Regiane Alves estreia peça, escreve livro e opina sobre novelas: “Público sente saudade de quem sempre esteve na TV”


Atriz estreia o espetáculo ‘Nosso Irmão’. A montagem investiga as relações humanas e conta a história de três irmãos que se reencontram após a morte da mãe. Nesta entrevista, Regiane fala do trabalho e anuncia projetos no cinema e até um livro infantil para este ano. Comenta também sobre a sua saída da Globo em um momento de transformação pessoal, e ao falar das críticas às muitas das novelas recentes exibidas na TV aberta, com elencos com um número menor de atores mais experientes, ela opina: “Existe uma memória afetiva do público. Acredito que há espaço para todo mundo, atores novos e atores veteranos. Acho que já sentiram a necessidade desse equilíbrio na escalação, porque atores conhecidos estão voltando ao ar em ‘Vale Tudo’, por exemplo. Dá para ter o novo, dá para ter quem é da internet, mas tem que ter quem é de televisão”

*Por Brunna Condini

Regiane Alves volta à cena carioca com o espetáculo ‘Nosso Irmão‘ para uma curta temporada. A montagem conta a história de três irmãos que se reencontram após a morte da mãe. “Esse texto me atraiu porque fala das relações. Amo fazer personagens que vão a fundo nisso, como a Clara de ‘Vai na Fé’ (2023), que vivia uma relação abusiva, depois se redescobria e se apaixonava por uma mulher. A Teresa, minha personagem na peça, se mostra ‘poderosa’, mas tem uma vida que não quer. O texto fala sobre como os relacionamentos são importantes, difíceis, como de alguns não conseguimos sair… gera identificação”. Regiane encerrou seu contrato fixo com a Globo após 24 anos, em 2023, e diz se sente saudades da TV. “Fechei esse ciclo com uma novela de sucesso. E têm as reprises, então parece que estou sempre no ar. Acabaram de exibir ‘Cabocla‘ (2004) nas tardes da Globo. As pessoas têm muito carinho pelo meu trabalho. E me pedem para voltar às novelas, principalmente como vilã (risos)”.

O término do meu contrato com a Globo se deu ao mesmo tempo da minha entrada na menopausa… foi muita coisa junto. Cheguei a me questionar se a carreira continuaria, se eu teria que me reinventar fazendo outra coisa. Eu havia acabado de escrever um livro infantil, então fiquei pensando se não era o momento de investir na minha trajetória como autora. Foram muitas questões naquele momento – Regiane Alves

Abaixo, a atriz que já encarnou vilãs memoráveis como a Clara de ‘Laços de Família‘ (2000); a Dóris de ‘Mulheres Apaixonadas’ (2003); e a Alice de ‘Páginas da Vida‘ (2006); opina sobre as novelas hoje, fala dos projetos e da vida após saída da Globo:

 Regiane Alves estreia peça, fala da vida após saída da Globo, opina sobre as novelas hoje e dos projetos para 2025 (Reprodução/Instagram)

Regiane Alves estreia peça, fala da vida após saída da Globo, opina sobre as novelas hoje e dos projetos para 2025 (Reprodução/Instagram)

“Tem rolado muita coisa bacana. Surgiu esse espetáculo, que já fizemos em São Paulo e interior paulista. Além disso, fiz dois filmes que serão lançados este ano. Um deles é ‘Cartas para Deus‘, com direção do Fernando Ceylão, que conta a história emocionante de um menino que tem câncer, mas lida com tudo com muita esperança. Faço a mãe dele, Malu. Filmei também a cinebiografia do Silvio Santos (1930-2024), ‘Silvio Santos vem aí‘, dirigida pela Cris D’Amato, protagonizada pelo Leandro Hassum. Nela faço a Iris Abravanel. No meio disso, apresentei um videocast, o ‘Pod isso, mãe?‘, que me fez explorar um lado apresentadora. Esse projeto continua. E estou me lançando como autora com um livro infantil, o ‘Meu mundo é uma bola‘, que fala das diferenças sociais que acontecem dentro do esporte e da importância dos encontros, para além do placar”, conta.

Gostei de fazer coisas mais curtas nos últimos anos, com mais liberdade. Mas se me chamarem para fazer novela e for um bom papel, vou – Regiane Alves

A atriz estreia o espetáculo 'Nosso Irmão', que chega ao Sesc Copacabana à partir desta quinta-feira (20) para curta temporada (Divulgação)

A atriz estreia o espetáculo ‘Nosso Irmão’, que chega ao Sesc Copacabana à partir desta quinta-feira (20) para curta temporada (Divulgação)

As novelas hoje

Sobre as atuais produções, Regiane avalia: “Estou grudada em ‘Beleza Fatal‘, novela da Max. É o tipo de novelão que o público ama e sente falta. Acho que o remake de ‘Vale Tudo‘ tem tudo para ser assim. O público gosta é de boas histórias, com personagens bem construídos. O público brasileiro ama as novelas, é um gênero que fala muito de nós. Mas pode ser que o futuro seja de novelas mais curtas, como essas do streaming”.

