Teatro & Pensata

Depois de sucesso em São Paulo, Rodrigo Andrade estreia no Rio em “Divas – o Musical” e fala sobre experiência no gênero: “Foi um grande desafio”

Com uma carreira plural, além de começar a flertar com musicais, o ator ainda está prestes a lançar seu terceiro disco e um filme: "Sou um tipo de ator que gosta de personagens totalmente diferente do Rodrigo. Quanto mais distante de mim, melhor"

Publicado em 02/12/2016 | Por Leonardo Rocha

Rodrigo Andrade tem muito o que comemorar! Depois de emplacar sucesso absoluto na pele do esquentadinho Fábio, de “Êta Mundo Bom”, o ator termina o ano de 2016 em uma nova superprodução – desta vez, em cima dos palcos. No espetáculo “Divas – O Musical”, o artista dá vida a um apresentador de TV um tanto quanto convencido do carisma que tem, onde, na maioria do tempo, interage com a platéia do teatro comentando os erros e acertos das competidoras do fictício reality show “Quero Ser Pop”. Tarefa complicada, já que as moças em questão são as cantoras Sofia (Luiza Possi), Cecília (Jeniffer Nascimento) e Mariah (Nikki), componentes do grupo As Divas. O momento é de total novidade para Rodrigo, já que é a primeira vez que o artista integra o elenco de um musical e veste a camisa de um personagem tão comunicativo. “Está sendo muito prazeroso interpretar o Max Marvelous. Ele é um apresentador, um personagem muito diferente de tudo que eu já fiz, porque em 90% das cenas eu falo com o público e com as câmeras”, entregou ele, com exclusividade para o HT.

Rodriga Andrade é um apresentador de TV em "Divas - O Musical" (Foto: Páprica Fotografia)

Rodriga Andrade é um apresentador de TV em “Divas – O Musical” (Foto: Páprica Fotografia)

Pois bem. Apesar de ser um rosto bastante conhecido do público brasileiro, afinal, o artista já trabalhou em folhetins de destaque da Rede Globo, como “Caras & Bocas”, “Insensato Coração”, “Gabriela” e “Amor à Vida”, o brilho nos olhos de Rodrigo é de um mero principiante. “É o meu primeiro musical e tive a sorte de estrear em um trabalho lindo. Como faço um personagem central, que conduz a trama, se torna uma responsabilidade ainda maior”, entregou ele, contando um pouco da personalidade narcisista de Max. “Ele é um apresentador que sabe o sucesso que tem. Ele é é o cara: canta, dança tem um lado cômico e sabe o carisma que possui”, adiantou ele, que tem se divertido muito com a nova experiência como anfitrião da atração. “Conduzir um programa é muito legal. Ser ‘o apresentador’ é algo novo para mim. Ele não contracena muito com os outros atores, a maioria do tempo ele fala com a plateia. Foi um grande desafio achar um desenho que não ficasse caricato”, ponderou.

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Luiza Possi, Nikki, Rodrigo Andrade e Jeniffer Nascimento (Foto: Páprica Fotografia)

O musical estreia nesta quinta-feira, no Teatro Riachuelo, no Rio, mas, no entanto, já teve sua primeira temporada de sucesso na cidade de São Paulo. O processo criativo foi rápido, segundo Rodrigo. Mesmo tendo intimidade com o palco, já que também segue paralelamente a carreira de cantor, ele se disse mais calmo nessa segunda fase da empreitada. “Foi uma preparação bem intensa, embora tenha sido em um tempo muito curto. Geralmente os musicais são ensaiados por três meses, em média. Nós tivemos apenas um mês e uma semana. Foi um tempo recorde e curto. Agora, a preparação musical do Thiago Gimenes e a direção nosso diretor, Jarbas Homem de Mello, são impecáveis. O primeiro susto já passou”, comemorou o ator, aos risos.

A produção arrebata o público em diferentes níveis. Além das grandes atuações, o repertório musical traz uma variada lista de canções consagradas internacionalmente desde a década de 70 até os dias atuais. Outra grande sacada, foi trazer a platéia para dentro da história do musical. Em determinado ponto, são os espectadores que ficam responsáveis por escolher os hits cantados na grande final do reality da trama, trazendo interatividade e tecnologia para dentro do musical. Artifícios que podem ser muito bem explorados no novíssimo Teatro Riachuelo, que encantou ainda mais o Centro do Rio.

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E muito se engana quem pensa que as novidades na carreira de Rodrigo param por aí. Prestes a lançar seu terceiro disco, a ator e cantor garantiu que concilia bem as duas profissões. Cada uma em seu tempo. “Eu não estou fazendo shows nesse momento, porque estou dedicado ao espetáculo. Mas em fevereiro volto. Como os shows são no fim de semana eu consigo dividir tudo certinho”, disse ele, entregando detalhes do novo disco, que segue recheado de grandes parcerias, em clima sertanejo.”Estou finalizando o disco, que deve ser lançado já em fevereiro. Está bonito demais e com participações que são verdadeiras referências para mim como Jorge e Matheus, Edson e Hudson e Cesar Menotti e Fabiano. Vem na linha pop sertanejo, mas em uma linguagem não tão comercial: meio country rock”, sintetizou.

Sem dar muito detalhes ele entregou que está prestes a rodar um filme, onde interpretará um vilão casca grossa. “Estamos aguardando para fazer, mas está na fase de captação ainda. Ele será um vilão bem pesado, e eu gosto muito disso. Sou um tipo de ator que gosta de personagens totalmente diferente do Rodrigo. Quanto mais distante de mim, melhor. Entre o galã e o louco, eu prefiro fazer o louco. O diferente me atrai mais”, completou.

Como todo artista, principalmente ele que é um verdadeiro showman, Rodrigo está antenado às questões políticas ligadas à cultura do nosso país. Para ele, a população precisa prestar mais atenção na hora do voto. “Não está fácil. A gente passa por uma crise em todos os sistemas e poderes envolvidos. Sempre fui muito ativo e estou esperando o que vai acontecer. Hoje há uma verdadeira luta para conseguir verba para montar uma produção. É um momento delicado: na mesma hora que a verba é aprovada ela é travada por outro grupo. Pelo menos na parte dos shows eu estou livre desses incentivos públicos”, destacou.

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Ah! E falar de política com Rodrigo Andrade rendeu assunto. Diferentemente de outros artistas, ele se disse a favor na PEC 241/55, que pretende equilibrar as verbas do estados, mesmo congelando gastos em pastas do governo. “Eu detesto o sistema político brasileiro, mas sobre a PEC dos gastos eu sou favorável. Hoje, nas redes sociais, as pessoas compartilham a falam muita bobagem. Essa manobra sobre o teto já deveria existir, afinal, ela já existe nos principais países há muito tempo. Ela apenas sugere que você gaste aquilo que ganha”, comentou ele, abominando a votação, que ocorreu na madrugada do dia 30 de novembro, que pretendia votar um pacote anticorrupção. “Essa nova lei para intimidar juízes e autoridades é um absurdo. Me sinto envergonhado de ver políticos assim. Parece que virou uma guerra entre o bem e o mal. O povo precisa acordar”, destacou.

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