Conheça Daniel Haidar: ele é Rocky Balboa no teatro, se indentifica com lutador e diz quem nocautearia no Brasil hoje


‘Rocky – O Musical’ reconta a história do clássico do cinema do boxeador vivido por Sylvester Stallone, em 1976. O ator Daniel veio de São Luís do Maranhão para o Rio de Janeiro com apenas 15 anos para tentar viver do ofício, hoje tem 25 e já fez mais de 20 espetáculos, sendo deles, 11 musicais. Ele percebe pontos comuns com o personagem: “Rocky tem uma força de vencer inabalável e eu trago isso em mim. Também me inspiro muito em sua resiliência e na vontade de melhorar a cada dia”. E revela: “Adoraria ‘nocautear’ quem tira vantagem em cima dos outros. Essa galera que aplica golpes, que produz fake news, que brinca com a esperança das pessoas. E daria o ‘cinturão’ para a Erika Hilton e para o padre Júlio Lancelotti, mas, principalmente, para os professores do nosso país”

*Por Brunna Condini

A frase icônica de Rocky Balboa no filme homônimo de 1976, dita por um Sylvester Stallone em início de carreira, traduz as dificuldades que muitos profissionais no Brasil enfrentam para sobreviver do seu ofício: “Não se trata de quão forte você bate, mas de quão forte você pode apanhar e seguir em frente”. Daniel Haidar, quei nterpreta o lutador em ‘Rocky – O Musical’, em cartaz, em São Paulo, está longe de ser um ator iniciante mesmo com seus 25 anos. Ele já esteve em mais de espetáculos, sendo deles, 11 musicais, em 13 anos de carreira. No entanto, mesmo trabalhando ininterruptamente desde que começou, continua sentindo na pele os percalços da profissão. “A carreira de qualquer artista não é fácil e esse fantasma da desistência ronda. Mas tenho conseguido seguir. Estar na pele do Rocky só reforça em mim a importância de fazer algo que dê sentido à vida. O que dá sentido a minha é o meu ofício. Por mais que a vida esteja dura, insistir. Tenho aprendido muito com Rocky”, diz Daniel, que também participou de ‘Garota do Momento’, na Globo, como Marcelinho, jornalista amigo de Beto, vivido por Pedro Novaes. 

Haidar saiu de São Luís do Maranhão aos 15 anos e foi para o Rio de Janeiro em busca de oportunidades. De lá para cá, deu vida a muitos personagens, entre eles, Elvis Presley, em ‘Elvis – A Musical Revolution’, dirigido por Miguel Falabella; fez também Fernando Brant em  ‘Clube da Esquina’; e protagonizou outro musical, ‘Isso que é Amor’, com canções de Luan Santana, sob a batuta de Ulysses Cruz. Ao lembrar que escrever e protagonizar ‘Rocky Balboa’ alavancou a carreira desacreditada de Stallone na época, Daniel, mesmo tendo uma trajetória diferente, diz se identificar: “Ele tem uma força de vencer inabalável e eu trago isso em mim. Também me inspiro muito em sua resiliência e na vontade de melhorar a cada dia. Lidando com tudo aquilo que é fracasso, mas sem desistir”.

O ator Daniel Haidar vive Rocky Balboa nos palcos, se identifica com história de superação e resiliência do personagem icônico e diz quem 'nocautearia' no Brasil hoje (Foto: Stephan Solon)

O ator Daniel Haidar vive Rocky Balboa nos palcos, se identifica com história de superação e resiliência do personagem icônico (Foto: Stephan Solon)

A minha história é a de mais nordestino que sai de sua casa, de sua terra, em busca de melhores oportunidades. Só que no meu caso através da arte e da cultura – Daniel Haidar

Para dar veracidade à sua criação no musical assinado por Zé Henrique de Paula, o ator foi para Nova York pela primeira vez e vivenciou os grandes musicais. “Testemunhei de perto a disciplina com que fazem esse trabalho. A Broadway é o centro do teatro comercial do mundo, juntamente com Londres. Essa rigorosidade técnica e a tecnologia que eles têm, é o que faz com que sejam únicos na sua forma de fazer musicais. Não faria uma comparação crua com os nossos espetáculos, porque acredito que o bom teatro, seja falado ou musical, é aquele que se comunica bem com seu público. Eles podem estar à frente nos quesitos preparo e técnico, mas na criatividade e potência artística, não estamos atrás”, avalia.

Daniel Haidar em cena como Rocky Balboa e Hector Marks como Apollo Creed, seu maior rival (Divulgação)

Daniel Haidar em cena como Rocky Balboa e Hector Marks como Apollo Creed, seu maior rival (Divulgação)

Daniel conta que em sua preparação viveu o boxe, literalmente, na pele. “Além dos treinos, assisti várias lutas, busquei muito conhecimento sobre a modalidade. Também senti a sensação dos socos na cara (risos), mas tudo com orientação técnica. Não tive prejuízos físicos com os treinos, pelo contrário. O boxe só tem me trazido coisas positivas, inclusive nas partes psicológica e cognitiva. É um esporte muito completo. Isso transformado minha vida fora do palco. Lido com as questões cada vez mais de frente, raciocino mais rápido…tenho sentido na pele não só os socos, mas tudo de bom que essa experiência tem me trazido”.

"Na carreira, é preciso manter os pés no chão, principalmente quando não se é morador dos grandes centros, porque a linha de chegada é mais longe" (Foto: Stephan Solon)

“Na carreira, é preciso manter os pés no chão, principalmente quando não se é morador dos grandes centros, porque a linha de chegada é mais longe” (Foto: Stephan Solon)

Que pessoas no Brasil hoje merecem ir à nocaute, e que pessoas deveriam levar o ‘cinturão’?

Adoraria ‘nocautear’ quem tira vantagem em cima dos outros. Essa galera que aplica golpes, que produz fake news, que brinca com a esperança das pessoas. E daria o ‘cinturão’ para a Erika Hilton e para o padre Júlio Lancelotti, mas, principalmente, para os professores do nosso país – Daniel Haidar

Na vida você foi mais o que ‘bateu’ ou mais o que ‘apanhou’? “Diria que fui o que mais ‘apanhou’. Sempre tive uma forma muito pacífica de deixar o tempo resolver as coisas. Isso até em relação a pessoas que me deveram dinheiro ou que saíram falando mal de mim, da minha vida, por exemplo. Mas também tenho mudado e tido vontade de ser mais a pessoa que enfrenta, que toma as rédeas da situação, para levar um pouco menos de desaforo para casa”.

Daniel Haidar em cena: "A história do Rocky Balboa transforma" (Divulgação)

Daniel Haidar em cena: “A história do Rocky Balboa transforma” (Divulgação)

Apesar de ter saído cedo do Maranhão, o ator conta que sempre teve o apoio da família durante todo o percurso. “Isso fez toda a diferença. É uma carreira com muitas adversidades, mas minha família me apoiou de maneiras inimagináveis. Sou uma pessoa sortuda, que saiu de casa aos 15 anos para morar no Rio de Janeiro e tentar construir uma vida de uma maneira mais sólida, colocando uma marca no espaço da arte do Sudeste. Mas não teria conseguido sem o apoio que tive, por isso demonstro minha empatia com todos os artistas que não tiveram isso. É preciso manter os pés no chão, principalmente quando não se é morador dos grandes centros, porque a linha de chegada é mais longe. E seguir insistindo em fazer sua arte”.