Paulo Vilhena está no teatro, cria videocast sobre paternidade após os 40 anos e deixa no ar: “Quem sabe volto à TV?”


Aos 47 anos e 28 de carreira, o ator retorna aos palcos, após seis anos, com a comédia ‘Qualquer Gato Vira-Lata Tem Uma Vida Sexual Mais Sadia que a Nossa!’. Vilhena, que fez sua última novela na Globo em 2018 (‘O Sétimo Guardião’), revela convite recente para novelinha vertical, e fala da saudade das tramas: “Sou cria da televisão. A teledramaturgia brasileira é um produto incrível. Já vi gringos chegarem no estúdio e falarem: ‘Como é que vocês fazem isso?’. A gente gravando 50 cenas por dia, o que é mesmo impressionante. Tenho muito orgulho de ter feito parte disso, e continuo fazendo. E, quem sabe, a gente não se vê na telinha novamente em breve?” O ator reflete sobre amor vivido na prática, maturidade no casamento com Maria Luiza, paternidade após os 40 e transformação pessoal. Ele investe em novos projetos, como longa inspirado em história real e videocast sobre paternidade

*Por Brunna Condini

Depois de seis anos afastado do teatro, Paulo Vilhena retorna aos palcos com a comédia romântica ‘Qualquer Gato Vira-Lata Tem Uma Vida Sexual Mais Sadia que a Nossa!’. O reencontro com a cena acontece em um momento em que o amor deixou de ser apenas tema de mais um trabalho para se tornar uma experiência vivida em profundidade. Casado com Maria Luiza Vilhena e pai de Manuela, de dois anos, o ator atravessa uma fase que, segundo ele, redefine não só sua forma de sentir, mas também sua relação com o ofício. “Estou vivendo integralmente o amor hoje, com a minha mulher, com a minha filha. Então, quando você pega um texto como o que estou fazendo agora, em que o amor é a grande busca, isso fica mais claro. É um momento muito bonito da minha vida. Tem o amor pessoal, muito presente, e também o amor pelo ofício, pelo palco, pela dramaturgia, pela plateia. Acaba sendo uma grande explosão de amores”, diz o ator, que aos 47 anos, completa 28 de carreira em 2026.

Vilhena vive há sete anos um relacionamento com Maria Luiza, com quem construiu uma história marcada por uma forte ligação e desafios superados em conjunto. “Quando a gente se encontrou, nenhum dos dois estava buscando um relacionamento. Foi um encontro no meio de um certo caos de cada um. Passamos por momentos difíceis — inclusive questões de saúde dela (Maria Luiza relatou publicamente que precisou tratar a dependência química em medicamentos, principalmente em um remédio derivado da anfetamina, usado  no tratamento do transtorno do déficit de atenção) — e isso trouxe uma maturidade muito rápida para a nossa relação. Foi uma construção de amor, cuidado, responsabilidade e parceria. Escolhemos ficar juntos”.

Paulo Vilhena volta ao teatro após seis anos e vive fase de amor pleno na vida e na carreira (Foto: Marcia Fasoli)

Paulo Vilhena volta ao teatro após seis anos e vive fase de amor pleno na vida e na carreira (Foto: Marcia Fasoli)

Longe das novelas desde 2018, quando integrou o elenco de ‘O Sétimo Guardião’,  o ator segue sendo lembrado pelo público. Ele reconhece o vínculo, fala com afeto sobre esse período e não descarta um retorno. “Sou cria da televisão. A teledramaturgia brasileira é um produto incrível. Já vi gringos chegarem no estúdio e falarem: ‘Como é que vocês fazem isso?’. A gente gravando 50 cenas por dia, o que é mesmo impressionante. Tenho muito orgulho de ter feito parte disso, e continuo fazendo. E, quem sabe, a gente não se vê na telinha novamente em breve?”, indaga, deixando no ar a possibilidade. E revela um convite recente:

Me chamaram para fazer essa novela vertical que estreou (‘Uma babá milionária’, do Globoplay), mas eu já tinha compromissos no período. Acho o formato interessante. Um novo jeito de contar histórias, mais direto, fragmentado. Talvez seja até uma porta de entrada para os mais jovens também assistirem o novelão tradicional – Paulo Vilhena

"É um momento muito bonito da minha vida. Tem o amor pessoal, muito presente, e também o amor pelo ofício, pelo palco, pela dramaturgia, pela plateia" (Foto: Marcia Fasoli)

“É um momento muito bonito da minha vida. Tem o amor pessoal, muito presente, e também o amor pelo ofício, pelo palco, pela dramaturgia, pela plateia” (Foto: Marcia Fasoli)

Enquanto avalia os próximos passos na televisão, o ator segue com uma agenda diversa. Além da peça em cartaz  ele se prepara para filmar o longa ‘45 Dias’, inspirado na história real do multiatleta Roger Chedid, e mergulha também em um projeto que dialoga diretamente com o momento que vive fora de cena: “Estou trabalhando em um videocast sobre paternidade, que é o ‘Que pais são esses?’, para aproveitar essa minha ebulição paternal e compartilhar um pouquinho desse universo que tenho vivenciado”.

