*por Vítor Antunes
Fábio Rabin apareceu num momento particular da comédia no Brasil, quando o programa do Jô Soares (1938-2022) abria espaço para jovens comediantes testarem material na TV. A boa repercussão o empurrou para voos maiores, até chegar ao “Pânico”, então um dos principais símbolos de humor, transgressão e picardia da televisão no início dos anos 2000. Hoje, ele olha para essa passagem com algum distanciamento. “Eu tenho uma característica que é muito curiosa: a de ser um comediante de vida. Eu sou um comediante involuntário, até. A minha vida inteira é pautada por oportunidades perdidas e acho até que podem parecer engraçadas para quem ouve. Eu aprendi para caramba no ‘Pânico’, tanto com a minha experiência em 2008 como em 2016. Mas, se pudesse voltar atrás — e não se pode voltar —, eu não faria em 2008. Eu estava muito cru para ir para uma TV aberta. Então, eu cometi uns erros que hoje, com um pouquinho mais de TV, eu não cometeria”.
Ele revela as novas empreitadas: em maio, se apresenta no Festival de Comédia Stand-Up, em Miami e pode ser visto ao lado do ator José Trassi na montagem “Nova Comédia”. Mais? “Vou estar no canal de internet, o Goat, que é um dos grandes do segmento, em que a gente vai fazer um programa sobre as rodadas da Copa do Mundo direto de Nova York e, ao mesmo tempo, vou estar como repórter dos jogos do Brasil, para assistir aos jogos e falar com a torcida. Além disso, vou ter um quadro novo na internet, cuja intenção é colocar celebridades para fazer stand-up, que não são diretamente ligadas à comédia, mas que eu julgo engraçadas. Eu fiz o primeiro com o Bola do ‘Pânico’”.
A entrada na TV foi abrupta. “Também é muito desafiador. Na época eu pensava em novela. De repente comecei a ir bem no stand-up e fui contratado pelo ‘Pânico’. Me deram um microfone na mão para ser repórter de praia, para mostrar mulheres seminuas. Era um negócio que eu nunca fiz, não tinha nenhuma experiência, e assim começou. E depois eu tive que zoar celebridade, que é um negócio que eu nunca quis fazer, especialmente atores — eu queria ser um. Eu não queria zoar um ator. Mas eu meio que abracei essa oportunidade.”
No meio do caminho, ficaram escolhas que ele ainda revisita. “Na época, eu tinha um convite para fazer MTV, para trabalhar como jurado do Mion, ali ao lado da Dani Calabresa, e eu declinei para ir para o ‘Pânico’. E eu acho que, se eu voltasse atrás, eu ganharia um salário menor e estaria na MTV, porque logo depois me convidaram ainda para fazer o ‘Furo MTV’. Uhum. Jornal diário. Declinei o ‘Furo’ para continuar no ‘Pânico’. E, na sequência, meu quadro no ‘Pânico’ acabou. E aí eu fiquei a ver navios e também perdi o ‘Furo MTV’. Eu só vou para a MTV perto do fim. Acredito que teria sido melhor ir para a MTV desde o começo, para ir tendo um crescimento mais gradual na TV.”
Na Rede TV! havia uma grande pressão, e o pessoal do “Pânico” era bem carrasco. Isso não me incomodava. Os outros comediantes quase choravam com as broncas do Emílio e eu lidava bem. Havia uma questão que era uma cobrança em ganhar do “Fantástico” e eu não queria isso e nunca quis – Fábio Rabin

Fábio Rabin atuou no Pânico no início dos Anos 2000 (Foto: Divulgação)
FÉ E CONFLITO
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