Teatro & Pensata

Exclusivo! Cada vez mais presente na comédia nacional, Miá Mello comemora o movimento feminista no Brasil: “A gente não pode ter medo de ser mulher”

Atriz está em cartaz no teatro com a peça 'Meu Passado Me Condena', e nos cinemas com o longa 'Uma Loucura de Mulher': "Quero fazer mais um milhão de filmes. Fico muito feliz de trabalhar e viver do cinema que é a coisa que eu mais gosto"

Publicado em 05/06/2016 | Por Leonardo Rocha

Miá Mello é do tipo de pessoa que busca um jeitinho todo especial para encarar as dificuldades da vida. Divertida e bem-humorada – assim como a maioria de suas personagens -, a atriz de 35 anos atualmente se dedica a um batalhão de projetos no cinema e também ao teatro com a peça “Meu Passado Me Condena”, em cartaz no Teatro das Artes, no Rio, ao lado do amigo e parceiro de cena Fábio Porchat. Em entrevista exclusiva ao HT, ela confessa que poucas coisas são capazes de tirá-la do sério, mas diferentemente de sua personagem no longa “Uma Loucura de Mulher”, já em cartaz, a comediante ressalta que não tolera de forma alguma atitudes machistas e traição, principalmente vindas de uma suposta melhor amiga.

Mia Mello (Foto: Divulgação)

Miá Mello (Foto: Divulgação)

“Para mim, a traição a uma amiga é inconcebível! No filme, a Dulce (sua personagem no longa) acredita verdadeiramente que está sendo parceira da Lúcia (Mariana Ximenes), mas amiga que é amiga não trai, né? É terrível! Eu tive que romper várias barreiras minhas para realizar esse trabalho. Assim que eu li o roteiro eu já comecei a julgar. No entanto, uma das coisas que eu achei mais legal, além do encontro desse elenco incrível, foi me distanciar de mim mesma. Eu nunca tive um trabalho tão distante de mim. Os valores da Dulce são muito diferentes dos meus. Foi muito legal esse meu trabalho de desconstruir os meus próprios preconceitos”, comentou a atriz, que revela não ter precisado de dublê para cenas de ação durante uma perseguição entre carros no longa. “Não tinha duble, tá? Todas aquelas cenas de carro fui eu quem dirigiu. Você sabe que eu dirijo bem, né?”, brincou.

Elenco do filme "Uma Loucura de Mulher" (Foto: AgNews)

A atriz junto do elenco do filme “Uma Loucura de Mulher” (Foto: AgNews)

Apesar do sorriso fácil e o carisma genuíno, Miá, que ficou conhecida do grande público ao viver a repórter nerd Teena, no “Legendários”, programa de Marcos Mion na Record, e depois se juntou a turma do “Casseta & Planeta Urgente”, na Globo, garante que não gosta de ser abordada na rua com o tradicional fiu-fiu. Quando ouve a assobiada, ela disse que revida na hora. “Nossa, me deixa louca, já voltei várias vezes para tirar satisfação. Gente, as mulheres odeiam isso, não é obvio? É como se o cara estivesse privando você do seu direito de ir e vir. Isso não é paquera, é agressão. Apenas parem”, avisou ela, emendando: “É uma coisa atrás da outra: primeiro é a política, depois é o estupro, o colégio que fecha… é tanto absurdo que a gente está meio chocado. Mas o legal é que as pessoas estão indo pra rua, as mulheres estão indo de encontro aos seus direitos. E são direitos. Não é querer ser mais do que o homem. É querer ser igual. Simplesmente igual. É curioso, porque às vezes as pessoas pensam que é bobagem, mas só quem é mulher sabe o que a gente sente. Que bom que estamos colocando luz nesse assunto tão importante para a sociedade. A gente não pode ter medo de ser mulher”, avaliou a atriz.

