Teatro & Pensata

“Precisamos valorizar a arte e incentivar quem sobrevive dela”, revela o ator Anderson Di Rizzi

Estreando a peça "Um beijo em Franz Kafka", no Teatro Maison de France, no Rio, o ator deu detalhes do seu personagem ao HT e falou sobre as dificuldades que os artistas brasileiros enfrentam

Publicado em 04/06/2019 | Por Heloisa Tolipan

A amizade leal entre Kafka e Broad será explorada nos palcos do Teatro Maison de France (Foto: Priscila Prade)

A amizade leal entre Kafka e Broad será explorada nos palcos do Teatro Maison de France (Foto: Priscila Prade)

*Por Iron Ferreira

Após uma temporada em São Paulo, a peça “Um beijo em Franz Kafka”, indicada ao Prêmio Shell, chega ao Teatro Maison de France, no Rio. O espetáculo, dirigido por Eduardo Figueiredo, estreia no dia 7 e é baseado na vida do famoso autor alemão Franz Kafka. Apesar do sucesso, o ator Anderson Di Rizzi, que integra o elenco e também está no ar como o Márcio em “A Dona do Pedaço“, ressalta as dificuldades do profissional da arte no país: “Estamos fazendo a peça sem nenhum tipo de patrocínio. Mesmo com lei aprovada, não aparece investidor. É muito difícil viver de teatro no Brasil. Dependemos muito do público e desse boca a boca. Precisamos valorizar a arte e incentivar quem sobrevive dela. Muitas pessoas que foram assistir essa nossa apresentação se interessaram por buscar as obras do Kafka, o que mostra como uma vertente artística pode incentivar a outra”.

O texto, escrito pelo dramaturgo Sérgio Roveri, busca desmitificar a sua imagem sombria ao enfatizar a forte relação de amizade com o também escritor Max Brod. Em vida, Kafka pediu que o colega queimasse todos os seus textos não publicados após a sua morte, pois ele não acreditava em seu potencial. Com o seu falecimento, em 1924, Broad, em um gesto de puro amor e honestidade, se recursou a cumprir a solicitação do amigo e providenciou a publicação de toda a sua obra.

Com estreia marcada para dia 7, a peça irá mostrar outa vertente do escritor (Foto: Priscila Prade)

“O Max sempre foi um incentivador do Kafka, ele acreditava no sucesso e na qualidade do trabalho do amigo. No entanto, ele é surpreendido por um testamento que ordenava a incineração de toda a sua obra após a morte. Ele, é claro, se recusa a cumprir a exigência e se torna o viabilizador do ícone que conhecemos hoje. A peça enfatiza o carinho que existia entre os dois, passeando por momentos mais densos e dramáticos que exploram bem essa relação. Ao mesmo tempo, é um texto divertido que ressalta outras facetas de ambos os personagens”, afirmou Anderson, que viverá o amigo do escritor nos palcos.

Maurício Machado e Anderson Di Rizzi protagonizam a produção (Foto: Priscila Prade)

O carioca Maurício Machado, responsável por interpretar o protagonista, comentou sobre o seu personagem: “Eu recebi com muita satisfação o desafio de fazer um dos maiores gênios da literatura mundial. Ele foi responsável por influenciar outros grandes nomes como José Saramago, Eugène Ionesco, Mario Vargas Llosa, dentre outros. Foi uma pessoa que sofreu com a baixa autoestima por não se achar competente. Ele acreditava que as suas obras não interessavam a ninguém. É uma honraria estar fazendo parte desse projeto e interpretar um personagem com um universo tão amplo. Não tem tanto tempo assim que ele faleceu, mas é impressionante o legado que ele deixou e como ele se tornou uma unanimidade”.

Os atores ressaltaram a relevância da cultura e do teatro no Brasil (Foto: Priscila Prade)

Maurício ainda voltou a defender a importância da valorização do teatro para a cultura brasileira: “Todo e qualquer teatro é de suma importância para a nossa identidade. Os artistas são colocados como escória da sociedade, mas o nosso papel é de revelar a alma, o conhecimento, a percepção e provocar reflexões. Mesmo nos mais simples espetáculos de entretenimento é possível sorver algum tipo de experiência”.

SERVIÇO

Teatro Maison de France

Av. Pres. Antônio Carlos, 58 – Centro, Rio de Janeiro – RJ,

Telefone: (21) 2544-2533

Estreia: 7 de Junho

Apresentação: 07/06 a 28/07

Horário: Sextas e Sábados 20h e Domingos 18h30

Classificação: 16 anos

Duração: 1h10

Gênero: Drama

Ingressos:

Sextas e Domingos – $ 70,00 e $ 35,00 (meia entrada)

Sábados – $ 80,00 e $ 40,00 (meia entrada)

INGRESSOS ANTECIPADOS COM DESCONTO, ATÉ DIA 30 DE MAIO:

Sextas e Domingos – $ 60,00 e $ 30,00 (meia entrada)

Sábados – $ 70,00 e $ 35,00 (meia entrada)

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