Teatro & Pensata

Na Arena Banco Original, Stepan Nercessian interpreta Chacrinha em musical que transita por diferentes emoções: “Diziam que não era interpretação o que eu fazia, e, sim, mediunidade”, conta o ator

Indicado por Fernanda Montenegro para este papel, o ator contou que sua brilhante interpretação é resultado de uma combinação de dois fatores: metade é atuação e a outra parte é a magia do teatro, "Ele é tão sensacional que, a minha maior missão é só não atrapalhar a essência de quem foi o grande Abelardo Barbosa. Até porque, naquele momento, eu sei que ninguém veio ver Stepan no palco"

Publicado em 22/01/2017 | Por Julia Pimentel

Abelardo Barbosa, está com tudo e não está prosa”. Um dos maiores ícones da televisão brasileira é o enredo do espetáculo “Chacrinha – o Musical” apresentado ontem na Arena Banco Original. Para uma sala animada com capacidade para 480 pessoas, Stepan Nercessian encarnou o grande comunicador em um musical que, literalmente, traduziu o sentido de espetáculo. No palco, 30 atores, oito músicos e cerca de 400 figurinos contam a história de Chacrinha em um enredo que vai da juventude ao sucesso “interplanetário mundial”, sem esconder os dramas e as felicidades da vida. Para esta super missão, até Stepan Nercessian, com mais de 45 anos de profissão, contou que não sabia se seria capaz. Ele, que foi indicado por ninguém menos que Fernanda Montenegro, sogra de Andrucha Waddington, diretor do espetáculo, já rodou o país emocionando familiares, fãs e admiradores do trabalho do velho Chacrinha.

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Andrucha Waddington, diretor, e Stepan Nercessian como Chacrinha (Foto: Reprodução)

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“O Chacrinha é um personagem muito original e que todos tentam copiar. Mas eu não sou imitador e nem sei copiar voz, por isso achava que seria a última opção para interpretá-lo no palco. Quando eu decidi que toparia esse desafio, eu tinha como certeza que não faria nada da boca para fora”, contou o ator que preferiu criar o seu Abelardo Babosa a partir das lembranças que tinha. “Eu evitei ao máximo ver vídeos e imagens dele no Cassino justamente por que eu não queria copiar nada. Eu achava que o Chacrinha jamais iria assistir algo para imitar e fazer a versão dele. Então, eu incorporei essa ideia e criei o meu próprio Abelardo Barbosa”, revelou.

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No palco, a voz, o figurino, o ambiente e as características do Chacrinha ficam evidentes na atuação de Stepan Nercessian. Em um espetáculo interativo, muito rico e que traz outros grandes nomes brasileiros representados como Elke Maravilha, Roberto Carlos, Dercy Gonçalves e Ney Matogrosso, o ator destacou que metade do sucesso deste personagem é devido o seu trabalho, a outra é pela magia do teatro. “Quando você entra no palco com a buzina, a cartola e todo o figurino, é muito fácil que as pessoas identifiquem o Chacrinha. Mas eu precisava encontrar uma forma de fazer com que o público acreditasse naquele personagem em sua essência de ser humano, livre de toda aquela ornamentação”, apontou Stepan que, durante o musical, consegue arrancar gargalhadas e lágrimas do público presente. “Me surpreendeu quando a família começou a chorar quando me viu no palco, porque era como uma viagem no tempo. Muita gente chegava para mim e dizia que não era interpretação o que eu fazia, e, sim, mediunidade. Eu não tenho certeza. O fato é que eu represento um cara que se comunicava e brincava com todos. E ele é tão sensacional que, a minha maior missão é só não atrapalhar a essência de quem foi o grande Abelardo Barbosa. Até porque, naquele momento, eu sei que ninguém veio ver Stepan no palco. As pessoas vieram ao teatro com a intenção de relembrar o velho Chacrinha”, disse.

