Teatro & Pensata

Vannessa Gerbelli, Eriberto Leão e Isio Ghelman estreiam versão do romance “Fim de caso”, do inglês Graham Greene

A atriz falou, com exclusividade ao site HT, sobre o triângulo amoroso que viverá nos palcos do Teatro Oi Futuro Flamengo, a partir de sexta-feira, dia 30

Publicado em 29/08/2019 | Por Heloisa Tolipan

*Por Karina Kuperman

Artes visuais, música, teatro e vídeo são só alguns dos artifícios usados para contar a história de “Fim de Caso”, espetáculo que estreia nessa sexta-feira, dia 30, no Teatro Oi Futuro Flamengo, no Rio de Janeiro, com Vannessa Gerbelli, Eriberto Leão e Isio Ghelman. A peça, uma adaptação do romance de mesmo nome escrito pelo inglês Graham Greene (1904-1991), aborda uma separação sob o ponto de vista das duas pessoas envolvidas. Publicado pela primeira vez em 1951 e traduzido em 25 idiomas – além de uma adaptação no cinema -, o texto não poderia ser mais atual.

Vannessa Gerbelli, Eriberto Leão e Isio Ghelman são os protagonistas de “Fim de Caso” (Foto: Ale Catan)

“Acho sempre importante falar sobre relacionamentos. A arte tenta nos propor reconhecer nela algo que nos traduza e, quando isso acontece, é enriquecedor. Relacionamentos são um material maravilhoso para identificação e reflexão. Não é à toa que os romances fazem tanto sucesso na literatura, no cinema, no teatro”, analisa Vannessa, que dá vida à Sarah, uma mulher infeliz em seu casamento. “Assim como muitas mulheres da sua época, quando a infidelidade era considerada um crime, ela se permite ter amantes”, explica, referindo-se à década de 40. “Ser querida, admirada e desejada é o motor para que ela se mantenha viva. Seu marido a vê como um ‘troféu sobre a lareira’, mantendo com ela uma relação superficial e amistosa, até o dia em que ela se envolve e se apaixona por um escritor e isso muda o rumo da vida dos três”, adianta.

Na história, a personagem de Vannessa, Sarah, vive um relacionamento extraconjugal (Foto: Ale Catan)

O texto, considerado um dos mais importantes da obra de Greene, tem adaptação de Thereza Falcão e direção de Guilherme Piva. “Temos uma ótima versão da história e encenamos com tranquilidade. O livro foi nossa fonte de pesquisa, isso também nos deu muita segurança”, conta. “Estamos contentes, o Guilherme estava desde o início muito certo da linguagem que queria utilizar e tivemos tempo para assimilar tudo com segurança. Além disso, fazer teatro no Rio de Janeiro, poder estar sobre um palco nos dias de hoje ao lado de pessoas tão talentosas e queridas é um privilégio”, comemora a atriz.

Além da história, o espetáculo é um show à parte: “Temos uma trilha original composta pelo Sacha Amback, que é um músico fenomenal, compositor de trilhas de cinema, séries e novelas, além disso, mais um cenário belíssimo do André Cortez, vídeos interessantíssimos do Rico e Renato, que entram como elemento sensorial e poético (não demonstrativo)… acho que vai ser bem bonito”, diz ela, que chegou a assistir a adaptação para os cinemas, lançada em 1999. “Eu adorei. O filme faz algumas alterações ousadas na narrativa do livro, mas ainda assim, gosto muito”.

O texto original é do inglês Graham Greene (Foto: Ale Catan)

No começo do ano, Vannessa virou notícia quando encerrou as gravações de “Jesus“, da Rede Record. À época, alguns portais chegaram a especular uma depressão, mas ela veio à público contar que tirou um tempo para uma tentativa de doar medula óssea para o pai. “Meu pai tinha uma leucemia controlada que se agravou muito no período da novela ‘Jesus‘, após o falecimento do meu irmão. O transplante foi uma alternativa lançada às pressas, mas não se concretizou, porque ele não conseguiu estar apto a receber minha medula. Estamos há um ano tentando tratamentos com medicações variadas. A minha saída estava prevista na novela e minhas cenas estavam bem adiantadas. Acredito que a emissora também tenha querido me liberar ainda antes para poder tratar do meu pai”, explica.

Vannessa Gerbelli em “Jesus” (Foto: Reprodução/Rede Record)

“Sobre a depressão, fiquei muito incomodada porque absolutamente não foi verdade. Foi o contrário disso. Após a morte do meu irmão (meu parceiro num disco que lançaríamos naquele ano e meu grande amigo) e o problema de saúde do meu pai, eu retomei o trabalho com uma força que jamais imaginei e que custou esforço e equilíbrio. Aí esses sites ficam publicando o que nem param para averiguar, por mero sensacionalismo. Eu não pedi afastamento da novela. Eles me afastaram por solidariedade a todo o processo do transplante, que não pôde acontecer. É muito irritante a forma como as notícias hoje em dia são reverberadas sem o menor critério. Fiquei um ano sendo perguntada sobre a minha condição de saúde, quando o doente era o meu pai”, lamenta.

De fato, trabalho não falta. Além do teatro, Vannessa tem outros três projetos, os longas “Socorro, virei uma garota“, “A Divisão” e “Amor Assombrado“. “Estou feliz, porque coincidiu de serem trabalhos feitos há dois, três anos, que conseguiram se lançar no mercado neste ano, juntos. No momento, estou com a peça e curtindo esses lançamentos”.

 

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