Teatro & Pensata

Ópera infantil “Menina das nuvens” retorna aos palcos do Theatro Municipal do Rio de Janeiro, onde estreou em 1960

A nova montagem tem figurino e cenário assinados pela carnavalesca Rosa Magalhães, filha de Lúcia Benedetti, que compôs a obra junto de Heitor Villa-Lobos

Publicado em 25/10/2015 | Por Karina Kuperman

Projeto de família. Esse é o termo perfeito para definir a nova montagem de “Menina das nuvens” que estreou nessa sexta-feira, 23, no Theatro Municipal do Rio de Janeiro. Explicamos: a nova temporada da ópera infantil de Heitor Villa-Lobos e Lúcia Benedetti tem figurino e cenário assinados por ninguém menos que Rosa Magalhães, filha da autora. “Eu tinha muita vontade que essa obra fosse montada e fiquei muito satisfeita. A produção veio de Belo Horizonte, já esteve em São Paulo e ganhamos o prêmio de melhor cenário, que me deixou muito feliz. É uma responsabilidade maior trabalhar em algo assinado pela minha mãe e Villa-Lobos”, disse ela. E não é só o visual que chama atenção. Na temporada paulista, a montagem levou o Prêmio Carlos Gomes de Música Erudita também nas categorias espetáculo, iluminação e produção.

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A peça já esteve em outras cidades e chegou ao Rio de Janeiro ontem (Foto: Divulgação)

A peça conta a história de uma menina criada nas nuvens pelo tempo, mas que sonha em voltar à terra para conhecer sua família. “A menina cresce nas nuvens até os 18 anos, mas quando abre o armário que guarda todos os barulhos do mundo, ela acha a mãe chamando-a e então consegue carona com o tufão, que a leva de volta para casa. Aí começa o segundo ato”, adiantou Rosa. E como é representar através de roupas e cenários, elementos tão abstratos como o tempo? “É tudo bem simples. A roupa mais complicada é a da lua. Ficamos muito tempo debatendo como seria o vento, o tempo. Não é alegórico”, explicou, referindo-se ao carnaval, festa da qual é um dos grandes nomes. “Os materiais são diferentes. O teatro passa várias vezes, o carnaval é uma só, é maior e mais efêmero, então pode ser menos resistente”, analisou.

No palco, a solista Gabriella Pace, o baixo Lício Bruno, os barítonos Inácio de Nonno e Marcelo Coutinho, as mezzo-sopranos Regina Helena Mesquisa e Adriana Clis e os tenores Flávio Leite e Giovani Tristacci ajudam a contar a história através de músicas regidas pelo maestro Roberto Duarte. Já a direção das cenas fica por conta de William Pereira. Trabalhar com o público infantil, de acordo com Rosa Magalhães, é surpreendente. “A recepção é ótima. É uma ópera lúdica e linda”, disse. A obra que estreou em 1960 no mesmo palco para onde volta, já foi apresentada em inglês no teatro Americas Society, em Nova York e ganhou montagens no Palácio das Artes e no Theatro Municipal de São Paulo. É programa de criança, mas cativa qualquer adulto.

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