Teatro & Pensata

Em cartaz no musical “Ou tudo ou nada”, André Dias fala sobre a vasta experiência nos palcos, a união entre canto e interpretação e os projetos para 2016

Para o ator, a nudez não é uma questão polêmica. “É uma grande metáfora do momento que estamos vivendo, no qual temos de nos reinventar todos os dias para atravessarmos uma crise financeira e moral sem precedentes todos os dias”

Publicado em 07/12/2015 | Por Karina Kuperman

André Dias faz musicais há quase duas décadas. Sempre em grandes papéis e com sua incrível capacidade de mudar totalmente a cada um deles, já brilhou como Ezequiel Neves em “Cazuza – Pro dia nascer feliz”, o leão de “O mágico de Oz”, manipulando bonecos em “Avenida Q” e muitas outros sucessos. Atualmente, ele se dedica ao papel de Malcolm em “Ou tudo ou nada”. A peça, em cartaz desde setembro desse ano no Theatro NET Rio em Copacabana, tem feito sucesso absoluto. O motivo? Além, é claro, da performance dos atores no palco e da direção impecável, a história se encaixa perfeitamente nos dias atuais, retratando, no palco, a crise que os brasileiros conhecem bem através de seis personagens que passam a fazer strip-tease para pagar as contas. Para André, que acredita na importância de falar da crise com metáforas, a nudez não é uma limitação. “Não tenho problemas com a nudez. Especialmente quando a dramaturgia da peça converge para esta grande cena final. É uma grande metáfora do momento que estamos vivendo, no qual temos de nos reinventar todos os dias para atravessarmos uma crise financeira e moral sem precedentes todos os dias”, declarou.

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André Dias posa caracterizado como Malcolm da peça “Ou tudo ou nada” (Foto: Guga Melgar)

O musical, inspirado no filme britânico “The Full Monty”, sucesso de bilheteria nos anos 90, conta a história de Jerry, vivido por Mouhamed Harfouch, com quem conversamos aqui, Dave (Claudio Mendes), Hardol (Carlos Arruza), Sérgio Menezes (Jegue), Ethan, de Victor Maia, que também já conversou com o site HT e Malcolm, vivido por André Dias. Desempregados, os seis decidem fazer shows sem roupa para ganhar dinheiro. Repetir o sucesso do filme, aliás, nunca foi uma questão para André, que lida bem com desafios. “O mais difícil, na verdade, é realizar um musical desse porte sem patrocínio. Erguer esse espetáculo e mantê-lo em cartaz apenas com a bilheteria já é uma grande vitória e mérito de todos nós, envolvidos e compromissados em contar essa história. Já somos um sucesso”, analisou.

André, que já havia trabalhado com Tadeu Aguiar em quatro projetos antes de “Ou tudo ou nada”, contou que aceitou o convite imediatamente e disse que seu Malcolm é um homem solitário e de pouca personalidade. “Ele é desprovido de qualquer identidade, marcado por uma relação com a mãe controladora. A partir da amizade com os demais personagens ele começa a formar sua personalidade. O desafio é humanizar um personagem dramático em meio a uma temática cômica”, disse.

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André Dias se considera um “homem de teatro”, mas, em 2016, pretende investir também em televisão e cinema (Foto: Divulgação)

Com tantos musicais no currículo, André tem propriedade para falar sobre a união entre a interpretação e o canto. “O teatro musical é um gênero de teatro. Apenas isso. Tem comédia, tem tragédia, tem drama e tem musical. Cantar, para mim, veio naturalmente como complemento do meu trabalho de ator. Exige um certo preparo, um treinamento técnico para que possa repetir todas as noites sem comprometer sua saúde. Este é o grande desafio, mas estar pronto e condicionado para executar bem o seu trabalho é um prazer incomensurável”, afirmou ele, que também já atuou em peças sem cantar. “Não fico decepcionado se não tiver que cantar. Em 2013 dividi a cena com Ricardo Blat e Thelmo Fernandes em a ‘Arte da comédia’ e não cantava nada. Foi a primeira peça que fiz em mais de dez anos que não era musical. Todos os dias achava que estava faltando alguma coisa antes de entrar em cena. Era o microfone”, brincou.

Apesar disso, ele pretende investir cada vez mais em cinema e televisão, apesar de frisar que se considera um “homem do teatro”. “Nasci para isso, acho que foi o teatro que me escolheu. Comecei por acaso, com 13 anos, para vencer minha timidez. Aos 16 já era profissional e nunca mais parei, nem vou. Nos palcos me fortaleço e me sinto em casa. Cresço como indivíduo e como artista”, declarou Para 2016, André pretende trazer o espetáculo “Vingança” para os palcos cariocas e voltar com uma nova temporada de “Bilac vê estrelas”, além de se dedicar a direção. O ator contou que quer ampliar seu leque de atuação para todas as plataformas. “Amo fazer cinema, quero investir mais nele em 2016. Tenho me sentido cada vez mais preparado para enfrentar um desafio na televisão também. Tenho certeza que o personagem certo vai aparecer na hora certa”, afirmou. Nós também. Enquanto isso, continuamos conferindo seu talento nos palcos.

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