Cocriação: trend de famosas, como Giovanna Antonelli e Mariana Rios, propõe mais consciência e esperança com presença


Entre a Física Quântica, a espiritualidade e o desenvolvimento pessoal, a cocriação deixou o campo teórico para ocupar o feed das redes sociais, impulsionada por falas de personalidades como Giovanna Antonelli, Mariana Rios e Rita Batista. Aqui, além de revisitar a origem e os sentidos do conceito, reunimos reflexões dessas famosas e o olhar da terapeuta quântica Carina Bruno, que ajuda a separar hype de prática e indica por onde começar quando a intenção é viver 2026 com mais consciência, presença e autorresponsabilidade. Vem saber!

*Por Brunna Condini

Todo começo de ano carrega uma promessa silenciosa: a de que algo pode ser diferente. Entre balanços, despedidas e projeções, janeiro costuma abrir um espaço simbólico raro, o das possibilidades. É quando o desejo de reorganizar a vida ganha voz, e perguntas antigas reaparecem com nova urgência: o que eu quero sustentar? O que precisa mudar? Que escolhas já não fazem mais sentido? É nesse contexto que a palavra cocriação ganha força e vem para a conversa. Mas afinal, do que se trata? Funciona mesmo?

O conceito encontrou tanto eco nas redes sociais, especialmente nas falas de mulheres públicas que vêm usando sua visibilidade para difundir o tema, como Giovanna Antonelli, Mariana Rios e Rita Batista. Aqui, além de compartilhar conteúdos destas personalidades, trazemos também o olhar da terapeuta quântica e mentora vibracional Carina Bruno, que ajuda a separar fantasia de prática e aponta, com clareza, por onde começar quando o desejo é transformar o discurso da cocriação em consciência real no dia a dia. Vamos entender melhor? E desde já, desejamos um 2026 com altas vibrações!

Antes de virar citação recorrente em stories, legendas e vídeos de autocuidado, a cocriação foi apresentada como uma leitura simbólica, e controversa, da Física Quântica. Fora do rigor científico, essa abordagem passou a circular sobretudo nos campos da espiritualidade, da psicologia alternativa e do desenvolvimento pessoal, sustentando uma ideia tão sedutora quanto desafiadora: pensamentos, emoções e ações não seriam neutros, mas forças capazes de dialogar com um campo maior de possibilidades, influenciando a forma como a realidade se organiza ao redor de cada um.

A ciência tradicional costuma olhar essa interpretação com desconfiança, muitas vezes classificando-a como ‘misticismo quântico’. Mas o que a cocriação oferece não é exatamente uma explicação científica sobre o universo, mas um deslocamento de postura diante da própria vida: sair do papel de espectador passivo e assumir um lugar mais consciente nas escolhas, nos afetos e nas respostas ao mundo.

Cocriação: quando o método vira hype, e pode tornar a vida mais consciente e esperançosa (imagem: Pixabay)

Cocriação: quando o método vira hype, e pode tornar a vida mais consciente e esperançosa (imagem: Pixabay)

Além da trajetória consolidada como atriz e empresária, Giovanna Antonelli vem ocupando, nos últimos anos, um outro lugar público: o de mulher que compartilha caminhos. Nas redes, em palestras e encontros com outras mulheres, ela fala sobre carreira, imagem, empreendedorismo e autonomia com um discurso que mistura propósito, prática e autenticidade. Sua presença nesse debate não nasce da experiência de quem aprendeu a alinhar desejo, ação e consistência, uma lógica que atravessa também a forma como ela fala sobre cocriação. Vemos isso nas frases que a atriz compartilha de forma recorrente com seus seguidores, como exercícios simbólicos de alinhamento interno. Quando ela diz “eu sou energia de cocriação”, por exemplo, o gesto é menos sobre decretar um destino e mais sobre assumir responsabilidade pelo que se emana. A afirmação funciona como ponto de partida: reconhecer-se como parte ativa do próprio processo de construção da vida.

