Teatro & Pensata

Data especial: Juliana Martins estreia “Cenas de um casamento” e comemora seus 30 anos de carreira

A atriz também é idealizadora e produtora da montagem e declarou que se deu de presente esse personagem maduro: “É um clássico, mas as discussões continuam atuais”

Publicado em 21/10/2015 | Por Karina Kuperman

Romance, amor, idealização, separação, reencontro. Os temas não poderiam ser mais atuais, mas o texto é um clássico. “Cenas de um casamento”, de Ingman Bergman ganhou novos ares com a tradução da autora Maria Adelaide Amaral e a direção de Bruce Gomlevsky, e estreou, nessa sexta (16), no Teatro Ipanema. Por meio da história do casal Johan e Marianne, a montagem expõe os desafios da vida conjugal, as crises e abismos do ambiente doméstico e faz quase que uma radiografia das relações amorosas no palco.

Os intérpretes Juliana Martins e Heitor Martinez são os responsáveis por dar vida ao casal que vive junto há 10 anos e levam a reflexão ao público. Além de protagonista, a atriz é a idealizadora do espetáculo e comemora a estreia junto com outra data especial: seus 30 anos de carreira. “Foi uma coincidência do destino muito boa, porque esse projeto existe desde 2012, mas da ideia até a concretização demora. É muito bom comemorar com um personagem maduro e um texto interessante. Tem tudo a ver. É um presente que eu mesma me dei”, declarou.

image003

Juliana Martins e Heitor Martinez contam a história do casal Marianne e Johan (Foto: Thiago Ristow)

O casal tem características tão humanas que a identificação da plateia é imediata. “O casamento parece perfeitamente feliz, mas, no fundo, os dois têm angústias, já não transam mais, há um estranhamento”, explicou Juliana. A transição acontece quando o marido chega com a notícia da amante. A partir daí, Marianne se transforma diante dos olhos do público. “Digo que ela é uma sueca latina, que demonstra muito o turbilhão de emoções. É uma mulher passional, vai aos extremos. Ela conduz a dinâmica do sentimento da peça. As mulheres são muito ativas, emocionais, enquanto os homens são lineares quando se trata de emoção. A Marianne muda muito. Ela começa dependente emocionalmente do Johan e, depois que ele sai de casa, torna-se uma mulher bem resolvida, liberta. Muda a postura e até as roupas”, adiantou a atriz.

cenas1

Os dois atores em cena (Foto: Marcos Morteira)

Se os defeitos e qualidades são perfeitamente reconhecíveis na personalidade de cada um na plateia, o mesmo acontece com os intérpretes, pelo menos é o que garantiu Juliana: “Eu fui casada muitos anos e a peça fala disso. Qualquer casal vai se identificar. São questões da vida a dois que passam pelas questões humanas. Eu me identifico com o amadurecimento da Marianne, quando ela toma a vida nas mãos. Fizemos um ensaio aberto e nos surpreendemos com as reações. Às vezes, o Johan fala atrocidades e o público ri. Acho que é um riso nervoso”, contou.

cenas3

O público se identifica com as questões do casamento de Marianne e Johan (Foto: Marcos Morteira)

Falando em recepção e troca com a plateia, Juliana acredita que a tradução contemporânea ajuda no entendimento e não se assusta com a pressão de interpretar um clássico. “Sempre existe isso quando escolhemos um texto. Há uma expectativa, porque essa peça já foi um filme com interpretações sensacionais nos anos 70. Não pensei por ser clássico, mas, sim, porque adoro a história. Estamos em 2015 e as discussões continuam atuais”, defendeu ela, que, com 30 anos de carreira e experiências em várias plataformas, sabe bem do que está falando. “Comecei muito pequena. Não foi uma profissão que escolhi, aconteceu de forma fluida. Lógico que depois eu comecei a estudar e virou de verdade. Eu cresci na televisão, depois passei a me dedicar ao teatro. Produzir peças me tornou uma artista melhor, porque me deu um conhecimento sobre todo o processo”, explicou.

cenas4

Juliana contou que a carreira de produtora a faz uma atriz melhor (Foto: Marcos Morteira)

Mesmo vivendo de arte, ela contou que fazer produção é um desafio e a crise econômica influenciou ainda mais no meio. “A maior dificuldade é patrocínio e levar o público ao teatro. Tem a questão da meia entrada, que acaba ficando caro para o produtor”. Mesmo com tantas funções, ela não deixa os trabalhos na televisão para trás. “Ter um contracheque é legal e teatro não dá isso. Fiz algumas séries esse ano e amo câmeras”, contou, comparando as duas plataformas. “O teatro traz maturidade artística porque é o ator na hora, ao vivo, sem corte ou edição. Tem a capacidade de improviso, estar ligado, a presença de espírito que o teatro e a televisão ao vivo dão. A grande diferença é a forma como contamos, mas o objetivo é o mesmo: fazer a mensagem e a emoção chegarem ao público”, analisou. Com sua intensidade, isso não é problema.

cenas2

O casal discute em cena do espetáculo (Foto: Marcos Morteira)

Pesquisas relacionadas