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E a missão de Stepan Nercessian realmente foi cumprida. Para esta atuação, o ator bebeu das fontes mais memoráveis do grande comunicador para criar um Chacrinha real e ao mesmo tempo lúdico. Prova deste mergulho profundo de Stepan na essência de Abelardo Barbosa é a voz dele durante o espetáculo. Por mais de uma hora, o ator sustenta um tom rouco bem fiel a forma que Chacrinha se comunicava na televisão. “Quando eu chego para fazer o espetáculo, eu não conseguiria usar a minha voz. Então, no momento em que eu me transformo em Chacrinha, eu não consigo mais fazer a minha voz e ter os meus trejeitos. É automático e natural”, explicou. Assim como a forma de falar, as brincadeiras também ficam evidentes no musical em homenagem a Chacrinha. Assim como o comunicador fazia em seu Cassino, a improvisação e a interação com a plateia também fazem parte do musical apresentado na Arena Banco Original. “Eu improviso dentro do espirito do Chacrinha. Ele era um homem corajoso e que improvisava mesmo. Afinal, ele fazia programa ao vivo, não era essa tecnologia morta não. Então, o Chacrinha tinha que saber improvisar. Mas, apesar de todas as brincadeiras que eu faço no palco, tem uma característica dele que eu acho essencial preservar: o Chacrinha podia brincar do que fosse, mas nunca ofendia e nem mentia sobre a realidade. Se aparecesse um cara horroroso, por exemplo, ele brincava perguntando se o homem era assim mesmo ou se estava de sacanagem”, contou aos risos.

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E por falar no Cassino do Chacrinha, Aniela Jordan, produtora da Aventura Entretenimento e responsável pelo musical, contou que ir além da grande obra do personagem foi um desafio. Embora essencial e super importante na trajetória de Chacrinha, o programa não podia representar todo o espetáculo. “Quando a gente fala dele, imediatamente pensamos no Cassino do Chacrinha. Mas não tinha como fazermos duas horas de espetáculo só com o programa, por mais importante que ele tivesse sido. Então, o Andrucha e o cenógrafo Gringo Cardia decidiram conceituar de uma forma que mostrasse primeiro o sertão, que foi da onde ele veio, para depois entrar na televisão e no sucesso”, explicou sobre o enredo que conta a origem de alguns bordões e elementos da história do personagem, como, por exemplo, a buzina, que é uma referência ao som do caminhão do pai de Chacrinha que passava pelas ruas vendendo água.

Stepan Nercessian como Chacrinha (Foto: Reprodução)

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Com uma história tão importante e popular para a cultura brasileira com a de Chacrinha, Aniela Jordan disse que a tradicional empresa de entretenimento, a Aventura, só decidiu apostar no mercado do musical nacional depois da consolidação de grandes produções. Segundo ela, que também já produziu espetáculos como de Elis e Simonal, o gênero dos musicais precisou primeiro ser estudado em solo tupiniquim. “No começo, nós só fazíamos espetáculos internacionais, porque acreditávamos que o mercado não estava muito consolidado aqui no Brasil. Então, fomos responsáveis por pôr nos palcos grandes clássicos, como “A Noviça Rebelde”. Mas, em um determinado momento, vimos que o musical já tinha amadurecido na nossa cultura e que poderíamos inovar em espetáculos levando personagens da nossa história para os palcos”, disse Aniela que, no final deste ano, irá estrear um novo musical. Desta vez, em homenagem a Ayrton Senna. Lá vem mais um sucesso nos palcos brasileiros!

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Neste domingo, a programação plural da Arena Banco Original segue intensa. Às 15h, Ana Velloso e seu time completam a trilogia de musicais infantis com o espetáculo “Forró-miudinho”, que conta a história do gênero nordestino para os pequenos. Às 17h, a festa “Pôr do Samba” encerra mais um fim de semana no Armazém 3 com shows de Mart’nália, Péricles e a roda de samba comandada por Thiago Martins. Vem curtir com a gente o domingão de sol!

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