Teatro & Pensata

A peça ‘E o vento vai levando tudo embora’ traz elenco jovem e talentoso em sua montagem com direito a texto inspirado pela música ‘Vento no Litoral’, de Renato Russo

Gabriel Chadan, Josie Pessôa e Juliano Laham vivem uma história de amor e amizade embalada por clássicos da MPB brasileira

Publicado em 16/06/2017 | Por Ana Clara Xavier

Amor e amizade são sentimentos que estão conectados por uma linha muito tênue. Em um segundo ou em dez anos, o carinho cultivado pode ir embora restando apenas dois desconhecidos. Em cartaz no Teatro Fashion Mall, a peça ‘E o vento vai levando tudo embora’ fala sobre dois amigos que se reencontram depois de alguns anos separados e, depois de um momento de estranhamento, reconhecem os dois meninos que existiram, mas haviam deixado para trás. No entanto, ambos se apaixonam pela mesma mulher vivida por Josie Pessôa, por isso o personagem interpretado por Juliano Laham precisa escolher entre os dois sentimentos. E tudo isso ambientado, imaginariamente, em uma praia. “Se estivesse no lugar dos personagens, escolheria a lealdade, sempre, porque é uma demonstração de amor e afeto. Os dois amigos são leais o tempo inteiro, inclusive com a menina que é o pivô da discussão”, afirmou Gabriel Chadan que contracena com o casal de atores. O espetáculo faz parte de uma trilogia que engloba a história dos meninos. ‘Aonde está você agora?’ fala sobre como eles se conheceram, a segunda é a que o elenco está fazendo no momento e a última, apesar de ainda não ter sido montada, vai ser o desfecho de tudo. A primeira foi montada nove vezes, inclusive no exterior, com grande elenco como André Gonçalves, Marcelo Serrado, Bruno Gagliasso e Tiago Martins.

A peça E o vento vai levando tudo embora fala sobre dois amigos que se apaixonam pela mesma mulher (Foto: Vitor Zorzal)

Renato Russo foi um dos espectadores da primeira produção e aplaudiu de pé, por isso, concedeu a roteirista Regiana Antonini o direito autoral de escrever a segunda peça inspirada pela canção ‘Vento no Litoral’, que foi gravada pela Legião Urbana nos anos 90. Além dele, vários outros cantores são reverenciados na peça com suas músicas de fundo. “Durante toda a peça, principalmente, nos monólogos existem trechos da música de Renato Russo. O próprio musico viu a primeira montagem há muito tempo, subiu no palco e liberou a canção. Acredito que exista uma energia musical muito grande nesse espetáculo, por termos composições de grandes cantores como ele e a Cassia Eller. Nesse sentido, já saímos na frente porque ambos os músicos são muito importantes valorizando a nossa produção”, comemorou Gabriel. Regiana possui a função de diretora e escritora na peça atual.

Gabriel Chadan e Josie Pessôa interpretam um casal de ex-namorados que precisam esclarecer o que ocasionou o fim da relação (Foto: Vitor Zorzal)

Logo depois de abertas as cortinas, o cenário composto por fitas brancas intercaladas faz o espectador se questionar sobre a função daqueles papéis. No entanto, depois de alguns minutos de peça, as faixas reproduzem imagens que conectam o público com o mundo mágico que o espetáculo busca mostrar. Cenas da praia e da cidade ilustram aos espectadores sobre o universo da peça. “A ideia de ter imagens atrás já existia, porque a diretora gosta de brincar com o cinema e o teatro, desde o início já tínhamos claras essas conexões. Tudo que o espectador vê em cena foi pensado para trazer o público para um universo específico. Neste caso, queríamos levar a galera para algo mágico onde os personagens se encontraram que é a praia. Através das imagens e da palavra do ator, é possível sentir o local. Somente no meio da peça é que mostramos o ambiente para poder fixar ainda mais no imaginário das pessoas”, contou Gabriel. Além disso, existe uma metáfora muito interessante na peça no formato de um livro da sorte que traz reflexões sobre a vida dos personagens e atua como uma espécie de previsão dos pensamentos e do futuro do trio. E as imagens que os personagens veem é passada no próprio cenário também.

Gabriel Chadan, em cena, pinta no cenário uma imagem que seria fruto da criação artística do personagen (Foto: Vitor Zorzal)

Segundo Gabriel, a ideia de não ter um cenário específico foi intencional. Ele ainda deu uma ideia de interagir com os papéis e utilizá-los como uma tela em branco. “A gente não usa muito o cenário, o grande protagonista é a palavra. Inclusive, durante a exibição de uma montagem, dei a ideia de fazer pinturas nas telas durante a cena. Vendo de fora, achei que combinava muito bem com o texto. Até aquele momento, o cenário era apenas um fundo branco, o que vem acontecendo muito por causa da falta de verba com as produções que, graças a Deus, não foi o caso. A nossa diretora e escritora é muito generosa e, quando comentei a ideia, ela topou no mesmo minuto. No final, as telas viram o cenário”, informou. Para ele, quando era preciso mostrar algo, os atores contavam com as palavras. Dentre as tantas metáforas, Gabriel tem uma favorita. “Somos criados com base na posse e no apego. Dentro disso, uma das partes que mais gosto é quando eles falam que é para seguir em frente com a vida, pois tudo passa”, complementou.