Conexão e descobertas

Durante essa entrevista, que aconteceu por vídeo, direto do apartamento que Vilhena está morando com o família em São Paulo, ele chamou a esposa, Maria Luiza, para contar uma curiosidade que atravessa a história dos dois com uma camada quase espiritual. Sem nunca ter conhecido o sogro, Sergio Atz, que morreu há nove anos, ela relata sonhos recorrentes e intensos com ele. “Várias vezes acordei chorando e falava: ‘Amor, eu vi seu pai, conversei com ele’. Tenho uma sensação muito forte da presença dele”, conta. “Eu sempre digo para o Paulo: foi seu pai que me trouxe pra você”, completa, ao falar sobre essa conexão que, para o casal, não se explica, mas se sente.

Paulo Vilhena com a mulher Maria Luiza e a filha Manoela (Foto: Reprodução/Instagram)

Paulo Vilhena com a mulher Maria Luiza e a filha Manoela (Foto: Reprodução/Instagram)

Aliás, a conexão entre eles começou por iniciativa de Maria Luiza, que promoveu o primeiro encontro, mas se fortaleceu com o amor e a parceria ao longo do tempo, consolidando-se com a chegada de Manoela. Paulinho conta que a paternidade, que veio aos 44 anos, quando ele já não acreditava mais nessa possibilidade, foi um ponto de virada absoluto em sua trajetória: “Já não pensava mais em ser pai. E, de repente, a vida se renova. Você cria uma nova versão de si mesmo. Parece que começa tudo de novo, com mais força, mais propósito”, divide.

Me sinto muito completo hoje. Se vier mais um filho, vai ser para transbordar ainda mais amor, mais abundância. Mas não é uma busca. Estamos vivendo o presente – Paulo Vilhena

Paulo Vilhena está em cartaz com ‘Qualquer Gato Vira-Lata Tem Uma Vida Sexual Mais Sadia que a Nossa!’ (Foto: Jofí Herrera)

Paulo Vilhena está em cartaz com ‘Qualquer Gato Vira-Lata Tem Uma Vida Sexual Mais Sadia que a Nossa!’ (Foto: Jofí Herrera)

Esse novo lugar também se reflete no palco e na forma como ele se relaciona com o público. Mais do que interpretar, Vilhena fala de um senso ampliado de responsabilidade e de legado. “Hoje, aos 47 anos, tendo me tornado pai, é diferente estar em cena. Sinto que tenho um compromisso maior, não só com o público, mas com o que deixo para a minha filha. A profissão ganha um frescor, uma nova importância”. A transformação se estende também à maneira como se comunica fora dos palcos. Influenciado pela esposa, ele se aproximou das redes sociais, um território que, até então, não dominava. “Ela me disse: ‘Você tem um público que ainda não te conhece, e ele está na internet’. Eu não sabia usar as ferramentas. E ela falou: ‘Fica na frente da câmera que eu faço o resto’. E aí começou a fluir. Cresci nas redes, comecei a trabalhar com marcas e achei interessante. É uma  forma de comunicação mais próxima”.

A peça

O ator está em cena com ‘Qualquer Gato Vira-Lata Tem Uma Vida Sexual Mais Sadia que a Nossa!’, nova montagem do texto de Juca de Oliveira, dirigida por Alexandre Reinecke, ao lado de Duda Reis e Vittor Fernando, em cartaz no Teatro das Artes, em São Paulo, até 31 de maio. Na trama, Tati (Duda Reis) tem a vida amorosa virada do avesso ao ser abandonada por Marcelo (Vittor Fernando) e se envolver com Conrado (Vilhena), um professor que tenta explicar o amor a partir de teorias científicas inspiradas no comportamento animal.

Sobre esse ponto de vista, Vilhena reflete: “No passado, o instinto falava mais alto, era mais arrebatador, mas também mais fugaz. Hoje entendo que o amor acontece em outro estágio. Ele é construção: é o dia a dia, é parceria. É o tijolinho em cima do tijolinho. Mas é importante manter o instinto vivo. Acho que uma coisa alimenta a outra”.

Paulo Vilhena, Duda Reis e Vittor Fernando dividem o palco em espetáculo (Foto: Jofí Herrera)

Paulo Vilhena, Duda Reis e Vittor Fernando dividem o palco em espetáculo (Foto: Jofí Herrera)