Ao falar das críticas às muitas das novelas recentes exibidas na TV aberta, com elencos com um número menor de atores mais experientes, ela opina:

Existe uma memória afetiva do público, ele sente saudade de quem sempre esteve na TV. Acredito que há espaço para todo mundo, atores novos e atores veteranos. Acho que já sentiram a necessidade desse equilíbrio na escalação, porque atores conhecidos estão voltando ao ar em ‘Vale Tudo‘, por exemplo. Dá para ter o novo, dá para ter quem é da internet, mas tem que ter quem é de televisão – Regiane Alves

Regiane Alves em 'Cabocla', reprisada recentemente (Divulgação/Globo)

Regiane Alves em ‘Cabocla’, reprisada recentemente (Divulgação/Globo)

Ciclos

Aos 46 anos, a atriz já falou da entrada em uma menopausa precoce, e aqui detalha mais  como tem lidado com o novo ciclo. “Deve ser algo natural, mas nossa sociedade coloca muitos tabus ao redor do tema. Entrei neste processo aos 44 anos, o que é considerado relativamente cedo. Mas tenho um histórico, menstruei muito nova, fiz tratamento para engravidar do primeiro filho (ela é mãe de João Gabriel e Antônio)… então isso tudo acabou contribuíndo para essa situação precoce. Mas quando você recebe o exame de sangue que confirma que está na menopausa, é uma sensação, né? Você pensa: “Uau. Será que para a sociedade eu já deixei de ser útil, já fui?”. São questões que vêm em muito pouco tempo para assimilar. Depois, é pensar no que pode melhorar os sintomas e a reposição pode ajudar, para quem tem indicação de fazer. E cuidar do físico, da alimentação”, compartilha.

"Existe uma memória afetiva do público, ele sente saudade de quem sempre estive na história da TV" (Reprodução/Instagram)

“Existe uma memória afetiva do público, ele sente saudade de quem sempre estive na história da TV” (Reprodução/Instagram)

“Eu ia começar a gravar uma novela (‘Vai na Fé‘), e aí pega a história de afetar a memória, porque é real, mas fui tentando perceber o que se passava e lidar da melhor forma possível. E leva mesmo um tempo para tudo acalmar. É acordar de madrugada, é acordar com calorão, depois sentir frio…tive ressecamento nos olhos, tem aquela barriga que aumenta e diminui de uma hora para outra, dores nas articulações…você precisa se reconhecer novamente. Ao mesmo tempo, investi ainda mais nos exercícios, que são fonte de energia para mim, e na nutrição. E têm tantas mulheres inspiradoras na mesma faixa etária, mais maduras, olha a Fernanda Torres, a Claudia Ohana, a Fernanda Montenegro, estão aí, maravilhosas”.

Me sinto cheia de sonhos, estou viva, a menopausa é mais um ciclo. Acho que quanto mais falarmos, mais informações, menos tabus. Até porque vai passar. Ela firma que estamos entrando em um ‘segundo tempo’ da vida, que pode ser super produtivo – Regiane Alves

"Minha personagem na peça não tem filtro. Como atriz é bom fazer algo que não faço na vida" (Reprodução/Instagram)

“Minha personagem na peça não tem filtro. Como atriz é bom fazer algo que não faço na vida” (Reprodução/Instagram)

Em família

No espetáculo ‘Nosso Irmão’, Regiane Alves está em cena com Marina Elias e Bruno Feria, sob a direção de Dan Rosseto. “A peça é escrita por um autor espanhol, o Alejandro Melero, que inclusive vem para nossa estreia no Rio. Muito chique isso (risos). Falamos da relação entre três irmãos completamente diferentes. Faço a Teresa, a mais velha. Ela é uma mulher casada, mãe de cinco filhos, aparentemente forte, mas insatisfeita com a vida que tem. A outra irmã, Maria (Marina Elias), é uma produtora, uma mulher independente. E tem o irmão, Jacinto (Bruno Ferian), que está dentro do espectro autista. Eles se encontram após a morte da mãe, que deixa uma herança atrelada ao irmão, que acaba se mostrando o mais consciente deles. Aliás, falar do autismo, de inclusão, também é  alogo necessário que este espetáculo toca”.

Minha personagem é ranzinza, amarga. Fala as coisas na cara, sem nenhum tipo de receio. Às vezes eu até admiro essa falta de ‘filtro’ dela. Como atriz é bom fazer algo que não faço na vida – Regiane Alves

Regiane Alves, Marina Elias e Bruno Feria no espetáculo 'Nosso Irmão' (Divulgação)

Regiane Alves, Marina Elias e Bruno Feria no espetáculo ‘Nosso Irmão’ (Divulgação)