exemplo, vive uma crise existencial, mergulhando em si mesma e confrontando lugares difíceis. O projeto usa a fantasia para falar da realidade e das relações humanas que todos vivenciam, amor, dor e conexão. Mesmo quem não gosta do gênero será tocado, pois a série vai além da fantasia, contando histórias que ressoam com a experiência humana universal”, diz Alanis.
O vínculo entre a personagem e a avó Barbina, vivida por Bete Mendes, também é um ponto alto da trama. “Barbina é uma figura muito sensitiva e intuitiva, quase uma anciã, e funciona como a confidente e enciclopédia de Flora. A relação entre avó e neta é de profunda cumplicidade e amor. Quando Flora descobre sobre os vampiros, Barbina a alerta sobre o perigo, oferecendo crucifixos e alho. Flora, então, tenta bravamente proteger o instituto da invasão dos vampiros, mas acabará sendo confrontada pelos outros jovens da sua cidade”, conta a atriz, que vê na relação geracional uma das forças poéticas da série.

Letícia Vieira e Alanis Guillen estão na série ‘Vermelho Sangue’, disponível no Globoplay (Foto: Divugação/Globo)
Para Alanis, ‘Vermelho Sangue’ representa um gesto de ousadia na dramaturgia nacional. “A fantasia tem um público forte globalmente, e trazê-la para ser produzida no coração do Brasil é incrível. Temos uma equipe talentosa e contamos com o auxílio de muitas ferramentas para construir esse projeto”. E acrescenta:
É gratificante fazer parte dessa obra que, com coragem, apresenta um gênero que atrairá tanto o público fiel à fantasia quanto o público brasileiro, que talvez não esteja tão acostumado, mas será cativado pela curiosidade. É uma união de muitos elementos e atores que nos trouxe até aqui – Alanis Guillen
Entre duas mulheres e uma nova fase
Se em ‘Vermelho Sangue’ o amor se manifesta na forma de encantamento e mistério, em ‘Três Graças’, Alanis vive uma personagem que encara o afeto de maneira direta e política. Lorena, sua nova personagem das 21h, é uma jovem que desafia estruturas patriarcais dentro e fora de casa, e segundo divulgado, viverá uma história de amor com a policial Eduarda, feita por Gabriela Medvedovski. E ao que parece, a personagem tem a autenticidade como marca em comum com a atriz: “Ela é criativa e corajosa. Não tem medo de ousar nem de lutar pelo que acredita. Tem uma relação divertida e curiosa com a família e que pode vir a surpreender muito ao decorrer da história”.
Dentro do núcleo familiar dos Ferette; liderado por Santiago (Murilo Benício), que é casado com Zenilda (Andréia Horta), que têm os filhos Leonardo (Pedro Novaes) e Lorena (Alanis); a atriz explica que sua personagem surge como um contraponto de ideias. “Ela é meio ‘contracorrente’ ali no meio dos pais e do irmão. Tem muito amor e diversão entre eles, mas ela questiona algumas ideias e comportamentos ali dentro, assim como a ela mesma também, já que cresceu nessa estrutura”.

“Cada projeto me transforma. Quero me divertir, aprender e, acima de tudo, continuar curiosa, porque é isso que me move” (Foto: Divulgação/Globo)
Gravada inicialmente em São Paulo, cidade onde a história começa e também onde Alanis nasceu e cresceu (ela é de Santo André), ‘Três Graças’ trouxe à atriz um reencontro afetivo com suas origens. “Adoro começar gravando na região onde é contada a história. A gente entende muita coisa a partir disso. E sendo em SP, onde cresci e me formei, é bom demais! Revisitei lugares, como a Praça do Pôr do Sol, que não ia há tempos… gravamos em lugares que normalmente frequento, e estar ali trabalhando me deu um novo olhar”.

Alanis celebra ‘Vermelho Sangue’: A fantasia tem um público forte globalmente, e trazê-la para ser produzida no coração do Brasil é incrível” (Foto: Divulgação/Globo)
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