Giovanna Antonelli e suas reflexões sobre cocriação, propósito e coerência entre pensamento, emoção e ação (Foto: Divulgação/Globo)

Giovanna Antonelli e suas reflexões sobre cocriação, propósito e coerência entre pensamento, emoção e ação (Foto: Divulgação/Globo)

Na sequência, ao convidar as pessoas a se abrirem para receber “o que o universo tem” e “o que se merece”, Giovanna fala de permissão; aquela que começa dentro: romper bloqueios internos, culpas antigas e a sensação de não merecimento que tantas vezes trava movimentos de crescimento. A ideia de abundância, outro tema constante em suas falas, também ganha contornos mais amplos. Quando ela sugere repetir que a abundância chega de formas surpreendentes, o recado vai além do dinheiro: trata-se de abrir espaço para novas oportunidades, caminhos inesperados e soluções que não estavam no radar.

Toda vez que você acredita no melhor resultado possível, sua energia se alinha com o universo. Então, pode esperar o extraordinário, porque ele vem – Giovanna Antonelli

Há ainda uma insistência clara na lógica da troca. Ao lembrar que tudo o que se emana retorna, Giovanna reforça a noção de que pensamentos, atitudes e emoções não ficam soltos no mundo, eles criam atmosfera, influenciam decisões e moldam relações. Talvez uma de suas mensagens mais interessantes seja justamente a que desmonta a ideia de positividade tóxica. Para ela, mudar a frequência não é fingir que os problemas não existem, mas transformar a forma de lidar com eles. É nessa sutileza que seu discurso sobre cocriação se sustenta: menos negação da realidade, mais disposição para transformá-la a partir de dentro.

A vibração não mente

Mariana Rios segue por um caminho complementar. Em seus conteúdos e no método ‘Basta Sentir’, que vem difundindo nas redes, a atriz fala sobre frequência emocional, padrões internos e protagonismo. “A vibração não mente”, costuma dizer, defendendo a ideia de que aquilo que se sustenta emocionalmente tende a se expandir. Ela destaca, que a mudança externa começa quando se observa com honestidade o que se repete por dentro, uma abordagem que aproxima a cocriação da realidade da autorresponsabilidade e da transformação do estado interno. Pensamento e emoção precisam caminhar juntos. “O que falta pra você chegar lá, é agir como se já estivesse”, afirma, reforçando a importância de sentir no presente a realidade que se deseja construir, e não apenas projetá-la para o futuro.

Mariana Rios defende a cocriação como prática diária de autorresponsabilidade: alinhar pensamento, emoção e ação para se tornar protagonista da própria realidade (Foto: Reprodução/Instagram)

Mariana Rios defende a cocriação como prática diária de autorresponsabilidade: alinhar pensamento, emoção e ação para se tornar protagonista da própria realidade (Foto: Reprodução/Instagram)

Outro ponto recorrente em suas falas é a clareza. “A maioria das pessoas não chega onde quer porque não sabe o que quer!”, alerta, indicando que cocriar exige definição interna e consciência do próprio desejo, sem isso, o caminho se dilui. Mariana também enfatiza que a cocriação não acontece de forma isolada:

Você não está sozinho na criação da sua realidade. Você desempenha um papel ativo junto ao universo na manifestação de seus desejos – Mariana Rios

A urgência do presente é outro eixo central de seu pensamento. “O que temos de fato é o hoje. O agora! Deixar pra depois a possibilidade de transformar sua vida, de se tornar protagonista dela, pode ser na realidade o que simboliza a fuga”, afirma, incentivando ação consciente e responsabilidade no tempo presente. Quando fala em “alta frequência”, Mariana também se distancia de uma ideia abstrata ou idealizada. “Alta frequência é sobre domínio de si, da sua energia, da sua mensagem, dos seus hábitos, da sua realidade.” A vibração, nesse sentido, está diretamente ligada à forma como se vive, e não apenas ao que se deseja.

A vida é um presente

Rita Batista acrescenta ao tema um contraponto essencial. Em entrevistas e falas públicas, ela costuma lembrar que espiritualidade não pode ser ferramenta de alienação, nem servir para transformar tudo em culpa individual. Cocriar a própria vida, passaria também por consciência social, reconhecimento de privilégios e atenção ao coletivo. Não é negar a realidade, é habitá-la com mais lucidez.