Mia e Marcos Mion no "Legendários" em 2010 (Foto: Divulgação)

Miá e Marcos Mion no “Legendários” em 2010 (Foto: Divulgação)

Apesar de toda a luta contra o machismo, Miá afirma que, assim como a maioria da população, ficou estarrecida com o recente caso do estupro coletivo ocorrido em uma comunidade da Zona Norte do Rio. Para ela, não existem explicações para tamanha agressão. “Foi péssimo. Sexo sem concessão é estupro. Acho terrível que abram parênteses para culpar a garota. Que ela é isso ou aquilo. Ela é vítima. Acho que é um caso a ser esclarecido, mas independente do número de caras que participaram do crime, é estupro. A gente tem que fazer valer da máxima do ‘meu corpo, minhas regras’. Todo mundo tem que ser tratado assim. Homem, mulher… o ser humano”, ponderou.

Agora, voltando aos trabalhos da atriz, a parceria com Fábio Porchat no filme/seriado/peça “Meu Passado Me Condena” já dura tanto tempo que tem gente que já confunde vida pessoal com profissional. A produção que começou em 2013, no Multishow, tem rendido grandes conquistas para a dupla de comediantes, que, desde então, já lançou dois filmes da franquia e uma peça que segue em turnê Brasil afora. “Quando a gente ficou 28 dias filmando em alto mar, dentro de em um navio e não brigou, a gente pensou ‘bom, acho que estamos preparados para entrar em uma turnê de teatro’ (risos). E foi exatamente isso que aconteceu. A peça ficou um ano e meio em São Paulo, e, aqui, no Rio, a gente está prorrogando a temporada, que era para ficar até março, estendeu até maio, e agora a gente vai ficar até o final de julho. Daqui a pouco vai ser tipo “Trair e Coçar”, sabe, que ficou 19 anos em cartaz? (risos). Eu e Fábio a gente se dá muito bem e temos uma parceria incrível. Trabalhamos com outras pessoas, mas o que a gente tem é único”, comemorou ela, que também segue rodando mais dois longa-metragens.

Miá Mello e Fábio Porchat (Foto: Divulgação)

Miá Mello e Fábio Porchat (Foto: Divulgação)

“Agora eu estreio “Carrossel 2”, um filme infanto-juvenil, onde eu faço a Didi Mell, uma cantora famosa que é adorada pelos alunos da Professora Helena (Rosanne Mulholland). Ela é uma estrela que não anda sem assessora e super famosa e amiga da professora . Está sendo incrível trabalhar com os pequenos. E no segundo semestre ainda lanço “Um Namorado para Minha Mulher”,  uma comédia com a Ingrid Guimarães, onde eu faço a amiga dela. É uma história meio louca de um cara que quer terminar e não tem coragem para isso. A partir daí, ele contrata um namorado para conquistar a mulher dele” disse ela que ainda revelou o desejo e o prazer de viver da sétima arte. “Quero fazer mais um milhão de filmes. Fico muito feliz de trabalhar e viver do cinema que é a coisa que eu mais gosto”, garantiu.

A dupla no filme "Meu Passado Me Condena" (Foto: Divulgação)

A dupla no filme “Meu Passado Me Condena” (Foto: Divulgação)

Otimista, como sempre, Miá revelou que não deixa se abater com os escândalos de corrupção que não param de surgir nos noticiários brasileiros. Para ela, é de extrema importância que a população tire uma lição de toda a situações. “A gente está passando por um momento muito delicado, mas eu sou uma pessoa muito otimista. Então, eu enxergo isso como um marco divisor nas nossas vidas. Onde a gente finalmente está punindo a corrupção. Eu tinha a sensação de que nas eleições as pessoas levavam muito na brincadeira, sendo que a política é uma coisa super séria. A gente tem que prestar muita atenção, porque essas são as pessoas que vão conduzir o nosso país” comentou. “Lembra do Macaco Tião? Eu só penso no Macaco Tião. Um macaco foi eleito, gente! É muito engraçado e a gente acaba dando risada, mas é o futuro do nosso país. Não somos um povo politizado. Não temos essa familiaridade com um assunto que é importante para todo mundo. E nem estou me excluindo dessa situação”, comentou ela, que ainda fala sobre as dificuldades de se fazer humor na era do politicamente correto.

“É complicado, porque hoje em dia eu brinco que tem um grupo de pessoas que fica na frente da TV pensando assim: ‘quem eu vou processar hoje?’ (risos). Mas olhando, novamente pelo lado positivo, isso faz você repensar a piada, e repensando e lapidando o trabalho faz você ser melhor e mais engraçado. É um desafio gostoso”, afirmou.

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