Teatro & Pensata

Oscar Filho foca na carreira de ator, não vê “CQC” e sentencia: “Não acredito em um assunto que seja tão intocável que não se possa fazer piada”

Oscar, que está em cartaz com o espetáculo “Putz…Grill” no Teatro Clara Nunes, na Gávea, disse que não restam mágoas da Band, lamenta a corrupção e os rumos de seu antigo programa: "O ‘CQC’ não faz mais humor político"

Publicado em 14/09/2015 | Por Lucas Rezende

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Não faz muito tempo que o humorista Oscar Filho postou em seu Twitter a foto de um homem barbado, com olhos claros, com as feições próximas a que a grande maioria imagina ter Jesus Cristo. “Eu encontrei Jesus”, escreveu. Nem nos atuais tempos de politicamente correto, onde tudo é motivo para sentar nas cadeiras do tribunal e ser apedrejado virtualmente, Oscar se autopolicia. Mesmo a pauta sendo religião. “Delicado é, mas não acredito num assunto, qualquer que seja ele, que seja tão intocável que não se possa fazer piada”, acredita. “A minha religião é fazer as pessoas rirem. Se algumas se ofendem por conta disso, talvez seja porque a fé delas não é forte o suficiente pra olhar pra piada e pensar: ‘ah, é apenas uma piada'”.

E para sedimentar essa lacuna que tanto defende, Oscar usa das armas dos próprios cristãos. “Muitos dizem ‘minha fé é inabalável’ e logo depois se ofendem com um piada religiosa. Oras, então não se abale. Siga em frente e seja feliz. A piada serve, justamente, para revermos nossos conceitos sobre as coisas de forma leve”, opinou. Oscar, paulista de Atibaia, só faz piada com o que acha engraçado e acha que o limite do humor é algo bem particular.  Talvez por achar isso que ele faz os 70 minutos de seu espetáculo “Putz…Grill” repletos de fatos de sua vida. O stand up, que ganhou o 10° Prêmio Jovem Brasileiro na categoria, está em curta temporada no Teatro Clara Nunes, na Gávea, todas as quintas-feiras até o dia 24 de setembro.

Além do espetáculo, ele está no elenco da peça “Caros Ouvintes”, do filme “Carrossel” e da série “Aí eu vi vantagem!” (Multishow). Foco total na carreira de ator depois da saída da bancada do “Custe o que custar” (Band). Saída essa, aliás, que ele soube pela internet. Se resta rancor? “Não, nenhum. Já faz 10 meses. Se isso ainda mexesse comigo, teria que fazer terapia”. Mas desde que abandonou o terno preto, Oscar não liga mais na Band às segundas-feiras à noite. “Não assisto. Assim como não assisto uma infinidade de coisas que passam na TV. O ‘CQC’ não faz mais humor político, que era o que eu gostava de ver no programa, mesmo estando dentro dele. Quando ainda estava lá, esse humor foi acabando aos poucos. Hoje não existe”, opinou dizendo que não pode responder “sobre a qualidade do programa”.

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Quando o assunto é política ele também não se abre tanto. “Não votei em ninguém na última eleição e não é que estou me esquivando da política. Como fui cobrir a votação da Dilma pelo ‘CQC’ tive que justificar o voto”, lembrou.  Se está arrependido? “Me arrependo e tenho pena de viver num país que nasceu na corrupção. Estou falando de 500 e pouco anos atrás. Foi ali que a coisa começou e não parou mais. Será difícil reverter um quadro tão antigo e tão arraigado quanto a corrupção no nosso país que faz parte de um continente sul igualmente corrupto”, lamentou. Quando questionado sobre o governo Dilma Rousseff e o mandato de Eduardo Cunha na Câmara dos Deputados, desconversou. Por outro lado, fala numa boa de quando sua ex-namorada o traiu com outra mulher. “Me achei um idiota! Se fosse hoje eu me jogava na cama junto com ela”, brinca vendendo o peixe: “Conto exatamente como foi a experiência no meu livro ‘Autobiografia Não Autorizada’“.

Quando o papo caminha para a legalização da maconha e maioridade penal, por exemplo, assuntos complexos na opinião de Oscar, sua posição de formador de opinião é colocada em xeque. E pelo próprio. “Quem sou eu pra responder sobre isso? Já me disseram várias vezes que eu não poderia fazer piada sobre tudo porque eu sou um formador de opinião. Eu não concordo. Não sei se as pessoas querem saber minha opinião sobre isso porque não sei se interessa pra elas. Talvez a opinião de um médico seja interessante, ou de um usuário. Eu sequer fumo maconha”, justificou. E nem só por isso: “Há uma tendência em achar que qualquer artista tem que ter opinião sobre qualquer assunto. Não sei se concordo. Acredito que a arte do artista tem que vir antes dele. Se eu for falar sobre maconha, talvez faça uma, duas piadas dentro do meu show. Talvez, faça um show inteiro sobre isso ou sobre a maioridade penal”. Talvez….

Serviço

Oscar Filho em “Putz..Grill”

Quando: De 03 a 24/09 – Quintas (R$ 60,00) às 21h30.

Onde: Teatro Clara Nunes – Shopping da Gávea (Rua Marquês de São Vicente, 52 – Gávea)

Vendas online: http://www.compreingressos.com/espetaculos/213-putz-grill-com-oscar-filho

 

Censura: 14 anos

Duração: 70 minutos

 

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