Gabriel Chadan e Juliano Laham são dois amigos que sentem muita falta um do outro por terem se separado quando ainda eram muito novos (Foto: Vitor Zorzal)

‘E o vento vai levando tudo embora’ traz reflexões sobre amizade, amor, lealdade e liberdade sexual. Por isso, o texto traz algumas insinuações sexuais entre os atores que, inclusive, pode ser criticado por alguns espectadores. “Às vezes, as pessoas criticam uma opinião que colocamos em cena, mas não podem se esquecer que não sou eu que tem aquele pensamento é o personagem que foi criado em uma certa cultura que tem. As brincadeiras e beijos são exatamente para instigar o debate de forma que as pessoas pudessem ver, no final da peça, como estão sendo preconceituosas. É a nossa forma de questionar o mundo. Queremos falar para as mulheres se libertarem sexualmente e falar para os homens não ter medo de dizer o que sentem pelos amigos”, questionou Gabriel falando, em especial, sobre a troca de abraços e gestos amorosos entre os dois amigos.

(Foto: Vitor Zorzal)

O personagem de Gabriel é um garoto de 25 anos que se sente abandonado pela vida e, por isso, tem alguns posicionamentos um pouco rebeldes. Além disso, ele é muito ciumento com a sua ex-namorada interpretada pela atriz Josie Pessôa. “No fundo, todos somos possessivos e ciumentos como ele, a diferença é que algumas pessoas conseguem trabalhar melhor os sentimentos. A minha leitura do texto é que ele nem tinha ideia de quanto sufocava a namorada, vai percebendo apenas com a desenvoltura do espetáculo. Fora a parte escrita, utilizei muito das minhas técnicas de teatro para aperfeiçoá-lo”, informou.

Gabriel Chadan, Josie Pessôa e Juliano Laham fazem parte de uma nova geração teatral e mostram que vieram para provar que os novos atores também tem muita qualidade (Foto: Nana Moraes)

Mas o Gabriel não atua somente nos palcos. Este ano, o ator que já apareceu em novelas como ‘Avenida Brasil’ e ‘A lei do amor’ foi convidado para participar mais uma vez de ‘Malhação’. “Já trabalhei em malhação em 2012 e tive oportunidades muito bacanas lá, fui muito feliz lá dentro. Fazer televisão é muito intenso e prazeroso. Essa nova Malhação mudou muito e, pela primeira vez na história da tv, serão cinco protagonistas jovens e de classes sociais diferentes. Trazer uma novela adolescente com o slogan ‘viva a diferença’ é algo muito importante, principalmente, no mundo que vivemos hoje onde o Oriente Médio está explodindo e o Brasil está nessa violência louca. Isso mostra que a emissora está se preocupando com o que está acontecendo. Algumas pessoas falam mal do programa, mas toda a emissora tem um cunho comercial e não seria possível manter algo ruim por quase quatro gerações de atores como acontece com Malhação”, debate o ator. Na novela, vai ilustrar os famosos MCs que fazem mais de oito shows por noite no papel do MC Pimenta.

Os talentos do rapaz não param por aí. Ele faz parte da banda ‘Fulanos e Ciclanos’ com a sua namorada Ana Terra e o amigo Alan Alves, há cerca de seis anos. O ritmo do conjunto mescla rap, soul, black e reggae e está cheio de projetos pelo Brasil. No meio de junho, o grupo participará do ‘EcoFestival’ na cidade de Cuiabá onde irão plantar árvores em pleno cerrado. Além disso, irão participar do Brazilian Day em San Diego, na Califórnia. O grupo já lançou o clipe da música ‘Vamos voar’ e foi muito bem recepcionado. “Paulo Gustavo, Reynaldo Gianecchini, Felipe Roque e entre outros artistas repostaram o nosso vídeo o que foi muito importante para nós. Todos eles disseram que gostaram muito do clipe o que é importante porque percebemos que a nossa comunidade artística está nos apoiando”, contou.

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Serviço:

Local: Teatro Fashion Mall

Data: Sexta, às 21:30 / Sábado, à 21h / Domingo, às 20h – Fica em cartaz até dia 25 de junho.

 

Classificação: 14 anos
Duração: 75 min

Vendas Bilheteria
DIA: Sexta e Domingo
INTEIRA: R$ 70,00
MEIA: R$ 35,00

DIA: Sábado
HORÁRIO: 21:00
INTEIRA: R$ 80,00
MEIA: R$ 40,00

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