Teatro & Pensata

Mesclando realidade e ficção, a peça “Helena Perdida” debate poder e política nos palcos do Teatro Poeira

O espetáculo estará em cartaz até o dia 28 de agosto. O Site Heloisa Tolipan conversou com a atriz Paula Valente, responsável por interpretar a personagem título, que nos contou detalhes da ambiciosa mulher. Vem conferir!

Publicado em 18/08/2019 | Por Heloisa Tolipan

*Por Iron Ferreira

Durante um grandioso evento no alto de uma cobertura carioca, a sexta mulher mais rica do mundo se reúne com políticos, empresários e os mais importantes líderes locais com o intuito de decidir os rumos de toda a cidade, estabelecer pactos e criar alianças. Essa é a trama do espetáculo “Helena Perdida”, com direção e dramaturgia de Rafael-Souza Ribeiro, que está em cartaz no tradicional Teatro Poeira, que pertence as sócias Andrea Beltrão e Marieta Severo, até o dia 28 de agosto. Qualquer semelhança com o atual momento político carioca não é mera coincidência. “A peça funciona desde sua estreia como uma crônica sobre o país. É uma ficção, lógico, tudo ali é inventado, mas encontra sim ressonância em fatos recentes do nosso noticiário. Mas antes de apontar este ou aquele episódio político, a gente queria convidar o espectador a refletir sobre como o poder se concentrar em poucas mãos e o futuro de uma cidade poder ser decidido em questão de minutos”, afirmou o diretor Rafael-Souza.

A montagem aborda a delicada relação entre política e poder, usando o Rio de Janeiro como pano de fundo (Foto: Aline Macedo)

Responsável por interpretar a personagem título nos palcos, Paula Valente revelou que embora Helena seja muito rica e distante da realidade dos demais cidadãos, ela é uma mulher como outra qualquer, com seus defeitos e ambições: “Ela é da nata e gosta de viver nesse lugar. Não tem o menor interesse em descer e conviver com pessoas de outras classes sociais. A peça se desenvolve dentro dessa atmosfera. Tentamos deixar a personagem humana. Por mais que a gente a enxergue como uma alegoria, em relação aos grandes poderes e ambições, ela continua sendo uma mulher, com suas fraquezas e características. É muito fácil apontar o dedo e criticar o outro. Porém, é difícil enxergar a Helena que mora dentro da gente. Nascemos em uma sociedade tomada pelo preconceito, herdando essas características. Nossa intenção não era apenas apontar, mas provocar a reflexão do que existe dentre de nós mesmos”.

A ideia do espetáculo foi concebida em 2017, através de uma cena curta de 15 minutos intitulada “A Grande Festa”, idealizada para integrar a mostra artística, indicada ao Prêmio Shell na categoria inovação, Que Legado. Com o enorme sucesso da obra, Paula e Rafael decidiram adaptar o texto para o teatro. A atriz disse ainda que o principal objetivo da montagem é inspirar reflexão nas pessoas, tomando como exemplo a situação política do Rio: “Estamos no melhor momento possível para falar sobre esse assunto. A nossa cidade desperta essa reflexão. A peça consegue trazer o frescor das coisas que estão acontecendo no momento. São questões que assolam o nosso dia a dia e que acabam sendo abordadas no espetáculo. Infelizmente, Helena Perdida ainda é bastante atual”.

A peça surgiu a partir do curta “A Grande Festa”, idealizados por Rafael-Souza Ribeiro e Paula Valente (Foto: Aline Macedo)

A primeira temporada da produção foi apresentada ainda em 2018, no Teatro Municipal Ziembinski. Após a gravidez da artista, que foi obrigada a se retirar das apresentações no sétimo mês de gestação para dar à luz, a peça saiu de cartaz e retornou novamente em 2019, já para os palcos do Poeira. Ao mesmo tempo em que se sente realizada por estar se apresentando em uma das casas mais importantes do cenário cultural carioca, ela lamenta a triste desvalorização que o teatro, assim como todo o setor que ele movimenta, vem sofrendo.

“Eu sou muito fã desse teatro. Eu acho a curadoria dele muito bem pensada. Estamos muito felizes de fazer essa temporada ali. É notório que há uma dificuldade em se fazer teatro na cidade do Rio de Janeiro. Até os teatros da prefeitura, que sempre foram um grande alicerce, estão abandonados. Há uma evasão e uma dificuldade em conseguir pauta nesses teatros. O edital de fomento sumiu e não há previsão de retorno, isso é assustador! Por isso, nos sentimos muito privilegiados em poder levar a nossa arte e a nossa história para o Poeira”, pontuou.

“Helena Perdida” ficará em cartaz no Teatro Poeira até o dia 28 de agosto (Foto: Aline Macedo)

A atriz também revelou para o Site Heloisa Tolipan que espera inspirar mudanças sociais através da arte. Apesar de o espetáculo instigar a reflexão, é necessário que o público assimile o que esta sendo transmitido e reverbere suas impressões em ações: “Nossa intenção não é somente a de diversão. Temos como objetivo fazer com que as pessoas pensem e tentem transformar a realidade em que vivemos. É inevitável que o público identifique a situação apresentada como atual. Sentimos isso a cada apresentação”.

SERVIÇO

Temporada: até 28 de agosto de 2019

Local: Teatro Poeira

Endereço: Rua São João Batista, 104, Botafogo

Quando: terças e quartas às 20h

Ingresso: R$50 (inteira)\R$25 (meia)

Duração: 60 min

Gênero: drama tropical

Classificação: 12 anos

 

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