Teatro & Pensata

Exclusivo! Depois de assinar carta pró-Dilma Rousseff, Silvia Buarque fala sobre política e revela: “Sou simpática à presidente”

A atriz analisou a importância da aproximação entre arte e política e defendeu que todos os cidadãos deveriam se interessar pelo assunto: “O normal, na minha opinião, é essa aproximação. O anormal é o que estamos vendo hoje em dia, essa apatia. Acho que tem que misturar arte e política mesmo”

Publicado em 11/12/2015 | Por Karina Kuperman

Dias após a assinatura da carta contra o impeachment da presidenta Dilma Rousseff, encontramos Silvia Buarque, um dos nomes na extensa lista de artistas, na pré-estreia do longa “Reza a lenda”. A atriz, que se define como “uma pessoa simpática à presidente”, fez questão de destacar que, ainda que fosse contra o governo, assinaria seu nome no documento redigido pelo escritor Fernando Morais e o produtor de cinema Luiz Carlos Barreto. “Independente de tudo, eu acho que não precisa ser simpático para ser contra o impeachment. Tenho vários amigos que não votaram na Dilma, não gostam, mas são contra. Está se criando um clima violento, o que aconteceu essa semana na Câmara (dos Deputados), de agressão física, é um exemplo disso. Essas pessoas não me representam. Eu acho que o impeachment é perigoso porque a pessoa tem que ter realizado um mal feito pessoal e a presidente não fez, não se prova. A pessoa pode odiar a Dilma, mas não cabe o impeachment”, defendeu.

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Silvia Buarque é contra o impeachment e à favor da presidente Dilma Rousseff (Foto: Reprodução/Agência O Globo)

Para Silvia, o Partido dos Trabalhadores está longe de ser o único culpado da situação que o Brasil se encontra. “Queria muito que a presidente conseguisse trabalhar, porque, mal ou bem, ela foi eleita. Existem fragilidades, sou crítica a vários aspectos do governo dela também, mas ela entrou em janeiro, em março já tinha gente querendo tirá-la, o que mostra um desgosto, uma não-aceitação ao PT, que eu acho triste. Não que eles não tenham contribuído, mas é muita cara-de-pau colocá-los como o partido mais corrupto da história, não dá”, analisou ela, imaginando as possibilidades para o futuro. “Se tiver impeachment, e aí? É o que? O (Michel) Temer? Se não tiver também não estou dizendo que vai ser incrível, provavelmente não será, a situação econômica está difícil, não sou cega. Mas que seja o que tiver de ser, com a presidente tentando passar as leis na câmara, algo além do Fla x Flu que virou”, disse. Na opinião da artista, a presidente Dilma é bem-intencionada: “Acho que ela quer melhorar. Nesse meio político de hoje em dia isso já conta muito”.

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A atriz está em três projetos no cinema e continua com “Ideia Fixa” no teatro (Foto: Divulgação)

A carta pró-Dilma, de acordo com Silvia, é uma forma de os artistas se aproximarem da política, que ela acredita ser essencial. “Acho importante essa conscientização. Aliás, é fundamental para qualquer pessoa se aproximar da política. Se uma coisa me irrita muito é gente que se diz ‘apolítica’. Nem sei de onde tiraram esse termo. A vida é politica, nossas decisões. E, se formos ver historicamente, os artistas estão próximos à política, sim. O normal, na minha opinião, é essa aproximação. O anormal é o que estamos vendo hoje em dia, essa apatia. Acho que tem que misturar arte e política mesmo”, opinou.

Se já falamos de política, não poderíamos deixar de falar de arte. Além do filme “Reza a lenda”, Silvia já tem a agenda cheia para 2016. Ela, que fez apenas uma participação no longa de Homero Olivetto, contou que trabalhar com os jovens do elenco foi uma experiência ótima. “Foi bom ser veterana dessa galera. Ser a mais velha me fez ver que compromisso e a seriedade aumentam com o tempo. Quando somos mais jovens, a gente é mais leviano com tudo. Mesmo eu tendo trabalhado com jovens especialmente sérios e totalmente responsáveis, eu percebo que o comprometimento de uma pessoa de 40 é maior do que uma de 20, mas tem o lado mais relaxado ao mesmo tempo. Você já fez vários filmes, peças, coisas que deram certo e que deram errado, então a vida não está em jogo. E também porque foi um personagem pequeno, então é mais tranquilo ter uma relação mais distante”, explicou.

Sua Tereza, aliás, é uma personagem totalmente diferente da intérprete. “Ela é uma mulher da elite do interior do Nordeste e, enquanto o mundo está estourando, ela só quer saber de fazer uma festa junina. Então é um personagem fútil, diferente do que conhecemos. Aquela mulher que toma café da manhã com o padre de renda cor de rosa. Me interessou muito. Fora que o filme é muito bom, muito original”, elogiou.

Além de “Reza a lenda”, Silvia já tem outros dois projetos engatilhados para as telonas em 2016. “Tem ‘Montanha russa’, um projeto muito legal que eu adoro, do Vinícius Reis. Vou ser mulher do meu marido, Chico Díaz, em um casamento em crise, acabando”, adiantou. E como será atuar de forma tão íntima ao lado de alguém tão próximo? “Eu fiz um outro filme com ele ‘Os pobres diabos‘ que também deve ser lançado em 2016 então já tivemos essa experiência. Dá para separar o pessoal, sim. ‘Montanha russa’ ainda não gravamos, a previsão é filmar no segundo semestre do ano que vem. Em ‘Os pobres diabos’, fazíamos amantes, foi uma experiência bonitinha, calorosa, engraçada. Nesse, o buraco é mais embaixo, porque é um cara que foi mandado embora do emprego com 50 e poucos anos, se viu sem perspectiva. Não que a gente vá misturar, não tenho preocupação com o casamento, mas eu tenho certeza que vai mexer em coisas profundas na gente. Vamos fazer um casal já sem saco um para o outro, com uma filha adolescente”, comparou.

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Silvia Buarque e o marido, Chico Díaz, conferem resultado de cena de “Os pobres diabos” (Foto: Reprodução)

Ainda assim, ela garantiu que atuar “em família” é gostoso. “Foi surpreendentemente tranquilo tanto com meu marido como com a minha mãe – há três anos. Os dois são atores bem generosos. Não temos isso de corrigir o outro”, contou. E a vida pessoal, como fica no meio de tudo isso? “Levamos trabalho para casa sempre, independente de tudo, mas é saudável. Não acredito nisso de baixar um santo e fazer o personagem. Tem que ter uma certa técnica, somos operários, trabalhadores. Não é tão místico”, afirmou.

Além das telonas, Sílvia continua nos palcos com “Ideia fixa”, peça de Adriana Falcão em que atua ao lado de Guta Stresser e Rodrigo Penna. E os planos vão além! “Estamos no Teatro Poeira, mas queremos seguir carreira em 2016, sair do Rio de Janeiro. Estamos batalhando São Paulo e temos boas perspectivas que ainda não posso adiantar. Mas tenho certeza que a peça continua”, garantiu. Sorte nossa, que a veremos muito por aí.

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