Teatro & Pensata

Exclusivo! Antes de subir ao palco em “De perto ela não é normal”, Suzana Pires fala sobre empoderamento feminino e comenta os dez anos do texto

A atriz também analisou o caminho de sua personagem em “A regra do jogo”: “Se eu já abordo diversas questões sobre o universo feminino, a Janete só faz com que isso seja mais latente. Ela é muito necessária nos dias de hoje. É uma mulher que irradia força, não deixa de acreditar no amor. De repente todos meus trabalhos estão com o mesmo discurso".

Publicado em 05/03/2016 | Por Karina Kuperman

Timing perfeito. Foi um dia depois do 42º aniversário da Ponte Rio-Niterói que Suzana Pires estreou com “De perto ela não é normal”, no Teatro Abel, o maior do município fluminense. O texto com mais de dez anos e já encenado em diversas outras temporadas trata de temas que continuam superatuais: “A pergunta da peça é: como uma mulher constrói a sua própria vida? Então a personagem Suzi vai passando por situações em busca dessa resposta e encontrando mulheres que representam arquétipos femininos para decidir que escolha fazer na vida. Isso tudo, claro, na chave da comédia. Então é a Suzi, protagonista, passando pela mulher casada, inteligente, gostosa, empoderada, atrevida, iluminada e zen, livre. Todas tem suas próprias características”, explicou ela, que contou que o texto mudou ao longo dos anos. “É uma história já pensada e feita há dez anos. O que mudou desse tempo para cá foi a visão feminina em algumas personagens e várias piadas”, disse.

Confira aqui também nosso ensaio de moda exclusivo com o a atriz e escritora no qual ela fala também sobre feminismo e profissão.

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(Foto: Reprodução/Instagram)

Se, ao longo dos anos, muitas coisas mudaram, por outro lado, sendo sua própria roteirista, Suzana pouco mexe no texto em cena: “Chego a improvisar, é bem pontual, mas faço. Não bagunço meu texto, como não faço com o de ninguém. O que improviso são piadas com fatos que aconteceram naquele dia. Se não, muda a história e eu não faço essa peça sozinha. Tenho direção, produção, técnicos. Não dá para mudar porque eu quero”, explicou ela, que vive dez mulheres no palco. “Entre as dez mulheres, existe a bem-sucedida – que é muito especial, porque falamos de feminismo e racismo junto. Tem uma personagem que representa o empoderamento da mulher negra. É uma super advogada com cabelo black power. Uma mulher que não precisa se explicar, ela é, existe, como todas, mas é grande avanço em termos femininos”, contou.

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Suzana Pires e Léo Fuchs (Foto: Reprodução/Instagram)

Aliás, empoderamento feminino é, por coincidência, a causa de Suzana. Como a arte imita a vida, além da peça, sua Janete em “A regra do jogo” também defende as mulheres. “Acho uma força. Em nenhum momento eu entrei só nisso. A Janete foi construída dessa forma, e, por coincidência, é o mesmo pensamento da personagem e da atriz. Se eu já era vista ou ouvida dessa forma, a Janete só faz com que isso seja mais latente. Ela é muito necessária nos dias de hoje. É uma mulher que irradia força, não deixa de acreditar no amor. De repente todos meus trabalhos estão com o mesmo discurso”, analisou. E será que o discurso da atriz foi a inspiração de João Emanuel Carneiro para a Janete? “Eu adoraria! Talvez tenha sido isso, ou não. O João criou uma personagem contemporânea de mulher brasileira. Se parece comigo, é porque também sou essa mulher. Todo mundo está achando que a Janete foi escrita para cada um de nós. O João Emanuel Carneiro só ouviu as mulheres e entendeu como elas pensam”, elogiou. E o que vem por aí para Janete? “Não sei ainda. Não recebi as cenas. Gravo quarta  e sexta-feira o final e não sei como vai ser”, disse.

E o que em “De perto ela não é normal” a intérprete de tantas mulheres poderosas têm de mais exótico? “Eu acho que de perto nenhuma mulher é normal. Então, eu, como todas, faço várias coisas. Tento equilibrar meu dia a dia, mas já estou começando a achar muito pesado, quero uma vida mais leve. A peça é bem feminista. É para as mulheres trazerem seus namorados. Eu acredito que pelo viés da comédia dá para conversar sobre tudo”, defendeu.

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(Foto: Reprodução/Instagram)

E haja humor! Quem chegou para reforçar o time foi o produtor Léo Fuchs. “É minha entrada na peça. Geralmente é ao contrário, eu crio os projetos e chamo os atores. Mas, agora, entrei na vida da Suzana. Na verdade, há 20 anos fizemos uma peça que ela dirigiu e eu produzi e tivemos muita empatia, mas o mundo levou para outro lugar. Nos reencontramos ano passado no espetáculo da Fernanda Souza (“Meu passado não me condena”), jantamos e nos reunimos. Ela me convidou para essa peça e casamos. Estamos cuidando mais ainda desse filhote, que tem dez anos, mas é sempre novo, vivo e atemporal. Eu brinco que estou entrando de pai que busca de 15 em 15 dias, porque a mãe domina tudo. Suzana é admirável, escreve, atua, produz. É artista no melhor sentido da palavra”, declarou Léo.

Além de sua energia, o produtor trouxe, também, outros elementos ao palco. “Agora temos um telão com imagens projetadas que é praticamente um novo ator em cena com a Suzana”, adiantou ele, que garantiu: a alegria nos bastidores é diária: “Somos dois tagarelas, a reunião agendada para às 15h só começa às 17h. Isso todo dia. Suzana é o tipo que fica duas horas sem falar e já acontece tudo na vida dela. Muito bom”, disse. Não temos dúvidas.

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