Teatro & Pensata

Exclusivo! Em cartaz no clássico “Mulheres à beira de um ataque de nervos”, Helga Nemeczyk fala sobre o tema em uma época de feminismo aflorado

A atriz, que atua ao lado de Marisa Orth e Totia Meirelles, contou que sua personagem foi muito bem recebida e acredita que sempre existirão mulheres intensas: “Independente de algumas terem encontrado o caminho mais racional do sentimentalismo feminino”

Publicado em 30/01/2016 | Por Karina Kuperman

Conflitos amorosos, obsessões e dramas são comuns quando se fala da complexidade dos relacionamentos. Quando esses problemas são vividos por três mulheres intensas, a história dá pano para mangas. Por isso, a trama de “Mulheres à beira de um ataque de nervos”, de Pedro Almodóvar, já foi filme, peça teatral, e até livro e, dessa vez, traz Marisa Orth, Helga Nemeczyk e Totia Meirelles nos papéis principais e direção de Miguel Falabella. Enquanto a Pepa de Marisa é abandonada pelo amante Ivan (Juan Alba) e guarda a gravidez em segredo, Lúcia, de Totia, é mulher dele e resolve se vingar do ex-marido nos tribunais depois de ter sido deixada. Candela, por sua vez, é a melhor amiga de Pepa e se apaixona por um terrorista.

A vida das três se cruza em um espetáculo de humor e, como não poderia deixar de ser, muito drama de personagens que chegam ao seu limite psicológico. “Existem mulheres assim e sempre vão existir, independente de outras terem encontrado o caminho mais racional do sentimentalismo feminino. Essa peça é uma história clássica de Pedro Almodóvar dos anos 80 e, além de tudo, é muito divertida. Vai servir pelo menos como entretenimento para aquelas que não concordam com as atitudes das mulheres histéricas pelo amor. Pelo menos rir da cara das personagens eu garanto que vão”, disse Helga.

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Marisa Orth, Totia Meirelles e Helga Nemeczyk posam como Pepa, Lúcia e Candela(Foto: Divulgação)

A versão musical, de acordo com Helga, é uma adaptação perfeita para o público brasileiro. “A nossa montagem não é muito diferente das que foram feitas em Londres e na Broadway, mas temos o Miguel Falabella, que é muito experiente na área, e sempre adapta da melhor maneira para os brasileiros, com piadas que cabem mais aqui, com as versões das canções na nossa prosódia… Enfim essas coisas básicas de tradução e adaptação sempre mudam um pouco. Mas a história, os figurinos e a montagem são bem semelhantes”, analisou, sobre o texto original de Jeffrey Lane e as letras e músicas de David Yazbek.

Helga aproveitou, também, para elogiar a equipe da montagem brasileira. “Já não é a primeira vez que trabalho com Miguel, que é incrível, inteligente, sabe bem o que quer da gente e nos inspira a fazer sempre o melhor que podemos, além de ser um cara muito divertido, engraçado que nos contagia com suas histórias e piadas. Os nossos ensaios eram sempre uma festa com ele por perto. E o presente dessa montagem, para mim, foi ter conhecido a Totia e a Marisa, que são duas divas maravilhosas, generosas e muito carinhosas. São minhas companheiras de camarim e me ensinam a cada dia a crescer como atriz e como pessoa também. A experiência delas de vida e de carreira são cartilhas que eu devoro a cada dia que passo na companhia delas”, declarou.

Sua Candela também é um grande presente e foi super bem recebida. “É maravilhoso! Eu amo a Candela e o público também. Ela é muito carismática e muito ingênua, o que faz ela ser engraçada sem querer ser. E ao mesmo tempo que ela se apaixona por vários homens, ela também se recupera rápido de uma desilusão, pois logo se apaixona por outro. Mas, no caso do terrorista, tudo foi maravilhoso, ele parecia ser o cara perfeito para ela, até descobrir… que ele era um terrorista. E aí… bem, não vou contar o que acontece, vocês têm que assistir”, brincou. Mas e o que a Helga faria no lugar da personagem? “Certamente abriria mão desse amor. Seria muito arriscado”, garantiu. E será que a intérprete também se considera uma “mulher à beira de um ataque de nervos”? “Na verdade não. Sou bem calma. Fico mais decepcionada e triste do que nervosa com as situações chatas da vida”, contou.

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Candelia é uma mulher intensa que se apaixona por um terrorista (Foto: Divulgação)

E o que a deixa triste? A crise e, com ela, a dificuldade de se viver de arte. “E o cenário ainda vai piorar muito. Essa tem sido nossa grande preocupação. Para fazermos um espetáculo desse porte precisamos do dinheiro das empresas privadas, são elas que acabam sustentando o teatro musical no Brasil. E sem o patrocínio não temos como sustentar esse sonho”, lamentou. Ainda assim, ela não tem do que reclamar: a peça, que estreou sua primeira temporada na primeira quinzena de novembro e voltou no dia 7, tem tido uma ótima recepção no Teatro Procópio Ferreira, no centro de São Paulo. “Foi incrível e continua sendo. Com casa cheia e muitos aplausos. E isso é o que mais precisamos para sermos felizes em cima do palco”, disse.

Com o fim da temporada no dia 14 de fevereiro, Helga revelou planos da montagem ser feita no Rio: “Teremos a turnê aqui no Rio de Janeiro. E, para o segundo semestre, temos alguns projetos em andamento, mas ainda não confirmados”, contou. Enquanto isso, ela continua em outros caminhos. “Ainda nesse primeiro semestre, eu vou fazer, paralelo ao espetáculo, o show Jazzi’n de Blues, meu com uma banda. Nele canto sucessos do jazz e do blues, com algumas versões minhas adaptadas para o português”, adiantou. Quem duvida que será sucesso?

Serviço:

Teatro Procópio Ferreira
Rua Augusta, 2.823 – Cerqueira César
Ingressos: R$ 50 a R$ 200
Em cartaz: 14 de novembro a 20 de dezembro. E 7 de janeiro a 14 de fevereiro
Quando: quinta 21h; sexta 21h; sábado 17h e 21h; domingo 16h

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