Em dezembro, a jornalista e apresentadora lançou ‘A Vida é Um Presente 2,’ aprofundando o caminho iniciado em seu primeiro livro. Na obra e nas redes, Rita fala de cocriação como prática cotidiana de autoconhecimento, em que mantras e afirmações funcionam como exercícios de alinhamento interno, não como atalhos mágicos. “Os mantras fazem parte da minha rotina diariamente”, conta.  E compartilha com seus seguidores e leitores:

Tudo é possível em mim.
Tudo o que eu imagino, eu crio.
Tudo o que eu sonho, eu realizo.
Tudo o que eu desejo já é meu.
Tudo o que eu solto, eu manifesto.
Tudo o que eu faço com amor prospera e se multiplica

Rita Batista propõe a cocriação como prática diária, em um caminho que une espiritualidade, lucidez e presença no mundo real (Foto: Divulgação)

Rita Batista propõe a cocriação como prática diária, em um caminho que une espiritualidade, lucidez e presença no mundo real (Foto: Divulgação)

Menos fantasia, mais responsabilidade emocional

Para a terapeuta quântica e mentora vibracional Carina Bruno, o crescimento desse discurso é bonito, mas pede cuidado. “Cocriação, vibração, energia, lei da atração… são temas que hoje se tornaram comuns na timeline do Instagram, por exemplo. É um movimento potente, mas que pode gerar falsas expectativas quando banalizado”, alerta. E ressalta, que reduzir a cocriação a frases como “é só pensar positivo” ou “se não deu certo é porque você não acreditou o suficiente” é um dos grandes equívocos do discurso atual:

Ritual sem consciência vira repetição. Intenção sem presença vira expectativa vazia-

Carina Bruno

A terapeuta quântica Carina Bruno defende uma cocriação com presença, regulação interna e consciência no lugar de promessas fáceis (Foto: Divulgação)

A terapeuta quântica Carina Bruno defende uma cocriação com presença, regulação interna e consciência no lugar de promessas fáceis (Foto: Divulgação)

Ela lembra que somos, sim, manifestadores e cocriadores natos, mas que a apropriação desse poder interno exige maturidade. “Por séculos, instituições e gurus foram colocados como detentores desse saber. Quando se vende a ideia de que basta pensar diferente para a vida mudar, ignorando emoções, limites e contexto, isso soa como ilusão, e não como libertação”.

A especialista explica que esse ‘novo tempo’ não surgiu agora. Ele começa a ganhar forma com os fundamentos da Física Quântica, que demonstram que o observador influencia o fenômeno observado, e vem sendo validado por áreas como a neurociência e por institutos de pesquisa como o HeartMath. Hoje, já se sabe que o corpo humano gera um campo eletromagnético mensurável e que emoções não são abstratas: são estados neurofisiológicos reais. “É como um sinal de Wi-Fi”, compara. “Ele está ali o tempo todo, mas a qualidade da conexão depende do ambiente, da interferência e do ajuste do receptor. Não adianta desejar internet rápida se o sinal interno está fraco, instável ou em estado de sobrevivência”. Nesse sentido, cocriar é algo profundamente prático:

Não é somente sobre repetir frases positivas. É sobre regular o sistema nervoso, observar padrões emocionais e agir repetidamente a partir de um estado interno mais consciente – Carina Bruno

2026: cocriar como gesto de esperança possível

No início do ano, o convite da terapeuta é claro: “Não criamos a realidade com aquilo que desejamos, mas com aquilo que sustentamos emocionalmente e repetimos comportamentalmente”, reforça Carina. Trazer a linguagem da ciência para esses temas, segundo ela, não tira a magia da vida. “Tira a fantasia, e devolve responsabilidade.” E talvez esse seja o verdadeiro convite do nosso tempo: menos frases prontas, menos positividade forçada e mais presença real. Cocriar, no fim, pode ser menos sobre manifestar uma vida perfeita e mais sobre viver com lucidez, gentileza e autorresponsabilidade dentro da vida possível. Se o método virou hype, talvez seja porque ele toca exatamente onde dói, e onde ainda existe esperança: na chance de escolher melhor como caminhar, mesmo quando não é possível controlar o caminho.

Cocriação: prática diária de consciência e ação (Imagem: Pixabay)

Cocriação: prática diária de consciência e ação (Imagem: Pixabay)